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16/04/2018 03h42

A serviço da fé: conheça o caminho seguido por jovens vocacionados em Alagoas

Padre explica a formação sacerdotal; seminaristas revelam experiência religiosa Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Assunção FOTO: LUCAS ARAÚJO Uns acreditam que é dom divino. Outros, porém, preferem chamar de vocação

Lucas Araújo - Portal Gazetaweb
Fotos: Lucas Araújo / GazetaWEB

Uns acreditam que é dom divino. Outros, porém, preferem chamar de vocação religiosa. Ambas as afirmações nos remetem à figura do sacerdote, reconhecido pela igreja de Roma como o representante de Cristo na terra. O padre tem a missão de conduzir o povo de Deus no caminho para a salvação eterna. No âmbito religioso, o estado de Alagoas é composto por três regiões: Arquidiocese de Maceió, Diocese de Penedo e Diocese de Palmeira dos Índios. Para esta divisão, são levados em consideração fatores como, por exemplo, o tamanho territorial e a importância histórica de cada região.

Na Arquidiocese de Maceió, o corpo de líderes religiosos é formado por 123 padres, que estão divididos nas 96 paróquias da capital alagoana e em regiões adjacentes. Outras 9 áreas estão em processo de preparação para tornarem-se paróquias. Atualmente, 38 seminaristas se preparam para o sacerdócio em Maceió, no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Assunção. Após ordenação, os padres permanecem na região de formação para o exercício da missão pastoral, sendo encaminhados pelo arcebispo Dom Antônio Muniz Fernandes para suas respectivas paróquias.

Segundo o padre Severino, reitor do seminário, a vocação de jovens ao sacerdócio em Alagoas é uma constante, embora oscile em alguns momentos. Ele esclarece que as constantes transformações no mundo não interferem, necessariamente, na decisão do jovem em seguir a vida religiosa. "O sacerdócio é uma procura constante. Em alguns momentos aumenta, em outros diminui. A vocação sacerdotal é um dom concedido por Deus. E nós sempre precisamos atender ao chamado de Jesus Cristo, orando ao dono da messe para que ele nos envie operários para a sua messe", disse o reitor.

A formação sacerdotal é composta por três disciplinas: propedêutico, que é uma iniciação, e tem duração de um ano; filosofia, em três anos; e teologia, em quatro anos. Há, também, um período de dois anos de estágio, que acontece em alguma comunidade católica para adquirir experiência prática da formação recebida no seminário. A ordenação sacerdotal acontece após cerca de dez anos, quando o seminarista torna-se padre.

Além do Seminário Nossa Senhora da Assunção, em Maceió, Alagoas conta com o Seminário Menor São João XXIII, em Marechal Deodoro, Seminário São João Maria Vianney, em Palmeira dos Índios, e o Seminário Nossa Senhora Auxiliadora, da diocese da cidade de Penedo, que funciona em Arapiraca, no Agreste do estado.

Ainda segundo o padre Severino, o jovem precisa passar por um longo processo de discernimento. E aponta que um dos maiores desafios enfrentados por um padre recém-ordenado é a vida na comunidade, pois estará lidando com o novo de uma forma antes não vista. "Quando o jovem sente o chamado, que vem de Deus, ele é ajudado a ter discernimento através de encontros que chamamos de vocacionais. Neles, ele faz uma avaliação para entrar no seminário e seguir a missão que lhe foi proposta por Jesus Cristo. E o maior desafio é o novo cotidiano", revelou.

VOCAÇÃO

A vida religiosa exige escolhas decisivas. O cotidiano de um seminário de formação sacerdotal é regido por muita disciplina e normas a serem cumpridas. O seminarista tem um distanciamento da sua vida pessoal, vivida antes da entrada no seminário, como uma forma de renúncia do mundo para seguir o chamado recebido por Deus. A vocação ao sacerdócio é desenvolvida em um longo processo de decisão e doação.

O seminarista Leandro Lira, de 30 anos, que está no terceiro ano de filosofia, contou que o entendimento da sua vocação sacerdotal foi bastante complicado. Ele foi criado por uma família religiosa, estudou em um colégio católico, catequizado por freiras, e criado dentro dos valores cristãos. "Desde pequeno sentia o desejo de ser padre. Até brincada de celebrar missa. Nunca pensei em algo diferente, quando pensava no meu futuro sempre queria ser padre. Meu pensamento era de terminar o ensino médio e ingressar no seminário. Porém, não foi o que aconteceu", disse.

Leandro fez vestibular, cursou turismo e trabalhou durante seis anos na área. Fez especialização, e chegou até a exercer o cargo de diretor-executivo de uma empresa. Conquistou a independência financeira, adquiriu carro, casa e teve experiência com relacionamentos. Ele disse que tudo isso o distanciou do ideal de ser padre, mas nunca esqueceu por completo. "Percebia que não era um jovem feliz, realizado. Sentia um vazio, crise existencial. E nos momentos de oração, percebi que aquele vazio só poderia ser preenchido em Deus. O desejo do eterno só poderia ser preenchido com aquele que é eterno, o próprio Deus", contou.

Ele decidiu parar de lutar contra o chamado de Deus. Deixou tudo para trás, e falou com a família sobre seu desejo. Em 31 de dezembro de 2015 foi enviado ao seminário, e teve o apoio da família e da paróquia que frequentava. Uma música do padre Zezinho o tocou naquele dia e mudou a sua vida. "Por escutar uma voz que disse que faltava gente para semear, deixei meu lar e saí sorrindo e assobiando para não chorar. Fui me alistar entre os operários que largam tudo para te seguir, e fui lutar por um mundo novo. Não tenho lar, mas ganhei um povo", diz um trecho da música, que Leandro mencionou.

Felipe Melo, de 22 anos, é seminarista e cursa o segundo ano de teologia. Ele relatou que o seu ingresso no seminário se deu após participar de encontros vocacionais no próprio seminário. Hoje faz parte da equipe que promove esses encontros. Participou de apenas dois encontros e descobriu onde era o seu lugar. "Entrei no seminário com muita clareza da minha parte. É diferente estar fora dos muros do seminário e estar dentro. Não estou no seminário porque fui obrigado, estou por decisão própria".

O seminarista falou sobre o que mudou na sua vida após o seminário, buscando sempre ser obediente àquilo que escolheu para seguir. "Com a obediência que busquei, busco e pretendo sempre buscar, muita coisa mudou na minha vida. A maneira de me comportar, o jeito de falar, meu temperamento antes muito explosivo, tudo foi ponderado. Assim como o modo de me relacionar com as pessoas na comunidade. O seminário me edificou e continua me edificando muito", concluiu Felipe.

Miguel Neto, de 24 anos, seminarista do primeiro ano de teologia, revelou que tudo o que sabe lhe foi concedido por Deus, e que apenas confirma os planos designados por ele para o seu ministério. "A certeza que temos é a que, de algum modo misterioso, Nosso Senhor vai traçando os planos dele em nossas vidas e nós vamos apenas confirmando esse chamado. Os sinais nos são dados por ele, como qual caminho seguir, como encarar o evangelho e vivê-lo em nossa vida. Nas mãos de Deus, podemos ter confiança".

Ele explicou que não pode esperar para o futuro nada além do serviço ao povo de Deus. Pois é uma vida que se baseia na entrega e doação ao próximo. "Tenho a certeza de que em qualquer realidade que formos colocados, estaremos ali para servir aos fiéis. Levando a face e a presença do próprio Deus. Quando lá chegarmos, seremos o sinal de Deus para o povo ali reunido", afirmou Miguel 

* Matéria retirada do site Gazetaweb

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