Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

17/02/2017 12h30

A Quaresma

Espero que esse amor gratuito seja estímulo para nunca desanimarmos diante de nossos pecados e limitações

 Neste ano Mariano, o período quaresmal nos convida ao arrependimento, só teremos condições de vislumbrar o amor de Deus por nós se reconhecermos nossa pequenez. O testemunho e o sim de Maria nos levam a compreender o seu amor gratuito e incondicional à vontade do Pai.

Desde o final do século IV, a Igreja valoriza a preparação da Páscoa através de um período de 40 dias. A Bíblia usa com frequência períodos de 40 dias (ou 40 anos) para indicar ocasiões especiais em que são vividas experiências importantes: são os quarenta anos de caminho do povo no deserto, os 40 dias de Jesus no deserto, 40 dias de Moisés no Monte Sinai, os 40 dias das andanças de Elias até a montanha de Deus... Esses períodos vêm antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer. São tempos densos de intimidade com Deus, de fortalecimento, hora de cada um se abrir para atender a um chamado carregado de riscos, responsabilidades e de grandes realizações.

A Quaresma em seu ritual, é um grande tempo de conversão e reconciliação, mediante o qual participamos da fé do mistério de Cristo, que vencendo as tentações, escolhe a atitude da compaixão e do amor incondicional, como servo humilde e sofredor até a cruz. Mais do que uma preparação penitencial da Páscoa, a Quaresma constitui um ensaio da vida nova no Espírito, pelo qual toda a Igreja é convocada a deixar-se “purificar do velho fermento para ser uma massa nova, levedada pela verdade” ( 1cor 5, 7-8).

O Concílio Vaticano II recorda que “a penitência quaresmal não deve ser apenas interna e individual, mas também externa e social” (SC 110). Essa exigência, como passo fundamental na caminhada pascal, é assumida por nós na Campanha da Fraternidade, que sempre nos pede conversão e solidariedade em situações bem concretas de nossa realidade, ainda marcada por extremado individualismo, por competição desmedida, pela “tirania do dinheiro”, pelo “capitalismo selvagem” e pela “globalização da indiferença” como nos alerta continuamente o Papa Francisco. Neste ano, preparando-nos para a Páscoa, numa busca de coerência evangélica, a Igreja nos convida a colocar a fraternidade a serviço do combate ao tráfico de pessoas, com o lema inspirado na carta aos Gálatas, 5, 1: “E para a liberdade que Cristo nos libertou”.

Qual o significado da Quaresma em uma sociedade secularizada? A Quaresma é, para a Igreja, um momento de verdade, de se assumir como “resto fiel”, povo que o Senhor escolheu e conduz. É o tempo propício para assumirmos corajosamente a nossa diferença no mundo em que vivemos: diferença na fé, nas motivações e nos critérios. É tempo de penetrar nos desígnios de Deus a nosso respeito, de percebermos que Ele tem uma vontade para o Seu povo, onde revela os caminhos da vida e que nos fortalece com o Seu Espírito, para podermos percorrê-los. Tomemos consciência de que a Quaresma tem de ser, para nós, tempo de discernimento e de fidelidade.

A Quaresma nos pede, em primeiro lugar, uma amizade sincera e profunda com Nosso Senhor. Nesse sentido, é atual o grito dramático do Profeta Joel: “Convertei-vos a Mim, de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração, não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor vosso Deus” (Jl 2,12-13). Num tom igualmente sério, São Paulo Apóstolo escreve aos Coríntios: “Nós vos pedimos, em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus” (2Cor 5,20).

E um tempo litúrgico de conversão e nos prepara para a grande festa da Páscoa. Durante este período, somos convidados a fazer penitência e meditação, por meio da prática do jejum, da esmola e da oração. Ao longo deste período, sobretudo na liturgia do domingo, é feito um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros cristãos que pretendem viver como filhos de Deus.

A ideia central que vai ser o fio condutor nas reflexões desenvolvidas na Quaresma é a gratuidade do amor de Deus, capaz de tudo para nos salvar, sempre disposto a perdoar. Esse amor se manifesta em Jesus até as últimas consequências, numa doação que não conhece limites. A permanente misericórdia que vai aos extremos para nos salvar não está condicionada aos nossos méritos, mas é derivada da própria natureza de Deus, que não pode deixar de ser amor.

Espero que esse amor gratuito seja estímulo para nunca desanimarmos diante de nossos pecados e limitações. Sabendo que dependemos sempre da compaixão de Deus e que ela nunca nos falta, deveríamos nos dispor a usar também de compaixão para com nossos irmãos e a lutar com esperança por tudo que traz mais vida para todos.

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