Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

18/09/2017 14h32

A missão do cristão

 No próximo mês de outubro voltaremos nosso olhar para a missão do cristão. Todos nós batizados somos missionários. Daí, aumenta a cada dia a nossa responsabilidade de vivermos esse testemunho de fé na missão que abraçarmos. É uma resposta contínua ao convite de Deus na busca dessa graça santificante. O cristão que tem, pelo batismo, a vocação missionária, a missão de anunciar a Boa Nova, tem de ter, ele próprio um coração semelhante ao de Cristo, manso e humilde como pedimos na jaculatória, "fazei nosso coração semelhante ao vosso". O Papa Paulo VI, na “Evangelii Nuntiandi" exorta: " A obra da evangelização pressupõe um amor fraterno, sempre crescente, para com aqueles a quem ele (o missionário) evangeliza. " Ai de mim se não anunciar o Evangelho".

O sentido da palavra missão, pela etimologia vem do verbo latino “ Mitere" que significa enviar. É o envio de uma pessoa ou de pessoas para determinado lugar ou situação com uma específica finalidade ou tarefa. Neste sentido etimológico, propriamente, não especifica o caráter da missão. Não tem, ainda, nenhum envolvimento vital. Pode exprimir tarefas diversas relacionadas a diferentes dimensões da vida social, cultural, política, religiosa, espiritual... É necessário, pois, ver a natureza ou o caráter da atividade, tarefa que o "enviante" confia ao "enviado". Deve-se também determinar o "destinatário". Por isso, o conceito de missão é mais amplo, mais envolvente, principalmente para a dimensão religiosa no mundo cristão. A missão compreende a pessoa que envia com uma mensagem, o enviado que deve anunciar ou testemunhar buscando o destinatário.

Por esse e outros fatos importantes, insisto tanto para não dormirmos em nosso comodismo espiritual. Este mês deve ser motivador para repensarmos a missão da nossa Arquidiocese, assumindo nosso papel de cristão missionário, seja na nossa família, comunidade e ou sociedade. Porém, este momento não deve ser somente de ação, deve ser também de reflexão. Pois, para sermos missionários não precisamos percorrer grandes distâncias. Ser missionário é fazer a difícil viagem de sair de si, e ir ao encontro do outro, do novo, do diferente como em busca dos frutos da fé em Cristo. É preciso pensar, planejar, ver a maneira de agir sem que esses frutos sejam estragados ou que sejamos machucados pelos espinhos. E isso exige de nós uma abertura pessoal e comunitária para responder aos desafios de ser missionário.

Quando assumi o pastoreio desta Arquidiocese, vislumbrei essa realidade de Igreja, tendo como base à luz do próprio Vaticano II, uma Igreja missionária e samaritana, e depois de alimentar esta consciência, uma Igreja orante, com um olhar fitado no Mestre Jesus. A partir destes pressupostos posso afirmar: precisamos assumir com urgência os desafios e o compromisso de ser missionário, que é o de ter a missão não somente de levar algo, mas também de descobrir. Não somente de dar, mas receber. Não somente conquistar, mas partilhar e buscar juntos sempre a verdade em Cristo através de nossos gestos, atitudes e atos. A missão nos permite criar novos laços, novas relações, um novo jeito de olhar a vida, um novo jeito de ser Igreja.

O nosso Papa Francisco fazendo uma releitura da própria caminhada da Igreja, mostra-nos claramente que: “Ser missionário é um compromisso de toda a comunidade que vive e transmite a sua fé. Nenhuma comunidade cristã é fiel à sua vocação se não for missionária. Jesus não é propriedade da nossa Igreja Católica. Somos convidados a buscá-lo pelo testemunho da nossa fé, que evidentemente nos reporta a religião, ligar novamente”. Só ligaremos novamente se formos impulsionados pela fé na dimensão missionária e humana.

Alguns santos pelo testemunho da fé nos mostraram o poder do ímpeto missionário. Assim nos ensinou São Francisco de Assis: "Ao irem pelo mundo, não discutam, nem porfiem com palavras, nem façam juízo de outrem, mas sejam mansos, pacíficos, modestos, afáveis e humildes, tratando a todos honestamente, como convém”.

Por isso não sejamos individualistas vivendo uma fé intimista, mas, com a missão de juntos construirmos a Igreja, onde devemos nos colocar como discípulos missionários de Jesus Cristo, colocando a mão no arado, para que possamos como missionários levar o amor de Deus e a caridade àqueles que ainda não vivem uma fé que nos coloca no espírito de redes de comunidade, na partilha e na caridade.
Assim nos afirma o Papa Francisco: "Precisamos compreender que vivemos em uma Igreja em saída, que não olha só para si, mas vai além de si mesma".

Como cristãos conscientes, tomemos o mês de outubro como ocasião de reflexão e de um ponto de partida para um trabalho que embora seja árduo, é compensador e nos ajudará a construir um mundo melhor.

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