Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

24/07/2017 13h56

O evento de Fátima

 Estando no Santuário Mariano de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, por ocasião do nosso retiro anual do clero de nossa Arquidiocese, percorrendo a história do “Evento de Fátima” muito bem apresentada por nosso Pe. Márcio Manoel, que está nos orientando neste exercício espiritual, vejo a necessidade de refletirmos melhor este centenário que estamos celebrando.

Entendemos que abordar Fátima a partir de uma perspectiva histórica não é tarefa fácil, uma vez que, no campo da historiografia tem surgido uma tendência de, cada vez mais, delimitar o recorte temporal, ou seja, encurtar o espaço temporal como condição de uma análise mais apurada. No caso de Fátima não podemos dizer que tudo está resumido nos fenômenos de 1917. Pelo contrário, poderemos dizer que o evento Fátima está vivo, pulsante. Milhões de peregrinos acorrem anualmente a este Santuário. Eles estão esperando neste ano do centenário 8 milhões de peregrinos. Somente uma espiritualidade chamada “do coração” nos envolve nesta grande manifestação de fé.

Fátima, na verdade, nasceu de um desejo de Deus, ao permitir que a santíssima Mãe viesse ao nosso encontro e nesse fascínio da devoção popular que brotou dos acontecimentos da Cova da Iria. Essa devoção é tão forte para nós a ponto de o Cardeal Manoel Gonçalves Cerejeira ter afirmado: “não foi a Igreja que impôs Fátima, foi Fátima que se impôs à Igreja”. Por isso entendemos que falar de Fátima é falar da fé entre os mais simples e da fé como o que há de mais simples.

A Escritura Sagrada nos ajuda a compreender o papel de Maria na história da Igreja, através da passagem de Jo 19,27, colocada no momento mais importante do Evangelho. Esta cena deve ter mais do que simples importância filial, isto é, o cuidado de Jesus por sua Mãe na hora de sua morte. Surge então a seguinte pergunta: o que esse incidente simboliza? Encontramos como resposta a imagem simbólica Joanina do nascimento da comunidade cristã. É a hora da glorificação de Jesus, sua elevação, e, quando Ele morre, entrega o espírito. Abaixo dele estão uma mulher e um discípulo, ambos inominados, como que para enfatizar seu caráter simbólico. A mulher pode significar a Igreja como Mãe e o discípulo amado todos os discípulos chamados a seguir a obediência extremosa do Senhor.

O Evangelista João apresenta Maria perto da cruz em um duplo papel: Como símbolo feminino da Mãe-Igreja, cuidando deles e sendo cuidada pelos discípulos de Jesus que se tornam seus filhos e, consequentemente, irmãos e irmãs. A relação com Jesus não é apenas individual; inclui uma comunidade, uma família e como mulher da vitória, enfatizando a contribuição feminina para a salvação, imagem negativa de Eva foi substituída pela da Ave Maria vivificante.

Nossa Senhora foi plenamente obediente à vontade de Deus, mas esta vontade foi feita toda de amor e de misericórdia. Segundo o Papa Paulo VI: “Maria aderiu totalmente e livremente à vontade de Deus, recebeu a Palavra e a colocou em prática, Ela foi inspirada, na sua ação pela caridade e pelo espírito de serviço; em suma, foi a primeira e a mais perfeita discípula de Cristo”.

Quanto ao tema da espiritualidade de Fátima, deve-se reconhecer que não foi forjada a partir de um grande tratado de teologia espiritual, mas nasceu no meio rural, pela simplicidade de crianças humildes, filhos de camponeses. Assim comentou o Cardeal Ratzinger, hoje, Papa emérito Bento XVI: “Em Fátima Deus nos propõe fazer um percurso entre os acontecimentos históricos da época, e ao mesmo tempo, reconhecer a intervenção Divina nesses eventos. Um Deus apresentado pelos Pastorinhos como sendo compassivo, misericordioso e que é capaz de sofrer por amor aos homens”.

A palavra de Deus é em nossa missão e vida um verdadeiro instrumento de transformação. Como Maria acolheu o Verbo de Deus, queremos viver este acolhimento como Igreja, comunidade dos crentes, reunida em torno da fé.

Como Igreja de Maceió, quero incentivar a Festa da Nossa Padroeira neste Ano Nacional Mariano. Recebemos do Santuário de Fátima uma belíssima Imagem que será entronizada no nosso Santuário Arquidiocesano da Virgem dos Pobres, no dia 27 de agosto, dia de Nossa Senhora dos Prazeres, onde encerraremos a nossa Solene Procissão.

Precisamos compreender que a verdade histórica é: Maria, a partir das palavras empenhadas e pronunciadas pelo Anjo Gabriel, foi imediatamente olhada com admiração. E logo a sua intercessão foi invocada por motivo do seu particular vínculo com Cristo: o vínculo da maternidade! Portanto, quando recorrermos à Maria, a Virgem do Rosário de Fátima, para a invocar com filial confiança, não nos encontraremos fora do Evangelho, mas totalmente dentro dele, motivo de verdadeira alegria.

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