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Pe. Everaldo - Direito Canônico

02/06/2014 16h08

Aquele que fazia refeição comigo foi o primeiro a me apunhalar

Bajulação

Todos que exercem alguma função de liderança seja política, seja na diversidade das instituições sociais ou mesmo numa instituição eclesiástica são cercados de bajuladores. O bajulador geralmente quer convencer alguém hierarquicamente superior que pode exercer um cargo de confiança e que tem condições de satisfazer todos os anseios e projetos de seu superior. E por isso, baseia o seu relacionamento com rasgados elogios, que muitas vezes não brotam de seu coração, são lavadas mentiras. A ambição do bajulador é chegar ao topo o mais rápido possível, sua ganância alimenta o ego e a vaidade do seu superior. O Superior torna-se cego diante das bajulações e cede com muita facilidade aos pedidos de postos e favores. François de La Rochefoucauld, Duque de La Rochefoucauld foi um moralista francês e príncipe de Marcillac e, mais tarde, duque de La Rochefoucauld. Afirmou certa vez que: “A bajulação é a moeda falsa que só circula por causa da vaidade humana”. De fato, quem gosta de ser bajulado é uma pessoa extremamente vaidosa, que gosta de ser paparicado e que alimenta uma rede de pessoas que nunca veem defeitos em suas decisões. O superior que cede a este capricho vive uma vida de ilusão, pensa que agrada a todos, que é aplaudido por todos, que é venerado por todos. Iludido e alimentado por sua coorte de bajuladores, toma atitudes autoritárias e irracionais julgando ser o detentor da verdade e o absoluto senhor da ética, com um olhar superior passa por cima de todos, sem notar que o poder é passageiro e o grupo de bajuladores um dia desaparecerá. A verdade é essa: “quem detém o poder passará como tudo neste mundo”. Aí ele verá que, de fato, foi cercado por víboras que só queriam seus favores e os lisonjeios se converterão em desprezo e negação. É o que aconteceu com Júlio César na escadaria do Senado de Roma, foi apunhalado até por um Senador que ele tinha como filho: Brutus. Daí a frase célebre: “Até tu Brutus!?, filho meu”. Uma verdade é certa: os esmagados pela tirania haverão de abandonar o seu superior que sempre os oprimiu e os bajuladores desaparecerão, pois para eles “quem não tem poder para nada vale”. O destino do Superior será o esquecimento e o ostracismo. Há uma frase fortíssima no livro dos Salmos: “Amigos e companheiros fogem de minha chaga, e meus parentes permanecem longe” (Sl 37,12). Por isso, devemos nos purificar da vaidade que nos deixa cegos e perceber o verdadeiro interesse de quem só vive nos elogiando. O verdadeiro amigo não só nos elogia aplaudindo todas as nossas decisões, o verdadeiro amigo também, com prudencia e caridade, sabe nos criticar e nos corrigir para que sejamos cada dia melhores. É o que nos diz o autor de provérbios: “O homem cercado de muitos amigos tem neles sua desgraça, mas existe um amigo mais unido que um irmão” (Pr 18,24). E esse verdadeiramente quer nosso bem, corrigindo nossas ações para que cresçamos. Tanto no ministério do Papa como dos bispos há esse risco de ser cercados de bajuladores. O código de direito canônico com muita sabedoria exorta: “O Bispo diocesano dedique especial solicitude aos presbíteros, a quem deve ouvir como auxiliares e conselheiros...” (Cân. 384). Ser auxiliar não significa vassalo, mas corresponsável de sua missão e como corresponsável deve manifestar o que é necessário para que a Igreja seja mais bela, como deseja Cristo. Quando uma autoridade só ouve “um ou dois” (os bajuladores do momento) e despreza os demais (que sofrem por não serem ouvidos) tudo o que se constrói um dia cairá, transformar-se-á em ruínas. Tudo deve ser construído em comunhão e solidariedade, para que os projetos sejam perenes. Diz uma lenda que, em tempos remotos, houve um padre conhecido como “o sábio da Giesteira”. A todos causava admiração a sua inteligência e sua pregação! Mas o que mais impressionava os que o conheciam era a capacidade de prevenir acontecimentos. Certa vez o velho sacerdote viu trabalhadores agrícolas batendo a palha do centeio e preveniu que choveria há uma hora, mas como estava ensolarado todos caçoaram do sacerdote e continuaram seu trabalho. De fato veio à chuva e todos perderam o centeio colhido. Outros fatos como esse ocorreram e a chacota dos arrogantes se tornou em respeito de todos. O respeito foi tanto que apelidaram o velho sacerdote de sábio da Giesteira (lugarejo nas serras de Portugal). E para terminar não devemos nos esquecer do que está escrito: “Guarda-te, pois, a ti mesmo: cuida de nunca esquecer o que viste com os teus olhos, e toma cuidado para que isso não saia jamais de teu coração, enquanto viveres; e ensina-o aos teus filhos, e aos filhos de teus filhos” (Dt 4,9).
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