Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

27/06/2016 11h37

A Igreja da Misercórdia

  Tendo como base o primeiro livro escrito pelo Santo Padre o Papa Francisco, recordo o prefácio de Giuliano Virgini: “A Igreja de Francisco quer ser reconhecida, antes de qualquer outro aspecto, como a casa da misericórdia, que, no que diz respeito ao diálogo entre a fraqueza dos homens e a paciência de Deus, acolhe, acompanha e ajuda a encontrar a ‘boa notícia’ da grande esperança cristã”.

Misericórdia é um sentimento de compaixão, despertado pela desgraça ou pela miséria alheia. A expressão misericórdia tem origem nas palavras hebraicas “Récede” (qualidade que leva o homem a ser confiável) e “émet” (fidelidade). Daí compreendemos que Deus nos dá essa confiança e ao mesmo tempo nos faz dignos dela. Por isso que na raiz latina é formada pela junção de miserere (ter compaixão), e cordis (coração). "Ter compaixão do coração" significa ter capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente, aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, ser solidário com as pessoas. Como Deus confia no nosso amor, precisamos dar confiança ao amor dos irmãos.

Misericórdia! É uma exclamação usada quando nos deparamos com uma situação de desespero, de sofrimento. É também um grito de quem pede compaixão. Conceder misericórdia a alguém é perdoá-la pelo simples ato de bondade, apesar de o outro não merecer o perdão. O amor de Deus por nós é profundo e não falha. Ele segura sempre nossa mão e nos propicia uma confiança incondicional.
É do nosso conhecimento que o primeiro pronunciamento do Papa Francisco foi uma pregação dominical que durou alguns minutos. O novo papa a proferiu de improviso, do ambão da pequena Igreja paroquial de Santa Ana, dentro dos muros vaticanos: "A mensagem de Jesus é a misericórdia. Para mim, digo-o humildemente, é a mensagem mais forte do Senhor”.

O Papa Francisco comentou o trecho evangélico da adúltera, a mulher que os escribas e os fariseus gostariam de apedrejar como prescrito pela lei mosaica. Jesus salva a sua vida, pedindo que quem estivesse sem pecado atirasse a primeira pedra: todos foram embora. "Nem eu te condeno; vai, e de agora em diante não peques mais".

O pontífice, referindo-se aos escribas e fariseus que haviam arrastado a mulher para ser apedrejada diante do Nazareno, disse: "Também nós, às vezes, gostamos de agredir os outros, condenar os outros".

O primeiro e único passo pedido para experimentar a misericórdia, explicou o Papa, é reconhecer-se necessitado de misericórdia. "Jesus veio por nós, quando reconhecemos que somos pecadores". Basta não imitar aquele fariseu que, estando diante do altar, agradecia a Deus por não ser "como todos os outros homens". Se somos como esse fariseu, se nos acreditamos justos, "não conheceremos o coração do Senhor, e nunca teremos a alegria de sentir essa misericórdia!".

O mundo Pós-moderno em que vivemos nos acostuma cada vez menos a reconhecer as nossas responsabilidades e a nos encarregarmos delas: de fato, são sempre os outros. Os imorais são sempre os outros, as culpas são sempre de algum outro, nunca nossas. Mas, às vezes, vivemos também a experiência de um certo clericalismo de retorno tencionado apenas a "regularizar" as vidas das pessoas, através da imposição de pré-requisitos e proibições que sufocam a liberdade e pesam o já fatigante viver cotidiano. Pronto para condenar, em vez de acolher. Capaz de julgar, mas não de se inclinar sobre as misérias da humanidade.

O Papa Francisco em seu livro ressaltou o pensamento de um grande teólogo alemão, Romano Guardini que assim afirmou: “Deus responde a nossa fraqueza com a sua paciência e isso é o motivo da nossa confiança e esperança”.

Como Igreja da misericórdia, precisamos reconhecer que Deus nunca se cansa de acolher e perdoar, e como homens frágeis, precisamos do seu perdão. Teremos de vislumbrar o rosto de uma Igreja que não acusa as pessoas das suas fragilidades e das suas feridas, mas as cura com o remédio da misericórdia.

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