Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Notícias / Entrevistas

12/08/2011 10h05

Divaldo dos Santos fala sobre vocação

Jovem candidato ao sacerdócio realiza estágio pastoral na Arquidiocese de Maceió

Da Redação
Tags: Vocação
Divaldo dos Santos já foi instituído leitor e acólito da nossa Igreja

Mês de Agosto é dedicado às vocações, por isso, nosso Portal entrevistou Divaldo dos Santos, candidato ao sacerdócio que já terminou sua formação acadêmica e se encontra no período chamado de “estágio pastoral”, em nossa Arquidiocese. Divaldo reside e estagia na Paróquia N. Sra. Rosa Mística, em Mangabeiras, e nessa entrevista conta-nos sobre sua vocação e como ela se concretiza nas realidades atuais por ele vivenciadas.

Como você descobriu sua vocação?
Aos 17 anos. Mas antes disso tive muitos ideais em minha juventude, algo compreensível numa realidade juvenil. Entre tantas, exponho as que mais me envolvi nesse período, a saber: um profundo desejo ao serviço às forças armadas e a carreira no futebol, ambas incentivadas por meu pai. A primeira passou em minhas mãos. Havia no batalhão um grande amigo que fez de tudo para que eu ficasse no quartel, 59° Bitz. Quase me colocou à força, mas o meu desejo já não era o mesmo, então não quis. No futebol, o ímpeto foi em graus maiores, algo que me envolvia de tal modo que decidi investir nessa carreira. Passei por uma peneira, um teste em minha cidade, para disputar o campeonato no ‘SESI’. Como resultado disso fui chamado para jogar no CSA, e depois fui emprestado por um ano ao Corinthians Alagoano. Aos 17 anos larguei tudo e resolvi me dedicar aos estudos e à Igreja. Nesse contexto de desencontro, Deus foi ao meu encontro e nesse período comecei a participar assiduamente da Igreja no bairro. Fui aprovado no IF-AL, antigo CEFET, onde terminei o Ensino Médio e um Curso Técnico. Lá tinha e ainda tem um grupo de oração que ainda mais contribuiu para despertar minha vocação. Escola e Igreja eram o que mais me fascinava. Dava tudo em prol do melhor. Participei da Catequese, Grupo de Jovem, Legião de Maria e atribuições sociais que a comunidade propunha para os jovens, além da Missa dominical. Assim, paulatinamente aderindo aos projetos da Igreja começou minha vida vocacional. Contudo, só no ano 2000, tive o desejo de participar dos encontros vocacionais e fui amadurecendo essa vontade. Nos dois anos seguintes participei desses encontros, sendo aprovado. Mas, o tutor de minha vocação, além duma Paróquia de um dinamismo sem igual, foram as celebres frases de Dom Evaldo e Dom José Carlos, em suas visitas à minha cidade, Rio Largo. Dizia Dom Edivaldo: “Dai-nos Senhor os Padres que Alagoas precisa” e Dom José Carlos: “Dai-nos Senhor: Padres Santos, Sábios e Sadios”, e ainda, “É bom ser Padre”. Isso inquietava meu coração! Tal chamado, Cristo, era o maior tesouro que possuía “porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração”, como está em Mateus. Entre inúmeros fatores que a mim moveram, esses foram os mais fortes e reais encorajamentos de minha vocação.

Como você analisa este tempo de estágio pastoral?
É um período propicio para o seminarista. É o momento em que o candidato sai das ideias para os fatos reais; dos ensinamentos benéficos dos livros que já estão feitos para fazer o que os livros não podem fazer. O estágio é o grande salto que tanto amadurece a dimensão pastoral quanto vocacional. Não é mais ideia, mas realidade. É o memento real em que o candidato sai das idéias práticas para praticar as idéias. É sentir no hoje o que há de vir. É pensar nas soluções hoje para os fatos do amanhã ao invés dos fatos do hoje sem soluções. O estágio é o real período em que o candidato põe na realidade o que foi teórico. Consegue enxergar o que está adiante sem estar lá, não perdendo de vista as soluções nas diversas dimensões sacerdotal e pastoral.

Quais as maiores dificuldades encontradas?
Sair do seminário e vir para a paróquia não tive problemas, mas tirar o Seminário de mim, da minha vida, foi bem difícil. São duas perspectivas bem distintas com seus desafios em graus diversos. No seminário já encontramos tudo pronto, com suas normas e uma realidade regrada. No estágio pastoral você deve se regrar a uma realidade nova, pois nada se encontra pronto. Isso de início causou certas dificuldades e estranhezas. Chegou o ponto real do estágio: o aprendizado. Convivência com os paroquianos nos diversos movimentos e pastorais e no grau de administrador no âmbito financeiro, dentro e fora da paróquia. Portanto, a maior dificuldade é enxergar adiante mesmo estando antes.

Em sua caminhada vocacional, o que mais lhe marcou?
A Igreja. Realidade visível de Cristo entre nós e desencadeadora de minha vocação. Trocando em miúdos, minha amada comunidade, vila Minha Aldeia, tendo como seu padroeiro, o glorioso São Pedro, na paróquia Imaculada Conceição, em Rio Lago. Essa comunidade de fé que educou não só a mim, mas a tantos outros jovens que com seriedade viveram o que lá foi ensinado. Uma comunidade que não só anuncia a Cristo com os lábios, mas, sobretudo, com a felicidade estampada no rosto de cada irmão. Uma Igreja comprometedora com o Evangelho que reflete nos irmãos. Isso foi o que mais me marcou. Tenho saudades. A todos, minha profunda gratidão.

O que mais lhe chama a atenção no ministério sacerdotal?
O abandono de si e o amor a Deus e sua Igreja. “Quem não tem a Igreja por Mãe não tem Deus por Pai”, ensinava o Bispo São Cipriano de Cartago, no ano 249, no séc. III, no Norte de África. Aqui está a fascinação do ministério. A honra sacerdotal tem sua beleza no serviço obediente à Igreja no amor a Cristo. Obediência e amor, Igreja e Cristo, caminham juntos rompendo os tempos afora. Ministério sacerdotal é ‘esquecer de si’, amar a Deus, ser obediente à Igreja.

O que você diria para um jovem que pensa em ser padre?
Parabéns. Se buscas ser fiel a Cristo e à sua Igreja, tens sinal de vocação, e mais, “só um varão batizado recebe validamente a ordenação sagrada”, como está no Cân. 1024. Por esse ministério, terás a maior e a mais sublime responsabilidade em tua vida. Cultive essa semente em seu coração. Porém, ser Sacerdote é uma vocação que nasce no coração de Deus, transportada ao coração do homem. É a demonstração especial do amor de Deus a uma pessoa e a humanidade. Com e na Igreja, o Sacerdote é a ponte que faz adentrar o Céu na história, Deus em meio a nós. A maior graça do ministério do sacerdote é ‘trazer’ seu criador às criaturas. É deixar aparente Aquele que nunca se ausentou. Por fim, vocação se descobre rezando, visto que a oração é o caminho mais curto para chegar ao coração de Deus. Portanto, não é a oração mais longa que é a mais valiosa, mas a que é feita com amor.

Você já trabalhou na equipe vocacional do Seminário. Como você vê a realidade dos candidatos ao seminário?
Participar da equipe vocacional é um trabalho sem igual e, particularmente tive essa experiência. Essa tarefa tem dois pesos e duas medidas. A primeira, porque é um cargo de confiança que lhe é dado com direitos e deveres por parte dos formadores do Seminário. A segunda, porque você está contribuindo para a formação dos futuros sacerdotes da Arquidiocese. A equipe vocacional tem como objetivo, despertar nos jovens a dimensão sacerdotal e seu serviço na Igreja. Como também, cultivar nos corações dos jovens a semente que Deus plantou. Despertar e cultivar são duas realidades distintas, contanto congruentes, a saber: nos encontros vocacionais chegam jovens que não tem em si a vocação nascida ou despertada. É nesse momento que surge a importância da equipe vocacional, que juntamente com o jovem paulatinamente vai propondo vias que possam despertar em seu coração qual a vocação que Deus lhe deu. Por outro lado, chegam aos encontros jovens decididos, convictos no serviço sacerdotal. A ele se junta a equipe vocacional afim de que como caminheiros cultive em seu coração a semente que Deus lançou. A disparidade religiosa e educacional nas famílias no território arquidiocesano tem formações diversas. Por essa razão, os candidatos ao sacerdócio trazem consigo sua tradição familiar. Aqui, o grande desafio da equipe vocacional, é lidar em um único plano com o variado nível de cultura religiosa-familiar e escolaridade dos jovens. Mesmo assim, com esses emblemáticos contributos é possível observar que a realidade dos candidatos ao Seminário é positiva e tende a crescer em graus maiores, visto que o nível de escolaridade e religiosidade se agiganta.
 

6 Comentários
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Enviado por JOSÉ GILVAN LEITE DA SILVA às 01h07 do dia 03/02/2012

suas palavras min deu mais vontade mais coragem de participa das formação vocacional.

Enviado por JOSÉ GILVAN LEITE DA SILVA às 01h04 do dia 03/02/2012

Enviado por José Aparecido às 21h25 do dia 26/08/2011

Muito colocado Divaldo sua fala a respeito de tua vocação, pois, quantas vezes precisamos ouvir esses testemunhos de um Jovem decididamente entregue, penso que abandonado no mar que é, Deus, reze por mim teu irmão para quer Ele, encendei sempre mais o meu coração desse chamado que me foi feito e discernido contigo no período que fui avaliado por te naquele ano, que a Virgem toda Santa nos proteja nesse caminho rumo ao sacerdócio ministerial, consagrados ao Cristo Bom Pastor.

Enviado por Yolanda às 15h53 do dia 21/08/2011

Muito boa sua entrevista! Eu agradeço bastante por ter tido o privilégio de acompanhar seu estágio pastoral na paróquia de N.Srª das Dores. Parabéns

Enviado por Pe. Marcio Roberto às 23h35 do dia 12/08/2011

Deus confirme este compromisso de doação Divaldo. Sou feliz por seus trabalhos aqui na Paróquia Nossa Senhora Rosa Mística.Seu testemunho de vida renova em mim todo o elan vocacional de quando eu tinha sua idade. Deus te abençoe, caro amigo. Será uma alegria para mim ser seu irmão no sacerdócio, como atuamente sou pelo batismo.

Enviado por ginaldo alves pereira às 14h58 do dia 12/08/2011

muito bem divaldo! seu testemunho é um exemplo para nós.

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