Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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Notícias / Entrevistas

10/01/2013 11h08

Pe. Luiz Sampaio fala sobre sua experiência missionária na Amazônia

Sacerdote é recém-chegado à Arquidiocese e administra a Paróquia de Colônia Leopoldina

Diácono Rodrigo Rios

Quem é

Nome: Pe. Luiz Sampaio da Costa
Idade: 41 anos
Naturalidade: Moraújo-CE
Formação Acadêmica: Especialização em Espiritualidade e Vida Consagrada, no Instituto São Tomás de Aquino, em Buenos Aires.
Atividade: Administrador da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, em Colônia Leopoldina.

A Igreja, desde o seu início, assumiu o mandato missionário dado por Jesus Cristo de evangelizar a todos os povos. Atualmente, diversas pessoas se consagram a esta obra de missão como um verdadeiro projeto de vida, enfrentando realidades diversas para anunciar a Boa Nova. Nosso Portal entrevistou Pe. Luiz Sampaio que realizou uma experiência de missão durante oito anos. Recém-chegado à nossa Arquidiocese, o sacerdote explica como é esta realidade e o que mais lhe marcou durante este tempo de missionariedade.

Como foi sua experiência de missão?
Fiz uma experiência por oito anos na Amazônia e outra na Argentina, como chamamos, Ad Gentes, ou seja, Além Fronteiras. De cada localidade, aprendi algo diferente. Não fui ensinar, mas aprender. Tive dificuldades na Argentina, por conta da antipatia dos argentinos para com os brasileiros, como por exemplo, na questão desportiva. Nossa Igreja do Brasil, em termos de missão, é mais comprometida com a evangelização e a opção preferencial pelos pobres. Ela está à frente de outros países da América Latina neste aspecto. Fui para lá como estudante quando fiz uma especialização, e aproveitei para fazer uma experiência Além Fronteiras na Diocese de São Miguel. Isso me ajudou quando fui fazer missão na Amazônia, na questão da inculturação e no mortificar-se, fazendo renúncias.

Por que a Amazônia? Quais as maiores dificuldades vividas lá?
Fui para a Amazônia, porque, ao terminar a Teologia, coloquei no meu Projeto de Vida, ir para lá, após ter sido despertado para essa realidade no meu tempo de Seminário. Tive um convite feito por Dom José Afonso Ribeiro, da Prelazia de Borba. Conheci-o através de um retiro em Belo Horizonte e a partir daí conheci a realidade. Na Amazônia, há um atraso, por exemplo, na questão da comunicação. É tudo muito lento: transporte, Internet... deixando tudo muito a desejar. As maiores dificuldades para um missionário é na questão do clima, doenças, alimentação e cultura.

O senhor demorou a adaptar-se na Amazônia?
Não. Com três meses já estava adaptado. No início, a adaptação do clima foi mais difícil, por ser uma região tropical. Eu havia saído do frio da Argentina para o calor da Amazônia. Também demorei a me acostumar com as viagens longas de barco. Às vezes chegava a doze horas ininterruptas para fazer atendimentos nas comunidades ribeirinhas. No quesito da alimentação, é muito diferente. Tudo é à base do peixe e da farinha, da caça. Demorei muito a me adaptar nesse ponto.

Qual foi o alimento mais diferente que o senhor comeu?
Macaco. Foi muito estranho. O estômago não quis aceitar, mas tive que comer para não ofender os presentes.

Em relação a cultura, o que mais lhe impressionou?
A cultura indígena. Os índios têm muita dificuldade em entender os sacramentos. Por exemplo, muitos não querem se casar, pois acham que dá azar. Se uma criança nasce defeituosa, tem que morrer para não trazer azar para a comunidade. Tive que trabalhar a questão da conscientização.

Como foi ser padre com os índios?
Foi uma experiência enriquecedora. Algumas tribos têm até acesso a cursos superiores. Aprendi com eles a questão do cuidar da natureza, envolvendo mística e espiritualidade, além da cura através das plantas. O trabalho de inculturação foi o mais difícil. Não quis feri-los dentro dos seus princípios e em relação a sua própria cultura e crença. Alguns são abertos. Há muitos missionários de outras igrejas, inclusive vindas da América do Norte. Os indígenas têm medo de sermos mais um deles que estão ali para explorá-los.

O senhor chegou a passar alguma realidade de extrema privação?
Fome nunca passei, por que o povo ajuda muito. O que eles têm, partilham. Bananas, laranjas, abacaxis, tudo o que é produzido é partilhado com o padre.

E sobre a sustentabilidade financeira? Como acontece?
As dioceses que enviam os missionários ajudam financeiramente, além dos projetos de missão das várias dioceses e prelazias. Elas enviam para a localidade e ali é distribuído conforme as necessidades. Muitas dioceses se tornam “madrinhas” da missão.

Em relação à situação de pobreza, como foi lidar com esta realidade?
Há muita exploração sexual de menores. Tínhamos que fazer uma conscientização, pois há muitas famílias que sobrevivem disso, de um turismo nacional e internacional nesta área. Isso me chocou. As famílias tinham muita resistência, justamente por conta de ser uma forma de sobrevivência. Há muita droga, alto índice de tráfico. Outro desafio é a questão dos haitianos que estão invadindo Manaus. Eles vêm do Acre e entram ali para arrumar trabalho. Junto a isso, vieram muitos aidéticos, muita gente com febre amarela. A arquidiocese está desempenhando um papel muito bom de acolhida e reintegração social. Nas regiões ribeirinhas a pobreza é extrema. Há invasão dos madeireiros e conseqüentemente uma exploração da população. Há muito abandono do Governo.

O senhor pensa em algum dia voltar para a realidade de missão?
No momento não penso, pois aqui, por exemplo, também é uma realidade de missão.

Em quais aspectos?
Na questão da evangelização. Há muitas áreas que precisam ser evangelizadas. Admiro muito o trabalho de Dom Antônio em fazer da Arquidiocese uma Igreja Missionária e Samaritana.

Como o senhor analisa a iniciativa de missão em nossa Igreja do Brasil?
A Igreja tem avançado muito. Com o Ano da Fé, creio que daremos mais um salto. A nossa Igreja é muito missionária e profética, comprometida com esta causa. Nossa comunidade lá na Amazônia foi contemplada por um projeto da CNBB e compramos um transporte com esses recursos. A Igreja faz muitas campanhas em prol da missão.
 

2 Comentários
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Enviado por Zezinho e Zezinha às 22h18 do dia 10/01/2013

Que experiencia maravilhosa do nosso irmão em Cristo Pe. Luiz, que continue aqui na nossa Arquidiocese com esse vigor missionario.

Enviado por Ir. Tarcísio, OSB (Pe. José Eridan) às 12h30 do dia 10/01/2013

Com satisfação acabo de ler esta belíssima entrevista com o Pe. Luiz Sampaio, amigo particular e querido meu. O Pe. Luiz Sampaio passa-nos uma experiência magnífica de missão, através de palavras que revelam o seu olhar simples e sincero dirigido a Jesus. É assim, com este olhar missionário, que a nossa capacidade de conhecer, amar e crer em Jesus aumenta a nossa disponibilidade de ter um encontro com Deus e os irmãos. Se aceitarmos entrar em comunhão com Jesus, como fez o Pe. Luiz Sampaio vivendo na Amazônia, seremos merecedores de participar em todos os seus triunfos e sua glória no céu. Deus abençoe o Pe. Luiz Sampaio. Forte abraço.

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