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Pe. Everaldo - Direito Canônico

07/03/2015 17h07

A Igreja católica vive uma crise

Uma grandiosa crise

"A Igreja católica vive uma crise”. Esta afirmação não é minha, nós estamos ouvindo esta afirmação por boa parte do episcopado mundial. A palavra crise vem do grego (krisis) traduzindo seria um momento de tomada de decisão. Porém, a palavra exige mais apurada reflexão: quando um homem vê que está vivendo no erro e que precisa reverter o seu caminho, exige dele uma tomada de decisão radical que vai de encontro àquilo que vive. Esta tomada de decisão pode ser de forma individual ou de forma coletiva, quando um grupo humano decide reagir a algo que o incomoda profundamente. A Igreja está em crise, pois dizem que ela está com medo de ser a mestra da verdade, mostrando ao mundo a verdade da doutrina católica que foi produzida por uma atenta leitura do Evangelho para adaptar-se aos novos moldais do mundo contemporâneo. Isto é, a Igreja está agindo não inspirado pela força do Evangelho, mas procurando adaptar-se às novas realidades sociais. Aquilo que é “politicamente possível”. Nós sabemos que no mundo da política convicção não existe. Quando um político de boa índole tenta criar uma lei que modificará uma nação trazendo bem-estar, para que este projeto seja aprovado é necessária muita negociação. Esta negociação exige muitas mudanças que desfiguram o projeto original. Na política o que vale é o consenso e não a verdade que alguém defende. A crise da Igreja seria o abandono dos princípios doutrinais da Igreja, para tentar um consenso com aquilo que a sociedade aceita e vive. No fundo, seria um abandono da radicalidade do Evangelho para uma flexibilidade doutrinal que seria aceita por todos sem levantar qualquer espécie de crítica. Nós sabemos que muitos fiéis estão abandonando a Igreja católica. Esse fato ocorre por vários motivos. O principal é que o ideal de vida proposto pelo cristianismo não inspira interesse da maioria da população. O mundo globalizado, o mundo da tecnologia, o mundo da pluralidade de opções está muito além daquilo que a Igreja vive. Fazendo uma pequena parábola: Enquanto o mundo caminha numa Ferrari a Igreja é movida por uma carroça. Em muitos países há muitas Igrejas e poucos fiéis participando. Além do fenômeno da globalização e da tecnologia há no mundo moderno o fenômeno do relativismo. Hoje se tornou odiosos aos homens princípios imutáveis, pois o mundo está em contínua transformação. E só ver a sociedade: o conceito de família está se transformando, o conceito de felicidade está se transformando, o conceito de alegria está se transformando etc. O que é uma realidade hoje não será mais daqui a alguns dias. Criou-se na consciência social a ideia de que tudo deve se adaptar, se transformar. O problema é que há uma pressão social fortíssima para que a Igreja abandone seus princípios e adapte-se às novas mudanças sociais. Não havendo eco a esta pressão a reação normal é o abandono da Igreja. Esta cosmovisão não fica fora da Igreja, está entrando nela de forma robusta. Hoje notamos que muitos bispos compartilham esta cosmovisão, há muitos sacerdotes que pensam da mesma forma e os novos quadros dos seminaristas aderem sem reflexão a esta noção de mundo. São João Paulo II já alertava para isso na encíclica “Veritatis Splendor”. Muitos bispos reclamam que se eles reagirem a esta onda relativista serão considerados reacionários e retrógrados, isto é, ficam isolados no episcopado e maquiavelicamente silenciados, esquecidos e abandonados. Por isso, muitos preferem o silêncio: o diabólico pecado a omissão. Muitos sacerdotes reagem a esta onda da seguinte forma: o ministério torna-se um bico de fim de semana: estão se profissionalizando (profissionais liberais) e abandonando o empenho ministerial, procurando acumular riqueza em profissões que não se harmonizam com a vida sacerdotal. E essa prática é tolerada silenciosamente, não há a mínima reação das autoridades eclesiásticas. Querer uma Igreja renovada é abandonar a verdade do Evangelho? Será que reconquistar o povo será relativizarmos os princípios imutáveis da Igreja Católica? Uma Igreja defensora da vida e a serviço da sociedade significa uma Igreja omissa que abandona o carisma profético? Que este momento de crise, se realmente ela existe, inspirado pelo Espírito Santo – que no fundo está no comando, esta é a minha fé - possa fazer renascer uma nova Igreja das catacumbas da história.
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