Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

22/08/2016 13h45

A Igreja e sua opção preferencial pelos pobres no Ano da Misericórdia

 Vivenciando a Festa de Nossa Senhora dos Prazeres, nossa Mãe e Padroeira, focamos o olhar para o amor misericordioso de Deus que nos permite, com gestos concretos de caridade, sentirmos de perto o outro que caminha conosco e, às vezes, não o enxergamos como necessitado. Essas três obras de misericórdia, vestir os nus, enterrar os mortos e acolher os prisioneiros, com certeza nos farão muito bem espiritualmente. É uma forma de sermos uma Igreja atuante que vai além das normas litúrgicas, que tem uma importância grande, mas, se as completarmos com gestos de amor doação.

Em nossos dias, alguns documentos eclesiais estão sendo retomados de uma forma melhorada, para o fácil entendimento dos fiéis. O importante documento de Pueblla contribuiu muito na valorização dos nossos irmãos necessitados.

É importante compreendermos que se trata de um tratado de teologia, isto é, um discurso sistemático e metódico sobre a compreensão da fé. Não é um documento de natureza jurídica, destinado a traçar uma conduta obrigatória e devida. Trata-se de um documento pastoral, que é fonte de inspiração para a caminhada da Igreja em nosso continente. Abre pistas, ilumina, denuncia e anuncia, e, sobretudo, incita à criatividade, ao prosseguimento.

Dentro de suas limitações e preocupação com a ortodoxia, reflete, no seu todo, dez anos de prática de uma Igreja que se definiu pela libertação dos pobres. Nesse sentido, não se pode esquecer de que Puebla é mais do que um documento, porque toda a sua preparação envolveu inclusive as bases. É tudo o que dessa Assembleia esperavam os pobres da América Latina, os agentes de pastoral, os profetas e os teólogos. Puebla é tudo isso que agora estamos realizando no plano prático e teórico com o incentivo do nosso Papa Francisco.

O documento usa o termo "pobre" no sentido bíblico de anawin: o curvado, o oprimido. O termo tem, na Bíblia, uma conotação político-social. Designa o escravo, o estrangeiro, o perseguido, o cativo. Não se trata, pois, do simples necessitado, mas do oprimido e explorado. Não designa apenas o indivíduo, mas a classe social explorada, a raça marginalizada, o grupo oprimido. Os números 31 a 49 do documento fazem um elenco dos pobres da América Latina: indígenas e afroamericanos, camponeses sem terra, operários, desempregados e subempregados marginalizados e aglomerados urbanos, jovens frustrados socialmente e desorientados, crianças golpeadas pelas pobreza, menores abandonados e carentes, a mulher. Em outros textos, o documento se refere ainda aos migrantes e às prostitutas.

Trata-se não da pobreza evangélica, mas, da antievangélica, que é sinônimo de exploração, de opressão, de situação desumana. Trata-se da pobreza de dimensão sócio-política, isto é, generalizada e estrutural. O documento é bem explícito: "Ao analisarmos mais a fundo tal situação, descobrimos que essa pobreza não é uma etapa transitória, e sim produto de situações e estruturas econômicas sociais e políticas que dão origem a esse estado de pobreza, embora haja também outras causas da miséria" .
Durante esse tempo de quase dez anos que estou à frente da Arquidiocese, tenho me preocupado muito com os irmãos desprezados da nossa sociedade. De fato, é a Igreja como todo que se volta às necessidades dos nossos irmãos, dando sentido a nossa caminhada e permitindo que Jesus caminhe conosco e nos incentive a cada dia vivermos o Evangelho em sua radicalidade que nos liberta e nos salva.

Precisamos compreender que cada ação concreta em favor do pobre nos conduz a uma sabedoria incomensurável, porque nos sentimos úteis na felicidade concreta pela caridade. Assim nos dizia a poetiza Cora Coralina: “O saber agente aprende com os mestres e com os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”. E o Apóstolo da caridade, São Vicente de Paulo nos deixou esse valioso testamento: “Os pobres são os nossos mestres e senhores”.

De fato, opção quer dizer decisão, tomada de partido. Entre opressores e oprimido, a Igreja toma o partido dos últimos. Trata-se de uma decisão política, pois os pobres são fruto de uma estrutura sócio-política opressora, ética e evangélica, pois, essa foi a opção de Jesus.

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