Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

19/09/2016 12h26

A Misericórdia de São Vicente

Estive do dia 13 ao dia 16 do corrente, participando na cidade de Juazeiro do Norte, no Estado do Ceará, dos festejos em Honra da excelsa Padroeira Nossa Senhora das Dores, e na ocasião tive oportunidade de sentir mais uma vez a fé dos romeiros do Pe. Cicero Romão Batista. São pessoas pobres em grande maioria, mas, de um coração rico de amor e fervor missionário.

Lembrei-me então de que no próximo dia 27 celebraremos a memória de um grande homem de uma vida totalmente devotada aos pobres, trata-se de Sao Vicente de Paulo, o Apóstolo da Caridade. Nasceu na pequena aldeia de Pouy, perto da cidade de Dax ao sul da França, no dia 24 de abril de 1581, no mesmo dia foi batizado e recebeu o nome de Vicente, que quer dizer “vencedor do mal”. Teve uma rápida ascensão na alta sociedade medieval sendo ordenado padre aos 19 anos. Apesar de ter sido um homem com pouco tempo para os livros, achou todo tempo do mundo para tratar e distribuir alívio espiritual e material aos mais carentes de corpo e alma.

A trajetória de São Vicente marcou a nossa Igreja no século XVII. São Francisco de Sales, seu contemporâneo, o considerava “o padre mais santo do século”. E o renomado pregador francês Bossuet, também seu contemporâneo, exclamava: “Que bom deve ser Deus, quando fez Vicente de Paulo tão bom”. Essa bondade tão grande era fruto de seu amor a Deus e de uma humanidade que se manifestava até em meio das maiores honras. Por outro lado, praticamente não houve obra de misericórdia espiritual e temporal na França a que São Vicente não estivesse ligado.

Este homem de Deus fundou e organizou Instituições voltadas para a caridade. A confraria das Damas da Caridade, Os servos dos Pobres, a Congregação dos Padres da Missão, os Lazaristas que estão no Jacintinho, nas Paróquias da Imaculada Conceição e Santa Isabel, e principalmente com a ajuda de Santa Luiza de Marillac, as Irmãs Filhas da Caridade, que somaram em toda Igreja, antes do Concilio Vaticano II, mais de quarenta mil irmãs. Elas prestaram em nossa Arquidiocese um relevante serviço durante setenta e quatro anos na Casa do Pobre e por um tempo mais curto no Abrigo São Vicente. Hoje elas residem no Colégio Imaculada na Pajuçara, e continuam servindo a comunidade, oferecendo uma digna formação humana e cristã.

A vida e obra de São Vicente precisa tocar a nossa sensibilidade para que abramos em nós um espaço para acolher, para ouvir e para ajudar, nunca esquecendo que os pobres que buscamos ou encontramos podem morar perto ou longe de nós. Podem ser material ou espiritualmente carentes. Podem estar famintos de pão ou de amizade e podem precisar de roupas ou do amor de Deus, através de nós. Podem precisar do abrigo de uma casa feita de tijolos e de cimento ou de confiança, acolhimento e proteção no abrigo de nossos corações.

Celebrar a festa de São Vicente de Paulo é fazer memória, pela Eucaristia, da missão evangelizadora junto aos pobres. É pedir a Deus, por meio de São Vicente de Paulo, que sejamos inspirados a continuar na missão vicentina com o objetivo de aliviar, com espírito de justiça e de caridade aqueles que sofrem. Aliviar aqueles que são humilhados por não terem o necessário para viver. Continuar a missão deixada por Vicente de Paulo, restituir aos pobres sua dignidade roubada.

São muitos os seguidores deste homem de Deus em nossa Arquidiocese. Refiro-me de um modo particular aos que trabalham conosco: Os padres Lazaristas, as Irmãs Filhas da Caridade, as Damas da Caridade e a Sociedade de São Vicente, que inspirados no amor-caridade se colocam a serviço da missão. Ser vicentino é sentir-se cidadão do mundo, atento a voz da Igreja, chamado a participar na criação de uma ordem social mais justa e equitativa, que conduza a uma cultura de vida e uma civilização do amor. Deste modo, os Vicentinos estão associados à missão evangelizadora da Igreja, pelo verdadeiro testemunho visível em ações e em palavras.

São Vicente faleceu em 27 de setembro de 1660 e foi sepultado na capela-mãe da Igreja de São Lázaro, em Paris. Foi canonizado em 1737, e em 1885 declarado patrono de todas as obras de caridade da Igreja católica, pelo Papa Leão XIII.

Que o Apostolo da Caridade nos inspire no amor aos pobres, assim como, tantas vezes ele repetiu: “Eles são os nossos mestres e senhores”.
 

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