Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

04/03/2017 11h05

A obediência como sinal de fé

 Neste pastoreio de dez anos à frente da Arquidiocese de Maceió, precisei e preciso tomar algumas decisões para o bom andamento da Arquidiocese, buscando sempre acertar. Peço aos nossos sacerdotes uma maior disponibilidade em tudo o que a Arquidiocese precisar, pois, assim facilitaremos a caminhada de serviço a Igreja. Tenho certeza e consciência da nossa fragilidade, mas, sendo humano e frágil, acredito na infinita bondade de Deus que nos sustenta pela fé. Só caminharemos na obediência a Deus se nos alicerçarmos na fé. Por isso recordo-me de um dito popular muito interessante: "Quem obedece não erra". Esse adágio não se refere a Deus, mas, se dissermos assim: Quem faz a vontade Deus não erra, com certeza trilharemos o verdadeiro caminho.

A fé adquirida se manifesta por meio das obras que se constituem em obediência, manutenção da comunhão, promoção da santidade e crescimento espiritual (At 6.7; Rm 1.5). O crescimento da Igreja se deu porque resultou da obediência a Cristo, devido à atenção ao “ide e pregai o Evangelho a toda criatura”. O maior objetivo, a regra áurea que o novo discípulo precisa seguir é conduzir os desobedientes a Cristo, usando uma expressão hoje muito usada por estas novas comunidades de vida consagrada: “resgatá-los”.

“Obediência: é a virtude pela qual se reconhece pela ordem do direito natural e do divino, a retidão e a excelência do mando de uma autoridade superior”. (Suma teológica). “Factus obediens usque ad mortem, mortem autem crucis” (Fl 2,8) “Feito obediente até à morte, e morte de cruz”.

Obedecer, segundo o latim, seria “ob-audire”, isto é, “ouvir àquele que fala”. Provém do grego: hypakuo, estar à escuta; peithomai, deixar-se persuadir, confiar. Essa definição etimológica sugere que só é possível ser obediente, quando nos dispomos a ouvir atentamente àquele que fala.” A expressão grega é usada em relação à obediência em geral, para a obediência aos mandamentos de Deus e para a obediência a Cristo”.

Tendo Cristo como modelo, compreendemos que obedecer ao Evangelho é obedecer ao próprio Cristo e manter comunhão com Ele, vivendo em santidade, dizendo não ao pecado, perseverar na fé convicto de que a obediência aos mandamentos da justiça nos conduzirão à verdadeira vida (Rm 6.16). Não mais somos servos do pecado, pois o nosso compromisso com Cristo deve proceder de um coração transformado sendo fiel à aliança estabelecida com Deus. Amar a Palavra de Deus, servir ao Senhor e permanecer em sinceridade são os primórdios desta nova dimensão de vida alicerçada no amor, num relacionamento de intimidade com Ele.

A obediência externa tem apenas um propósito: atrair a atenção e elogio da parte dos homens. Não está relacionada à verdadeira espiritualidade, nem recebe aprovação da parte de Deus. A obediência está acima da observância de um ritual religioso. Ser obediente é demonstrar que tem fé e por meio de suas obras demonstrar os sinais clarividentes da salvação e transformação do homem interior (Tg 2.14-26).

Ser obediente é, antes de tudo, ter uma atitude filial. É aquele tipo particular de escuta que só mesmo o filho pode prestar ao pai, por estar iluminado pela certeza de que o pai só pode ter coisas boas a dizer e a dar ao filho; uma escuta embebida naquela confiança que permite ao filho acolher a vontade do pai, certo de que esta será para o bem. Isto é imensamente mais verdadeiro em relação a Deus. Com efeito, nós atingimos a nossa plenitude somente na medida em que nos inserimos no desígnio com que Ele nos concebeu em seu amor de Pai. A obediência é, portanto, o único caminho de que dispõe a pessoa humana, ser inteligente e livre, para realizar-se plenamente. Quando diz “não” a Deus a pessoa humana compromete o projeto divino e diminui-se a si mesma, destinando-se ao fracasso.

Obedecer a Deus é caminho de crescimento e, por isso mesmo, de liberdade da pessoa, uma vez que permite acolher um projeto ou uma vontade diferente da própria que não só não mortifica ou diminui, mas que funda os alicerces da dignidade humana. Ao mesmo tempo, a liberdade é, em si, um caminho de obediência, pois é obedecendo como filho ao plano do Pai que a pessoa que crê realiza o seu ser livre. É claro que, uma tal obediência exige de reconhecer-se como filho e de alegrar-se em ser filho, posto que somente um filho e uma filha podem entregar-se livremente nas mãos do Pai, exatamente como o Filho Jesus, que se abandonou nas mãos do Pai. E se, durante a sua paixão, entregou-se também a Judas, aos sumos-sacerdotes, aos seus flageladores, à multidão hostil e aos que o crucificaram, Ele só o fez porque estava absolutamente certo de que tudo encontrava um significado na fidelidade total ao desígnio de salvação querido pelo Pai, a quem, como recorda são Bernardo, “não foi a morte que agradou, mas sim a vontade daquele que, espontaneamente, morria”.

À escuta segue a obediência como resposta livre e libertadora do novo Israel à proposta do novo pacto; a obediência é parte da nova aliança, aliás, é o seu distintivo característico. Por conseguinte, ela só pode ser compreendida completamente dentro da lógica do amor, da intimidade com Deus, da pertença definitiva Àquele que nos torna, finalmente livres.

2 Comentários
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Enviado por DYOGO RAMOS ALMEIDA às 20h16 do dia 14/03/2017

Se não tivermos obediência, não podemos ser chamados de católicos. Temos os pilares da Santa Mãe Igreja como trilhos do caminho que nos leva a Jesus.

Enviado por Maria Luz às 22h18 do dia 05/03/2017

Muitos sábias as palavras de nosso Pastor. Bem de acordo com a liturgia de hoje; Jesus foi tentado a não obedecer à Vontade do Pai, mas pela humildade e a fidelidade à sua missão, resistiu e saiu vitorioso. Nossos padres necessitam de mansidão e humildade para seguirem fielmente os passos do Mestre que " embora fosse de divina condição, não se apegou a ser igual em natureza a Deus Pai, mas esvaziou-se de sua glória e assumiu a condição de servo..."

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