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Pe. Everaldo - Direito Canônico

18/08/2014 23h12

O Fanatismo Religioso

Atrocidades em nome da religião

Fanatismo religioso Côn. José Everaldo No dia 18 de abril de 2014 a irmã Raghid, ex-diretora da escola do patriarcado grego-católico de Damasco, denunciou na Rádio Vaticano que na Síria, pais em guerra civil, muitos cristãos que se recusaram a professar a fé muçulmana ou pagar resgate foram crucificados por jihadistas. Isso aconteceu em Abra, na zona industrial na periferia de Damasco. De acordo com a denúncia, depois da crucificação os jihadistas "pegaram as cabeças das vítimas e jogaram futebol com elas", e ainda levaram os bebês das mulheres e "os penduraram em árvores com os seus cordões umbilicais". Diante do horror dessa notícia estarrecedora pensei em escrever sobre o tema do fanatismo religioso, que não é um fenômeno do oriente, mas é um fenômeno que está muito próximo de nós. O fanatismo religioso é sempre irracional e infundado. É uma crença exagerada, uma adesão cega a uma visão de mundo ou unilateralidade doutrinal, de tal modo que o fanático identifica sua crença com a verdade absoluta e se sente como o dono da verdade. Pior, considera seu inimigo todos aqueles que não compartilham sua fé. O fanático explora o exótico, o extravagante, o mundo fora do comum. O fanatismo separa as pessoas, desprezando os outros como indignos hereges e infiéis. O Fanatismo Religioso leva o indivíduo as maiores atrocidades humanas. Pois, ele é intolerante, isto é, é clara a sua incapacidade de respeitar a liberdade de escolha do outro. Não podemos atirar pedras nos mulçumanos, pois no passado os cristãos foram capazes de atrocidades piores em nome de sua fé. Temos um passado sujo, pois as guerras santas foram estimuladas pelas lideranças católicas, o que não dizer da inquisição e das cruzadas? No passado foram os cristãos e no presente são os mulçumanos. Uma das acusações mais comuns feitas às religiões é que elas causam mais violência do que paz. Na música “Imagine” John Lenon afirma nas entrelinhas que o mundo seria um lugar melhor sem elas e suas rivalidades. No mundo da cultura racionalista cansei de ouvir a seguinte acusação: “A bíblia é o livro da discórdia e não da concórdia”. Não só a bíblia, mas outros livros sagrados como: o Bhagavad-Gita, Tri-Pitakas, Alcorão e Kitáb-i-Aqdas. Porém, se juntarmos cegamente todos esses livros todos, absolutamente todos, exaltam o amor, a fraternidade, o equilíbrio, a concórdia entre os homens. Chegamos a dura e crua realidade, as atrocidades provocadas pelos fanáticos religiosos não procedem dos ensinamentos religiosos, mas de mentes doentias que instrumentalizam os conceitos religiosos como meios de extravasar a selvageria de suas entranhas. Nenhuma religião ensina a matar, a espoliar, a denigrir a vida humana. O problema é a instrumentalização da religião, a hermenêutica que se faz ou as mais absurdas argumentações para justificar as atrocidades inclusive as religiosas. O fanático religioso é uma erva daninha, um câncer social que perverte o bem indelével da vida. De acordo com Diego Omar, professor de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto e membro do Núcleo de Estudos da Religião da instituição, os fanáticos são pessoas que se opõem a qualquer mudança na tradição religiosa da qual são seguidoras. “Existem fanáticos católicos, neopetencostais, islâmicos e muitos outros”. O que dizer do presidente George W. Bush que utilizou o poderio militar para atacar o Iraque usando como argumento um mandato divino? O que dizer do atirador de Realengo que entrou numa escola massacrando alguns professores e 22 alunos, sendo morto por policiais. Antes de partir para o massacre deixou uma carta na qual afirma que vozes do além pediam que ele realizasse tal atrocidade. Em todas as religiões um fanático é um perigo. Hoje vivemos um tempo de globalização da informação aqueles que se julgam donos da verdade ficarão esquecidos na história como homens desvinculados do tempo e incapazes de contemplar as contínuas mudanças de nosso mundo. Evitando o indiferentismo, temos que basear nossas convicções nas verdades indeléveis do Evangelho sem nos determos naquilo que é acidental e mutável. É nessa lógica que o papa Francisco, na maior das boas vontades, convoca um sínodo extraordinário para debater o tema da família e sua transformação nos tempos modernos. Creio que a Igreja não tem o direito de negar um sacramento a quem pede espontaneamente. Pois, baseados em meras interpretações doutrinárias, muitos membros da Igreja estão provocando mais dor do que alívio ás pessoas que os buscam para encontrar o rosto materno de seu Deus. Sem esta convicção o sectarismo, a intolerância e a incapacidade de diálogo será sempre tumores presentes na Igreja.. Que Deus nos livre desse mal e a humanidade se torne mais tolerante e fraterna.
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