Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Voz da Igreja

Dom Antônio Muniz

02/05/2016 11h58

A Virgem Maria, Mãe de ou da Misericórdia

Desde a concepção Maria foi envolvida na infinita misericórdia de Deus Pai, pelo Filho e no Espirito Santo. Ela nos foi dada como Mãe, por seu filho Jesus, a própria misericórdia, e Ela nos ama também de modo misericordioso, especialmente os pecadores e sofredores.

Neste ano da misericórdia, recordar a devoção a Virgem Santíssima é na expressão de Santo Irineu: " Render graças ao PAI pelo mistério realizado em favor da humanidade". Nós nos aproximamos de Cristo pelo exemplo de Maria, que não hesitou em dizer "sim", permitindo o cumprimento do plano Divino da salvação.

Nós dedicamos este mês de maio à Virgem Maria. Pelo compromisso de sua vida doada, entendemos o valor missionário do seu “sim” a Deus. Esta resposta de amor nos é dada dia-a-dia quando verdadeiramente assumimos a nossa missão. Dessa forma, ecoa em nossos ouvidos a voz de Gabriel, quando em Nazaré da Galileia, anunciou: “Alegra-te, Ó cheia de Graça”, Maria não simplesmente se encheu da graça Divina, mas, consequentemente a transbordou para nos acolher como verdadeiros discípulos e ao mesmo tempo, missionários comprometidos com a fé.

São João Paulo II destacou na encíclica "'Dives in misericórdia". "Maria Santíssima é a pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina". Maria é a mulher, a mãe, que gerou a misericórdia divina na encarnação, graça única que a coloca numa relação com Deus, o "Pai das misericórdias".

As Escrituras não dizem que Jesus Ressuscitado apareceu à sua mãe, mas é possível supor, pois apareceu a vários não nomeados. Se apareceu a Maria não foi só para fortalecer sua fé. Em primeiro lugar, foi para premiá-la de plena alegria pela fé já testemunhada, especialmente na dor e no abandono da morte de cruz e do sepultamento. Ela sabia melhor do que todos os discípulos, ao guardar tudo no coração, que ele anunciara sua ressurreição ao terceiro dia. Por isso, esperava a hora de Deus, a realização da promessa de seu Filho, mesmo sem saber como. Em segundo lugar, se o Ressuscitado apareceu-lhe, foi para realizar a promessa e cessar a esperança. Aparecendo-lhe atesta o sentido pleno de sua maternidade: "Ele será chamado Filho de Deus" (Lucas 1, 35). De fato, o senhorio do Ressuscitado confirma e publica para sempre a maternidade divina.

Nossa Senhora foi plenamente obediente à vontade de Deus, mas esta vontade foi feita toda de amor e de misericórdia. Segundo o Papa Paulo VI: “Maria aderiu totalmente e livremente à vontade de Deus, recebeu a Palavra e a colocou em prática, Ela foi inspirada, na sua ação pela caridade e pelo espírito de serviço; em suma, foi a primeira e a mais perfeita discípula de Cristo”

A passagem de Jo 19,27, foi colocada no momento mais importante do Evangelho. Esta cena deve ter mais do que simples importância filial, isto é, o cuidado de Jesus por sua Mãe na hora de sua morte. Surge então a seguinte pergunta: o que esse incidente simboliza? Encontramos como resposta a imagem simbólica Joanina do nascimento da comunidade cristã. É a hora da glorificação de Jesus, sua elevação, e, quando Ele morre, entrega o espírito. Abaixo dele estão uma mulher e um discípulo, ambos inominados, como que para enfatizar seu caráter simbólico. A mulher pode significar a Igreja como Mãe e o discípulo amado todos os discípulos chamados a seguir a obediência extremosa do Senhor.

O Evangelista João apresenta Maria perto da cruz em um duplo papel: Como símbolo feminino da Mãe-Igreja, cuidando deles e sendo cuidada pelos discípulos de Jesus que se tornam seus filhos e, consequentemente, irmãos e irmãs. A relação com Jesus não é apenas individual; inclui uma comunidade, uma família. E como mulher da vitória, enfatizando a contribuição feminina para a salvação. A imagem negativa de Eva foi substituída pela da Ave Maria vivificante.
A palavra de Deus é em nossa missão e vida um verdadeiro instrumento de transformação. Como Maria acolheu o Verbo de Deus, queremos viver este acolhimento como Igreja, comunidade dos crentes, reunida em torno da fé.

A missão na Igreja é um verdadeiro anúncio, onde, como membros deste corpo místico, assumimos um lugar privilegiado. O convite que Deus nos faz é a certeza de que fomos, como a Virgem Santa, enviados para anunciar o Reino.

Com Maria partamos em missão. Na palavra de Dom Helder, “Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu. É parar de dar volta ao redor de nós mesmos, como se fôssemos o centro do mundo e da vida. É não se deixar bloquear nos problemas no pequeno mundo a que pertencemos: a humanidade é maior. Missão é sempre partir, mas não devorar quilômetros. É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E, se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então missão é partir até os confins do mundo”.
 

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