Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

31/10/2017 12h14

A gratidão de Deus

 Uma passagem do Evangelista Lucas, no capítulo 17, nos faz recordar o episódio dos dez leprosos curados por Jesus: “vendo-se curado, voltou atrás glorificando a Deus em alta voz, e lançou-se aos pés de Jesus agradecendo-lhe”. Todos os outros alcançaram a “saúde”; somente o que voltou a agradecer obteve também a “salvação”, isto é, no sentido evangélico, chegou à fé e entrou no Reino.

A experiência, porém, nos diz que nós também, como aqueles outros nove leprosos, temos dificuldades de agradecer; apanhamos o dom e fugimos para desfrutá-lo sozinhos, tememos quase que nos seja tirado. Talvez a dificuldade de ser gratos a Deus nasça do fato de que não sabemos sequer ser gratos aos homens.

Sabemos que muitos têm paixão pela verdade, mas têm dificuldades para ceder ao amor, que é porta para a plena verdade. O Espírito Santo, que pairou sobre a simplicidade da Virgem Maria, entre em todas as mentes dos que se encontram insatisfeitos com as poucas ou limitadas respostas que a vida oferece. Vem, Jesus Salvador, Sabedoria eterna, ao encontro deles. Vem, Senhor Jesus!

O mundo ficou pequeno e nós sabemos logo o que acontece em todas as partes. Obrigado, Senhor! Agradecemos porque nossa sensibilidade cresceu diante de tantos problemas existentes. Valeu muito ver a Igreja e tantas pessoas em oração pela paz na última missa em nossa Igreja Catedral! Foi bom que todos descobriram de novo, neste ano, por convocação do Papa Francisco, as armas bíblicas do jejum e da oração! Vem, Senhor Jesus, para nosso mundo machucado pelas guerras que ainda insistem em existir, mesmo depois de tua vinda, Príncipe da Paz.

Precisamos de tua vinda, Senhor Jesus, para vencer a violência que se espalha em nossas cidades. Que vergonha para os nossos gestores públicos, que só se preocupam com os seus interesses pessoais e se esquecem dos deveres inerentes aos cargos assumidos. Dá-nos vergonha suficiente para não nos considerarmos importantes pelos índices de violência. Dá-nos juízo para valorizar a vida dos outros e respeitá-la. Sozinhos não somos capazes de fazer digna nossa cidade. Ela grita, mesmo sem saber: Vem, Senhor Jesus!

Senhor, nós te apresentamos um mundo machucado e cansado. Eis diante de ti a falta de confiança nas instituições, pela grave corrupção existente em todos os cantos. Tu sabes bem que falta retidão nas prestações de contas, na administração dos bens públicos e nas relações pessoais. Nosso mundo é terra seca, que tem sede do Deus vivo. Vem, Senhor Jesus!

Senhor, em nosso mundo se encontram também, para acolher-te, todas as pessoas que fazem o bem! Ajuda-nos a ver a bondade presente no trato com os irmãos, a caridade vivida, a solidariedade que continua viva, a simplicidade de tantas pessoas que se abrem para a amizade sincera! Vem ao encontro de todas as pessoas que fazem o bem e nos fazem o bem. Vem, Senhor Jesus!

O que queremos expressar quando dizemos a Deus “obrigado”? É como dizer ‘Sim” a Deus: sim a Ele como doador, como criador e como Deus; sim a nós mesmos como criaturas de Deus. Significa aceitar que Deus seja Deus e que nós sejamos homens. É este em certo sentido o sentimento religioso fundamental: aceitar-nos por aquilo que somos, isto é, devedores de tudo. Mas aceitar isto livre e alegremente, como fazem as crianças quando recebem alguma coisa do próprio pai e da própria mãe, sem se sentir humilhados e diminuídos. Então dizer obrigado a Deus é como lhe dizer: está bom assim, meu Deus; estou feliz que seja assim, isto é, que tu sejas Deus e eu seja a tua criatura.

Agradecer significa, portanto, dizer sim a Deus. Este obrigado que é da Igreja não é um sentimento subjetivo e psicológico; é sempre um obrigado dado a Deus “em Jesus Cristo”; é, por isso, algo objetivo, que está impregnado da mesma ação de graças que Jesus deu ao Pai antes da sua morte, e que dá ainda hoje, cada vez que se faz memória da sua morte. Na Eucaristia nós nos nutrimos da ação de graças de Jesus; por assim dizer, comemos sua ação de graças, para que nos ensine a dizer sim ao Pai, e dizendo-o nos faça transbordar de alegria como Ele transbordou.

Na Eucaristia nós tomamos o pão e rendemos graças a Deus; uma ação de graças coletiva, coral como uma única grande família reunida ao redor da mesa, com os olhos voltados ao Pai: obrigado pelo milagre da vida que nos deste e que nos conservas; obrigado por nos ter dado Jesus como irmão e com Ele todo bem inimaginável; obrigado pela esperança e pela caridade que difundiste em nossos corações mediante o Espírito Santo que nos destes; obrigado simplesmente, porque nos permitistes chamar-te Abbá, Pai.

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