Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

05/09/2016 14h17

O mês da Bíblia na Casa da Mãe Aparecida

Como clero da Arquidiocese de Maceió, estivemos reunidos no Santuário Nacional de Aparecida, por ocasião do nosso retiro anual.

Como Arcebispo desta Arquidiocese tive a oportunidade de orientar as reflexões desse exercício espiritual, refletindo sobre o episódio da cruz que, às vezes, rejeitamos. O que fora escândalo para os judeus, torna-se motivo de alegria para nós cristãos. Temos Nossa Senhora como exemplo desta aceitação da cruz. Desde a apresentação de Jesus no templo até o momento ao pé da cruz, vemos que Maria aceitou o sofrimento como motivo de resignação.

Este ponto de reflexão eu iniciei durante a Festa de Nossa Padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres, tomando como exemplo as rosas que usamos para o adorno litúrgico, onde as escolhemos sem espinhos para somente contemplarmos sua beleza e seu perfume, mas, rejeitamos as dificuldades.

Refleti também com o nosso clero o valor da caminhada, mesmo em meio a crises e dificuldades não podemos desaminar. Temos que enxergar com nitidez como assim fez o cego Bartimeu, uma vez que teve de sair do seu povoado. Em uma linguagem exegética poderemos assim interpretar: sairmos de nós mesmos, do nosso orgulho, da nossa vaidade e falta de amor. Somente livres é que teremos condições de prosseguirmos esse caminho.

A Bíblia é palavra de Deus revelada. Segundo São Jerônimo precisamos amá-la e respeitá-la: “Ignorar a Escritura, é ignorar o próprio Cristo”. Por essa razão, a Igreja deseja, neste mês, recordar a importância da Bíblia, Palavra de Deus revelada, que é um dos textos mais importantes do mundo humanamente falando e, para nós cristãos, é a luz que conduz nossos passos. Suas inúmeras traduções para os mais diversos idiomas e dialetos são enormes. A sua difusão e estudo nos mais diversos países e culturas demonstra a sua força de comunicação.

Para nós, católicos apostólicos romanos, Cristo é o Verbo, a Palavra de Deus que se fez carne e veio habitar entre nós. A Sagrada Escritura e a Tradição nos fazem uma promessa de vida humanizada na pessoa de Jesus. Precisamos desta Palavra de Salvação, pois não podemos viver plenamente sem conhecer verdadeiramente a Deus.
A Bíblia é a revelação de Deus numa linguagem humana e compreensível para todos, através de séculos. Muito embora tenha sido escrita durante longos períodos não contínuos, ela se apresenta como uma unidade perfeita. E também entre seus diversos autores, mesmo não tendo se conhecido, existe uma harmonia e coerência iluminadas pelo Espírito Santo, o autor principal da Bíblia.

Ela contém diversas formas literárias, história, biografias, poemas, provérbios, frases, cartas, leis, instruções e outras inúmeras manifestações literárias do ser humano. Escreveram com a cultura humana, porém inspirados por Deus. Devemos nos perguntar sobre a importância da leitura e do estudo da Bíblia hoje. Ela nos traz respostas para inúmeras perguntas que o ser humano se faz, como: qual o sentido da vida? Como faço para alcançar a felicidade? Por que é tão difícil ser bom? Por que há tanto mal no mundo? Ela nos traz a história da nossa salvação!

Em suas páginas e livros encontramos os caminhos para as respostas a todas essas indagações, que são absolutamente naturais em nossa vida. Em suas páginas podemos encontrar essa fidelidade do Senhor, que nos traz alívio para o inconstante da vida hodierna, a futilidade que querem impor na vida do ser humano.
É essencial que saibamos, pois, reconhecer a vontade de Deus sobre nossa existência. A proposta do texto sagrado e interpretado pelo magistério da Igreja é justamente essa: explicitar a vontade Deus sobre o homem. Na Bíblia, Deus nos revela através de palavras e de acontecimentos intimamente entrelaçados, de tal sorte que as obras ajudam a manifestar e confirmar os ensinamentos e realidades significadas pelas palavras; e estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido. Deus se serve de autores humanos, por Ele inspirados e de linguagem humana e até dos gêneros literários usados em cada época para nos manifestar a sua verdade. É o que São João Crisóstomo chamou de “Divina Condescendência”. Deus desce até nós. Fica perto de nós.

Como Igreja de Maceió, incentivo os círculos bíblicos nas Paróquias, permitindo aos nossos agentes de pastoral um conhecimento amplo da Escritura. Peçamos que a Palavra de Deus nos ajude neste mês a nos familiarizarmos sempre mais com o Texto Sagrado, não só pela leitura que dele se faz na liturgia, mas em nossas leituras e meditações pessoais. E seria muito importante nos lembrarmos de que o Espírito não só inspirou os autores sagrados para que escrevessem os livros, mas continua de algum modo misterioso, a inspirar a Igreja e os fiéis, quando lemos a Escritura interiorizando em nossas vidas esta palavra transformadora.
 

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