Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

31/10/2016 12h24

Enterrar os mortos

 Estamos celebrando nesta quarta-feira, dia 02 de novembro, a Comemoração de todos os fiéis defuntos, recordação significativa daqueles que marcaram a nossa história de vida e se eternizaram em cada um de nós.

Neste Ano da Misericórdia eu celebrarei pelos fiéis defuntos, às 11h, na Casa do Pobre, no bairro Vergel do Lago, e às 16h no Cemitério da Divina Pastora, no bairro Rio Novo. Pedirei pelas almas daqueles que ficaram esquecidos neste mundo, suplicando que sejam lembrados sempre pelo Pai da misericórdia. O sufrágio pelos mortos não é um simples ato de devoção, mas, a certeza da habitação de Deus que nos ressuscitará, permitindo que o vejamos um dia tal como Ele é.

Esta solenidade convida-nos a descobrir que o projeto de Deus para o homem é um projeto de vida. No horizonte final do homem não está a morte, o fracasso, o nada, mas está a comunhão com Deus, a realização plena do homem, a felicidade definitiva, a vida eterna.

Na Escritura sagrada, Jesus deixa claro que o objetivo final da sua missão é dar aos homens o “pão” que conduz à vida eterna. Para aceder a essa vida, os discípulos são convidados a “comer a carne” e a “beber o sangue” de Jesus – isto é, a aderir à sua pessoa, a assimilar o seu projeto, a interiorizar a sua proposta. A Eucaristia cristã (o “comer a carne” e beber o sangue” de Jesus) é, ao longo da nossa caminhada pela terra, um momento privilegiado de encontro e de compromisso com essa vida nova e definitiva que Jesus veio oferecer.

São Paulo garante aos cristãos de Tessalônica que Cristo virá de novo, um dia, para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo; todo aquele que tiver aderido a Jesus e se tiver identificado com Ele irá ao encontro do Senhor e permanecerá com Ele para sempre.
Diante da morte, sempre nos fazemos a mais cruel das perguntas: POR QUÊ? A pergunta da morte não só é cruel como é também, principalmente para quem não tem fé, irrespondível. Para todos, mesmo para os que creem, qualquer explicação sobre a morte será sempre insuficiente e inacabada. Na verdade, ninguém quer morrer e ninguém aceita, sem dor e sem uma ferida no coração, a morte de alguém próximo ou querido. A tragédia da morte é sempre maior do que qualquer outra tragédia, pelo fato de ser definitiva e não deixar espaço para uma possível recuperação. Com a morte terminam nossas esperanças humanas. É por isso que se diz: Enquanto há vida, há esperança. A morte decreta o fim delas.

Refletindo a limitação humana, diante da morte somos pequenos e frágeis para compreendermos esse mistério, basta lembrarmos que grandes santos e pessoas de ímpar grandeza, e até o próprio Cristo, tremeram, suaram sangue e pediram a Deus para não beber este cálice. Isto não significou neles falta de fé, mas apenas medo humano normal diante da frustração maior de ter que morrer.

Uma passagem do Evangelista Lucas no capítulo 17, nos faz recordar o episódio dos dez leprosos curados por Jesus: “vendo-se curado, voltou atrás glorificando a Deus em alta voz, e lançou-se aos pés de Jesus agradecendo-lhe”. Todos os outros alcançaram a “saúde”; somente o que voltou a agradecer obteve também a “salvação”, isto é, no sentido evangélico, chegou à fé e entrou no Reino.

A experiência, porém, nos diz que nós também, como aqueles outros nove leprosos, temos dificuldades de agradecer; apanhamos o dom e fugimos para desfrutá-lo sozinhos, tememos quase que nos seja tirado. Talvez a dificuldade de ser gratos a Deus nasça do fato de que não sabemos sequer ser gratos com os homens.

Senhor, nós te apresentamos um mundo machucado e cansado. Eis diante de ti a falta de confiança nas instituições, pela grave corrupção existente em todos os cantos. Tu sabes bem que falta retidão nas prestações de contas, na administração dos bens públicos e nas relações pessoais. Nosso mundo é terra seca, que tem sede do Deus vivo. Vem, Senhor Jesus!

Agradecer a vida significa, portanto, dizer sim a Deus. Este obrigado que é da Igreja não é um sentimento subjetivo e psicológico; é sempre um obrigado dado a Deus “em Jesus Cristo”; é, por isso, algo objetivo, que está impregnado da mesma ação de graças que Jesus deu ao Pai antes da sua morte, e que dá ainda hoje, cada vez que se faz memória da sua morte. Na Eucaristia nós nos nutrimos da ação de graças de Jesus; por assim dizer, comemos sua ação de graças, para que nos ensine a dizer sim ao Pai, e dizendo-o nos faça transbordar de alegria como Ele transbordou.

Quanto ao momento da nossa partida, não tenhamos preocupações, pois, no pensamento do grande Carmelita São João da Cruz: “No entardecer da vida seremos julgados pelo amor”.

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Enviado por Thiago às 00h43 do dia 03/11/2016

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