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Pe. Everaldo - Direito Canônico

07/04/2014 16h52

O Pecado do autoritarismo

Autoritarismo

Por que tantas pessoas são autoritárias? O pior é que este pecado está presente na pessoa de muitos padres e bispos. É o que evidenciava o Padre João Mohana em seu livro “Padres e bispos autoanalisados”, Livraria Agir, 1967. Infelizmente os autoritários não reconhecem essa anomalia em seu caráter, julgam-se as pessoas mais democráticas do mundo. O autoritário toma atitudes de controle de tudo e de todos, atuando como um trator, passando por cima de pessoas, de sentimentos, acumulando atitudes de impaciência e irritação. São pessoas que não admitem erros. Vivem uma falsa humildade. No fundo são pessoas inseguras e fracas agindo com agressividade. É um distúrbio de caráter que o melhor analista muitas vezes é incapaz de resolver. Muitas pessoas se atrevem a dizer que é uma opressão ou assédio de um espírito maligno. Mas eu diria um distúrbio de personalidade. Disse Jesus: “Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra” (Mt 5, 5). Por trás destas Palavras Jesus quer nos ensinar algumas verdades: 1) os verdadeiros vitoriosos são os mansos, não os agressivos que machucam as pessoas injustamente; 2) a pessoa realmente forte é aquela que administra construtivamente suas emoções e não aquela que se deixa levar por elas, explodindo aqui e ali, pisando em cima dos outros, manipulando, controlando, dando uma de vítima; 3) uma pessoa pode ser ao mesmo tempo mansa, dócil, equilibrada e firme, decidida, empreendedora; 4) há um distúrbio de caráter em pessoas agressivas que entra no campo do orgulho, presunção, prepotência, ironia; 5) a mudança desses problemas é uma questão de decisão pessoal, ou seja, ninguém muda ninguém, somente a própria pessoa que percebe ter problemas de autoritarismo é que decide, escolher fazer algo para mudar, mas se ela permanecer na defesa, acusando tudo e todos pelo jeito de ser, e não admitir a verdade de seu problema comportamental, nem Deus dá jeito, porque ela estará fechada para a luz e para a verdade da sua necessidade de mudança. “Se a luz que há em você são trevas, quão grandes são estas trevas!” (Mt 6,9). O jeito de falar autoritário da pessoa explosiva é desagradável porque, a entonação da voz, o ar autoritário, o olhar esbugalhado passa uma ideia de desrespeito pelo outro. A intenção consciente pode não ser de desrespeitar nem de agredir, mas a mímica facial, a mensagem do corpo, o tom das palavras, a carga emotiva, podem funcionar como um tanque de guerra que vai arrastando tudo pela frente, não importando se o outro que está ali na frente é sensível, frágil, simpático, bondoso, ou não. Esta pessoa autoritária age como uma máquina, esquecendo-se, que está lidando com pessoas humanas que são “a imagem e a semelhança de Deus”. O fato é que o autoritário não tem sensibilidade humana, sua arrogância o cega. Um ar de prepotência o sufoca. Não se pode resolver problemas graves com autoritarismo. O autoritário atropela a realidade do outro com atitudes agressivas, insensíveis, imaturas e, muitas vezes, irresponsáveis. O chamado “temperamental” exagera no falar com uma carga emotiva forte demais, desrespeitosa, que pode ferir. Falta respeitar o outro evitando ferir a dignidade humana, que é ferida quando alguém agride verbalmente. No fundo o autoritário é uma pessoa frágil, dependente, insegura, compulsiva que tenta esconder sua fragilidade, dependência e insegurança através desta maneira agressiva de agir, de falar, de se dirigir a outro ser humano. A outra pessoa não tem culpa de suas inseguranças afetivas, nem do fato de que o temperamental pode ter tido uma infância com fortes modelos de agressividade comportamental ou que seus sofrimentos do passado a tenham produzido esta maneira agressiva de viver (para se defender). Para se defender, atacam. Ou, com medo de serem machucadas, reagem agressivamente. Pessoas assim, quando ameaçadas de ficarem sozinhas por quaisquer circunstâncias da vida, em geral (e há exceções), se sentem inseguras, e é quando podem mostrar seu lado dependente, frágil, inseguro. Aí pedem perdão, pedem desculpas, se é que fazem isto, mas já passou por cima do outro, já destratou demais, já produziu tanta dor, já criou afastamento. A pessoa autoritária geralmente não abre mão de seu jeito de ser para receber a mansidão. Ela pode ter se acostumado a funcionar assim. Os maiores santos da Igreja não conquistaram o mundo pela agressividade, mas pela mansidão e sua força de espírito jamais serão esquecidos. É preciso sempre se lembrar: Deus é bom, Deus é misericordioso e Deus é verdadeiro. São estas virtudes que o povo quer ver nos seus pastores. Dai-nos Senhor, os santos Pastores que tua Igreja precisa.
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