Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Notícias / Internacional

26/12/2014 22h02

Correspondente da Arquidiocese de Maceió em Roma fala sobre o Natal na Cidade Eterna

Pe. Elison Silva partilha a alegria decorrente das celebrações natalinas em Roma

Pe. Elison Silva
Pe. Elison Silva (Foto: Arquivo pessoal)

Quis a graça divina que eu estivesse aqui na Cidade Eterna, Roma, neste Santo Natal. Depois das alegrias que vivenciei na noite e no dia desta grande liturgia, quero partilhar com meus leitores amigos um pouco do que senti, vivi, rezei, pensei, sonhei, entendi... Minhas palavras desejam ser marcadas pela simplicidade e pela beleza que o mistério exige, com toda a sua autenticidade e a sua força, a fim de exprimir o que a encarnação de Jesus realiza na história humana: uma grande reviravolta no modo como experimentamos Deus.

1. A SAGRADA LITURGIA

Os cânticos, as preces, a universalidade da Palavra proclamada em diferentes línguas e o cântico das calendas recordam-nos a encarnação de Jesus como acontecimento histórico. Nesta noite, Deus irrompe com sua luz e entra na história humana. Assim os sinais da liturgia anunciam ao mundo o nascimento de Jesus segundo a natureza humana. A dignidade e a beleza da liturgia pontifical, rica em sua tradição marcantemente mistagógica, verdadeiro legado de séculos e séculos da nossa história cristã, da vida da Igreja – agora conduzida com suavidade, espírito de fé e de recolhimento pelo Papa Francisco, que sabe ser simples sem deixar de ser nobre, que sabe fazer compreender, nos seus gestos recolhidos e nas expressões de todo o seu ser, a sacralidade do que ele realiza na fidelidade Àquele que o escolheu –, fez-me reconhecer que a liturgia é um legado que não se inventa, é um legado ao qual não se pode trair.

2. A PALAVRA DO PAPA NA NOITE DE NATAL

Como sempre, o Papa Francisco nos surpreende com suas palavras que, na missa, possuem a eloquência de um verdadeiro pregador: coração de pastor, sabedoria como luz de Deus e autenticidade. Por isso, quero aqui repetir as palavras do santo Padre. No primeiro o quadro litúrgico, citando Isaías (9,1) e o Evangelho segundo São Lucas (2,9), recorda que o nascimento de Jesus é “luz que penetra e dissolve a mais densa escuridão”. É essa luz que cancela toda tristeza e restitui a alegria. Por esse motivo, o mundo precisa ainda hoje “contemplar o Menino grande luz, é Ele que ilumina o horizonte”. Por oposição, a luz nos faz lembrar das trevas. E, começando pela escuridão de Caim, o Papa nos lembrou da inveja, das guerras, da violência, do ódio e da prepotência que poderiam ter feito Deus desistir da humanidade. Mas, em meio a tudo isso, “a paciência de Deus” se sobressai, porque “Deus não conhece a explosão de ira nem a impaciência”.

Em meio às trevas humanas, surge um sinal de Deus: “a humildade levada ao extremo; é o amor com que Ele naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações”. Neste sinal, vislumbramos a proximidade de Deus como que a olhar para nós “com olhos de afeto, que aceita a nossa miséria. Deus enamorado da nossa pequenez”. Diante dessa misericordiosa-ternura, o Papa nos convida a refletir: “Deixo-me alcançar por Ele, deixo-me abraçar ou impeço-lhe de aproximar-se?” E exclama com um suspirar do coração em prece, recordando-nos que os cristãos não podem ser indiferentes a esta necessidade e que devem enfrentar tudo com bondade e mansidão: “O mundo precisa de ternura!”

O Papa Francisco conclui sua homilia fazendo-nos contemplar o presépio: como simples pastores, homens tão pequenos, livres das amarras do poder e da prepotência, estiveram tão dispostos a acolher o dom de Deus. “Não os arrogantes, os soberbos, aqueles que estabelecem leis segundo os próprios critérios, aqueles que assumem atitudes de fechamento”, esses não se mostraram dispostos a acolher o Menino. Por isso, com o Papa Francisco, ao contemplar no presépio aquela cena que os pastores contemplaram com seus próprios olhos, o Menino deitado em uma manjedoura e sua Mãe Santíssima acalentando-o, peçamos: “Ó Maria, mostrai-nos Jesus!”

3. BÊNÇÃO URBI ET ORBE

Ao meio-dia, neste 25 de dezembro, participei, na Praça de São Pedro, com uma multidão de mais de 80 mil fiéis do mundo inteiro, da tradicional bênção Urbi et Orbe e, mais uma vez, pude contemplar em Roma a universalidade da Igreja. Estar em Roma é estar no coração do mundo Cristão e escutar a banda pontifícia tocar o Hino do Vaticano me fez perceber a riqueza da tradição, que rememora mais de dois mil anos. “Ó Roma eterna, dos mártires, dos santos. Ó Roma eterna, acolhe os nossos cantos!”

Em suas palavras, o Papa Francisco, partindo da imagem do nascimento de Jesus e da imagem das pessoas simples, mas cheias de esperança que o acolheram, proclama: “Sim, irmãos, Jesus é a salvação para cada pessoa e para cada povo!” Com voz discreta e um coração de Pastor que ama e abraça o mundo inteiro, Francisco, como profeta, testemunha corajosa do amor de Deus denuncia a escuridão que grita pela luz do Menino Jesus e, como Pontífice, que nos une a Deus, reza, suplica, pede a Jesus, Salvador do mundo, que olhe para os nossos irmãos e irmãs que mais sofrem em todo o mundo todo – no Iraque e na Síria, no Oriente Médio, em geral; na Ucrânia e na Nigéria, na Líbia, no Sudão do Sul, na República Centro-Africana e nas várias regiões da República Democrática do Congo, no Paquistão, na Libéria, na Serra Leoa e na Guiné.

Disse ainda o Santo Padre, ao lembrar dos que, em todo o mundo, sofrem: “Ao mesmo tempo que do íntimo do coração agradeço àqueles que estão trabalhando corajosamente para assistir os doentes e os seus familiares, renovo um premente apelo a que sejam garantidas a assistência e as terapias necessárias. Jesus Menino, penso em todas as crianças assassinadas e maltratadas hoje. Verdadeiramente há tantas lágrimas neste Natal que se juntam às lágrimas de Jesus Menino!” Essas palavras tocaram o nosso coração, porque nos fazem pensar na nossa missão de Igreja e nos nossos desafios, fazem-nos pensar nas nossas atitudes de contratestemunho e de falta fé. Falta-nos Jesus! Em meio a tantas dificuldades, a Palavra recordada pelo Pontífice faz-nos querer a chegada do dia no qual, plenamente, “os nossos olhos contemplem a vossa salvação”.

Viver este dia de Natal, em Roma, fez-me sentir, com a Igreja e com aquele que a governa, o sonho de paz desejado pelo Emanuel, Deus conosco. Com o Pontífice, sonhei com um mundo diferente, rezei por uma Igreja diferente, cheia do Espírito de Deus. Por esse motivo, Igreja da paciência, da proximidade, da ternura. Termino, então, este dia agradecido a Deus por me fazer abraçar tudo isso com um coração sereno e pequeno, mas cheio de fé e de esperança.

A todos a quem, em Cristo, abraço, os meus sinceros desejos de paz e de alegria, a fim de que levemos a Luz de Cristo onde houver escuridão. Feliz Natal!

Em Roma, neste 25 de dezembro de 2014,
na Solenidade do Natal do Senhor.

1 Comentário
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Enviado por Fernando Silvio Pimentel às 22h46 do dia 26/12/2014

Meu nobre amigo Pe. Elisson, um forte abraço neste Natal. Deus o conserve e ilumine. Continue firme, rezando por nossa arquidiocese.

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