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15/05/2017 16h26

Paróquia São José em Fernão Velho celebra 70 anos de criação

Centenas de fieis participaram da Solenidade

Fotos: Lucas Thaynan/Pascom Arquidiocese de Maceió
Fotos: Lucas Thaynan/Pascom Arquidiocese de Maceió

 “Fernão Velho possui todos os requisitos para a constituição de uma verdadeira paróquia. E isto urge, na situação atual, para favorecer e incrementar o seu já notável movimento religioso, facilitando a ação do zeloso sacerdote que, nessa povoação, exerce seu fecundo ministério junto aos operários”, dizia um trecho do decreto de criação da Paróquia de São José Operário, em Fernão Velho, Setor Lagoa da Arquidiocese de Maceió, escrito em 25 de fevereiro de 1947, e assinado pelo então Arcebispo Metropolitano, Dom Ranulfo da Silva Farias.

De lá para cá, se passaram 70 anos da criação da paróquia, que nascia em meio a uma vila operária situada em torno da antiga fábrica têxtil Carmem. Ao longo dessas sete décadas de história passaram pela paróquia dez padres, foram eles: Pe. Cabral; Pe. Salomão; Pe. Delfino; Pe. Estevão; Pe. Luiz Santos; Pe. Petrúcio Dario; Pe. Márcio Roberto; Pe. Luiz Calado; Pe. Tito Regis; e Pe. Marivaldo da Conceição – atual pároco.

Para celebrar esta data tão importante aos moradores de Fernão Velho e para toda a Maceió, a paróquia organizou uma festa realizada durante dez dias, de 22 de abril a 1º de maio, com o tema “Com São José e Maria aprendamos a viver a espiritualidade cristã na família”. A festividade foi iniciada com a Procissão da Bandeira, saindo da Comunidade Nossa Senhora de Fátima – ABC, vindo acompanhada com as imagens dos padroeiros das quatro comunidades da paróquia (Goiabeira, ABC, Loteamento e Rio Novo).

No último dia da festa, em 1º de maio, as atividades iniciaram cedo com a reza do Santo Ofício, seguida por um café da manhã compartilhado. Às 9h foi realizada a missa solene, celebrada pelo pároco Marivaldo da Conceição, em comemoração aos 70 anos da paróquia. Para fazer a homilia da celebração, foi convidado o padre Givaldo Rocha, de Santana do Mundaú, que durante sua pregação sintetizou como a Igreja instituiu o dia de São José em homenagem aos trabalhadores.

“É bem verdade que a festa de São José nós comemoramos no dia 19 de março, a solenidade propriamente dita. Porque São José entrou na história litúrgica a ser celebrado no dia 1º de maio? Muitas coisas temos a dizer, mas vou destacar algumas. 1º de maio já era comemorado pelas nações mundo afora como o Dia do Trabalhador, então o papa Pio XII, querendo dar um cunho, um timbre litúrgico e religioso a esta dimensão do trabalho então apresenta São José para o mundo católico como patrono do trabalhador”, destacou o padre.

Padre Givaldo também cita um trecho da bíblica para explicar a relação do trabalho com o castigo: “Nós sabemos, pelo relato do Livro do Genesis, que o pecado impôs para o homem a um castigo em forma de trabalho. Uma vez que o homem peca, então Deus disse ‘De hoje em diante terás que trabalhar’. Trabalhar custa, é fadigoso, no entanto essa espécie de castigo ou mesmo maldição que veio em nossas costas em consequência do pecado será justamente eliminado do modo como Deus quis. Devemos criar novos contornos para isto”.
Durante a celebração, dezenas de homens da paróquia, de todas as idades, entraram carregando cajados fazendo referência ao padroeiro São José. Na missa também foram homenageados todos os sacerdotes que passaram pela história da paróquia. E esteve presente o padre Luiz Calado, que recebeu presentes da comunidade.

“Meus pais nasceram aqui e hoje construí minha família em Fernão Velho, não saio daqui de jeito nenhum. Fico muito feliz porque tenho uma família engajada na igreja. E é lindo ver esse povo todo comemorando as graças de Deus”, exalta, com um largo sorriso no rosto, o fiel Jaime dos Santos, de 52 anos.

Ao final da Santa Missa, o pároco padre Marivaldo fez a inauguração de uma placa, localizada na parte interior da igreja, que marca o 70º aniversário da paróquia. No período da tarde, para encerrar as festividades, a comunidade participou da procissão, que percorreu ruas de Fernão Velho, ao som do Ministério Ozanam. Ao final foi feita uma bênção com o Santíssimo Sacramento.

CRESCEU COM A PARÓQUIA
Os pais trabalhavam na antiga fábrica Carmem, o que fez Maria José ir morar aos 7 anos em Fernão Velho. Hoje, com 72 anos de vida, conta que cresceu praticamente junto com a paróquia. “Graças a Deus, até hoje estou aqui. E gosto muito de trabalhar em prol da comunidade. Faço parte da Legião de Maria, sou vice-presidente da Cúria Mãe da Esperança. E também participei do Rosário e do Apostolado de Maria. Hoje sou ministra da eucaristia e me sinto muito feliz quando adoro Jesus Cristo”, destaca Maria José.

Ela conta que passou momentos difíceis, mas que Deus a queria ali ajudando e participando das atividades da paróquia. “Me casei na igreja de São José, morei um tempo no Tabuleiro, meu marido me abandonou e eu fui embora para São Paulo. Passeio por lá 4 anos, depois voltei porque Nossa Senhora me queria aqui para eu poder trabalhar para o filho dela”, relembra Maria que faz questão de falar que todos os seus filhos foram batizados na paróquia, e uma filha dela também se casou por lá.

DE SERGIPE PARA FERNÃO VELHO
Padre Marivaldo da Conceição, foi ordenado sacerdote em 1994, em Sergipe, onde nasceu. Há um ano recebeu a missão de estar à frente da paróquia de São José Operário. “Quando a gente vem a uma paróquia, a gente vem com aquela graça e com o coração aberto para acolher, para aprender e também para ensinar. Como eu já trabalhei em cidades grandes e pequenas não foi tão difícil a minha adaptação. A paróquia de Fernão Velho é bem diferenciada, porque o povo aqui tem uma grande tradição. E não somente isto, apesar de estar situada na capital tem um jeito todo especial de cidade do interior”, descreve o padre.

No entanto, o padre Marivaldo conta que sente falta de uma participação mais efetiva por parte dos mais jovens da comunidade, a criação de grupos de juventude é um dos objetivos no trabalho pastoral do sacerdote. “É um desafio a parte mais jovem se comprometer. Hoje a participação mais ativa são dos mais velhos. Em algumas comunidades temos alguns grupos de jovens, mas aqui na matriz ainda não temos e isso é um desafio muito grande de implantar e de acompanhar também”.

O padre explica que a paróquia completou os 70 anos em fevereiro, mas só agora que está celebrando, em virtude do período do Carnaval, e foi feito aproveito da festa do padroeiro para celebrar este marco.

CORAL SÃO PIO X
A cerca de 70 anos, Araci América dos Santos iniciou um trabalho que dura até os dias de hoje e que tem como missão levar a mensagem de cristo por meio da música. “Somos um coro fundado pela nossa irmã Araci, que há dez anos partiu para a glória, e em seguida a sua sobrinha Carla Regina passou a assumir, e depois eu fui conduzido a ficar à frente do grupo. Temos mais de 70 anos de existência”, conta o atual coordenador, José Carlos, de 31 anos.

“Para mim é muito gratificante porque jamais espera está à frente de um grupo de canto, até mesmo cantar. Então quando me foi dada esta missão, de continuar com aquilo que já vinha sido deixado pela dona Iraci, fiquei muito feliz, e ao mesmo tempo foi uma satisfação muito grande. Porque o coro não poderia deixar de existir por conta do falecimento da regente e fundadora. Então todos os componentes se reuniram e decidiram continuar com esta obra deixada por ela em nossa paróquia. Ao longo desse tempo, o coro tem uma importância muito grande dentro das celebrações litúrgicas em nossa paróquia”, destaca José Carlos.

Inicialmente o grupo de canto São Pio XX assumia as celebrações dominicais. Com o passar do tempo surgiram outros ministérios e outros grupos de canto. Assim, hoje a paróquia possui uma escala entre os grupos de canto. Um domingo a cada mês o coral fica responsável pela missa, como também nas solenidades realizadas pela Igreja. “Nós não somos cantores profissionais, mas nos consideramos cantores que querem levar por meio do canto a evangelização”, sintetiza o coordenador, José Carlos.

O grupo possui 20 componentes, com idades que variam entre 20 e 86 anos. Maria dos Prazeres, de 68 anos, conta que entrou para o coral quando ainda era jovem, aos 12 anos, e que até hoje se sente feliz em poder “cantar para Deus”. Quando perguntada o que ela mais tira de melhor no trabalho realizado dentro do coral, Maria dos Prazeres responde com um largo sorriso no rosto: “Não tá vendo o sorriso? Preciso falar mais alguma coisa?”.

Mora desde que nasceu em Fernão Velho, se aposentou na antiga fábrica têxtil Carmem, após 26 anos de trabalho. Seus 8 irmãos e pais também trabalhavam na fábrica. “Toda minha família trabalhava lá. Meu pai era de Marechal Deodoro mas minha mãe nasceu aqui também. Hoje vejo a tristeza de vê-la fechada”, conta.

Ao longo desses quase 60 anos em que faz parte do grupo de canto, Maria dos Prazeres diz que já viu muitas coisas acontecerem na paróquia, mas faz questão de destacar um acontecimento que lhe marcou muito: “É muito maravilho fazer parte do coral. Dá cansaço, mas é aquele cansaço agradável. Um momento que me marcou muito foi durante a passagem do padre Tito. Dia de hoje ele dava a missa do alto desta igreja matriz, na janela, para toda Fernão Velho. Era uma coisa linda. Me lembro de um momento muito interessante, quando o padre fazia uma adoração lá do alto e um beija-flor pousou no seu ombro”, relembra a jovem senhora com brilho nos olhos.

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