Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

Blogs

Pe. Everaldo - Direito Canônico

COLONIZAÇÃO IDEOLÓGICA NOS CINCO CONTINENTES Postado em 23 de Outubro de 2017 às 23:44
Debate sobre a ideologia de gênero
O Santo Padre, o papa Francisco, aos 27/08/2015 denuncia a “colonização ideológica”: "Na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina, na África, em alguns países da Ásia, existem verdadeiras colonizações ideológicas. E uma delas - digo-a claramente por 'nome e sobrenome' - é a ideologia de gênero (gender). Hoje às crianças - às crianças! na escola, ensina-se isto: o sexo, cada um pode escolhê-lo. E por que ensinam isto? Porque os livros são os das pessoas e instituições que lhes dão dinheiro" (Discurso aos Bispos da Polônia, 27.08.2015). A ideologia de gênero quer eliminar a ideia de que os seres humanos se dividem em dois sexos, afirmando que as diferenças entre homem e mulher não correspondem a uma natureza fixa, mas são produtos da cultura de um país, de uma época. Algo convencional, não natural, atribuído pela sociedade, de modo que cada um pode inventar-se a si mesmo e o seu sexo. Muitos autores preferem chamá-la de Ideologia da Ausência de Sexo, é uma crença segundo a qual os dois sexos — masculino e feminino — são considerados construções culturais e sociais, e que por isso os chamados “papéis de gênero” (que incluem a maternidade, na mulher e paternidade, no homem), são construções da sociedade “machista”, cujo objetivo é destruir a igualdade de todo o ser humano. Em outras palavras é fruto da cultura ocidental marcada pela influência judaido cristã. A religião judaico cristã é a culpada de impor aos seres humanos estes dois tipos de gênero – homem e mulher – e, a única forma de se libertar desta opressão é desconstruir o ideótipo dos dois gêneros e propor a sociedade uma pleno direito de escolha. A feminista norteamericana Gloria Steinem queixa-se da "falsa divisão da natureza humana em 'feminino' e em 'masculino' (sic). A escritora francesa Simone Beauvoir pensou a gravidez como “limitadora da autonomia feminina”, porque, alegadamente, “a gravidez cria laços biológicos entre a mulher e as crianças, e por isso, cria um papel de género”. Defende-se a ideia segundo a qual não existe apenas a mulher e o homem, mas que existem também “outros gêeros”; e que qualquer pessoa pode escolher um desses “outros gêneros”. A deputada holandesa KARTIKA TAMARA LIOTARD, propôs ao parlamento Europeu uma norma diretiva para todo o continente, para que em toda a Europa fossem proibidos a menção dos gêneros masculino e feminino, tanto nos meios de comunicação social como nos sistemas de educação. Aliás na Holanda já se legalizou a Eutanásia e está em vias de legalizar a pedofilia. Na Holanda já se fala de 38 gêneros: homossexuais, lésbicas, andrógenos, bi-gêneros, mulheres para homens e homens para mulheres, gênero-variáveis, gênero-queers (construção social), intersexuais, nenhum gênero, assexuais, não-binários, pan-gêneros e pansexuais, transmachos, transhomens, transfêmeas, trans-mulheres, transhumanos, transcompartilhados, transfemininos, transssexuais, interfêmeas, intermachos, interhomens, intermulheres, inter-humanos, intergêneros, intersexuais, duogêneros, andrógenos, hermafroditas, dois espíritos, três gêneros, quatrigêneros, travestis, crossgênero, gênero Nulo. Segundo a socióloga alemã Gabriele Kuby: “A Ideologia de Gênero é a mais radical rebelião contra Deus que é possível: o ser humano não aceita que é criado homem e mulher, e por isso diz: 'Eu decido! Esta é a minha liberdade!' — contra a experiência, contra a Natureza, contra a Razão, contra a ciência! É a perversão final do individualismo: rouba ao ser humano o que lhe resta da sua identidade, ou seja, o de ser homem ou mulher, depois de se ter perdido a fé, a família e a nação. É uma ideologia diabólica: embora toda a gente tenha uma noção intuitiva de que se trata de uma mentira, a Ideologia de Género pode capturar o senso-comum e tornar-se em uma ideologia dominante do nosso tempo.” Em Dezembro de 2012, o Papa Bento XVI referiu, num discurso à cúria romana, que o uso do termo “gênero” pressupõe uma “nova filosofia da sexualidade”: “De acordo com esta filosofia, o sexo já não é considerado um elemento dado pela Natureza e que o ser humano deve aceitar e estabelecer um sentido pessoal para a sua vida. Em vez disso, o sexo é considerado pela Ideologia de Gênero como um papel social escolhido pelo indivíduo, enquanto que no passado, o sexo era escolhido para nós pela sociedade. A profunda falsidade desta teoria e a tentativa de uma revolução antropológica que ela contém, são óbvias. As pessoas [que promovem a Ideologia de Gênero] colocam em causa a ideia segundo a qual têm uma natureza que lhes é dada pela identidade corporal que serve como um elemento definidor do ser humano. Elas negam a sua natureza e decidem que não é algo que lhes foi previamente dado, mas antes que é algo que elas próprias podem construir. A ideia bíblica da criação, a essência da criatura humana é a de ter sido criada homem e mulher. Esta dualidade é um aspecto essencial do que é o ser humano, como definido por Deus. Esta dualidade, entendida como algo previamente dado, é o que está a ser agora colocado em causa. Quando a liberdade para sermos criativos se transforma em uma liberdade para nos criarmos a nós próprios, então é o próprio Criador que é necessariamente negado e, em última análise, o ser humano é despojado da sua dignidade enquanto criatura de Deus que tem a Sua imagem no âmago do seu ser. A Ideologia de Gênero é uma moda muito negativa para a Humanidade, embora se disfarce com bons sentimentos e em nome de um alegado progresso, alegados direitos, ou em um alegado humanismo. Por isso, a Igreja Católica reafirma o seu assentimento em relação à dignidade e à beleza do matrimônio como uma expressão da aliança fiel e generosa entre uma mulher e um homem, e recusa e refuta as filosofias de gênero, porque a reciprocidade entre o homem e a mulher é a expressão da beleza da Natureza pretendida pelo Criador.” Em 2011, um documentário transmitido em rede nacional na Noruega abalou a credibilidade dos defensores da ideologia de gênero nos países da Escandinávia. A medida veio após a exibição, em 2010, do filme “Hjernevask” (“Lavagem Cerebral”), que questionava os fundamentos científicos dessas teorias – que, de fato, não passam de teorias sem comprovação empírica. Na Noruega, o documentário gerou intenso debate público sobre essa ideologia, que, mundo afora, Brasil incluso, vem sendo imposta de modo quase inquestionável por programas governamentais amparados em vasto respaldo midiático. A produção do sociólogo e ator Harald Eia, comediante e sociólogo noruegues, que contrapõe as afirmações dos defensores da teoria de gênero com outras de estudiosos das neurociências e da psicologia evolutiva. Enquanto os teóricos do gênero afirmam que não há fundamento biológico nas diferenças de comportamento entre homens e mulheres e que elas se devem meramente a construções sociais, os outros cientistas mostram resultados de testes empíricos que constatam diferenças inatas nas preferências e comportamentos de homens e mulheres. Os estudiosos das neurociências admitem que a cultura exerce influência nos comportamentos, mas demonstram que os genes são determinantes para algumas condutas. Já os teóricos do gênero afirmam que “não veem verdade” nas pesquisas dos neurocientistas, embora toda a base dos seus estudos de gênero seja apenas teórica e não empírica. No vídeo, a “filósofa do gênero” Catherine Egeland, uma das entrevistadas, chega a afirmar que “não se interessa nem um pouco” por esse tipo de ciência e que “é espantoso que as pessoas se interessem em pesquisar essas diferenças” (!) O Conselho Nórdico de Ministros, que inclui autoridades da Noruega, da Suécia, da Dinamarca, da Finlândia e da Islândia, determinou a suspensão dos financiamentos até então concedidos ao Instituto Nórdico de Gênero, entidade promotora de ideias ligadas às chamadas “teorias de gênero“. Este Instituto recebia por ano 56 milhões de Euros por ano, isto é cerca de 220 milhões de reais por ano para promover campanhas mundiais de dissiminação da ideologia de gênero. No documentário, Eia, com sua equipe de filmagem, faz algumas perguntas simples aos mais importantes pesquisadores sobre “Gênero” do NIKK. Depois, entrevista os mais importantes cientistas no Reino Unido e Inglaterra. Harald mostra a todos os cientistas as respostas fornecidas por seus colegas. Eia mostra em vídeo como as afirmações das autoridades nórdicas em Gênero, que orientam as dispendiosas políticas de igualdade, causam espanto na comunidade científica – principalmente porque fica explícito como os pesquisadores de gênero baseiam suas afirmações nas suas próprias teorias, sem fundamentação em pesquisa empírica. Harald então volta a Oslo e mostra as gravações aos pesquisadores do NIKK. Acontece que, diante de pesquisas científicas empíricas, os “Especialistas em Gênero” não conseguem defender suas teorias perante a dados reais. Após o vexame da exposição pública da farsa que são as pesquisas de gênero, as pessoas começaram a fazer perguntas. Afinal, são 56 milhões de euros do dinheiro dos impostos usados para patrocinar as “pesquisas” de ideólogos de gênero sem qualquer credenciamento científico exceto o fornecido por eles mesmos. O documentário é feito por algumas perguntas honestas, simples e objetivas, feitas por um sociólogo e comediante sinceramente interessado em desvendar o “Paradoxo da Igualdade de gênero”. Mas isso foi suficiente para mostrar que todo celebrado edifício da “Teoria de Gênero” não conta com alicerces, mas sim com a exploração da ingenuidade pública. Quiçá essa lição seja aprendida por mais pessoas em outros países, outros continentes e na ONU, onde essa ideologia é acalentada pela conveniência para os ocupantes dos gabinetes prestigiosos. O documentário completo de Harald Eia é intitulado de “hjernevask” (“Lavagem cerebral” em norueguês). A Criação de uma Sociedade de Pervertidos O grande risco da ideologia de gênero é a construção de uma sociedade de pervertidos. A perversão é um desvio de comportamento, popularmente, o termo é utilizado para indicar uma espécie de "depravação sexual. A perversão estrutura-se sobre uma vontade de transgredir a ordem natural das coisas, de perturbar a norma social. A pessoa perversa busca o prazer continuamente, tanto em seus comportamentos como em suas fantasias. Normalmente, este desvio de comportamento começa a se estruturar ainda na infância, se desenvolvendo na fase adulta. Os sintomas podem variar de acordo com o paciente. Normalmente, a pessoa perversa é manipuladora, impulsiva, sedutora e se sente superior. Mentiras e transgressão das normas fazem parte da rotina e não há sentimentos de culpa. Os perversos desejam poder e podem adotar práticas sexuais entendidas como "desvios". Antes de Freud estudar esse conceito, a palavra perversão era tida como algo pejorativo, doença, censura, como algo de desordem orgânica e anormal. A medicina da época tratou a perversão como uma forma de degeneração do sistema nervoso. A sexualidade era vista somente como modo de reprodução, portanto, toda manifestação sexual que não tivesse o objetivo de reprodução, era vista como patológica, já que colocaria em risco a preservação da espécie e a procriação. A partir de Freud (1905) a perversão adquire um aspecto diferente, tendo em vista que irá fazer parte da sexualidade infantil, que possui várias formas de obtenção de prazer. Após as ideias de Freud, Freud institui uma distinção entre as inversões e as perversões. Para buscar prazer o ser humano pode ser condicionado a perverter os padrões morais da sociedade. Tal situação começa com a chamada “angustia da castração”, isto é, quando alguém é bloqueado por alguém na obtenção do prazer e para se defender da repressão, o agente cria um mecanismo de desvio da “angustia da castração”. Isto é, para satisfazer seu desejo de obter prazer e aliviar a dor de sua angustia o agente cria um atalho que é a perversão. Freud trata da perversão como desvio da conduta sexual. Assim, toda criança, ao autossatisfazer-se sexualmente, poderia ser considerada perversa. O sujeito de estrutura perversa mantém-se, contudo, excluído do Complexo de Édipo e da alteridade, passando a satisfazer sua libido sexual consigo mesmo, sob caráter narcísico. Tal estrutura dá-se por meio de uma fixação num desejo irresistível e numa fixação compulsiva. Alguns exemplos que podemos destacar na nossa sociedade: Gravidez na adolescência: A região com mais filhos de mães adolescentes é o Nordeste (180.072 – 32%), seguido da região Sudeste (179.213 – 32%). A região Norte vem em terceiro lugar com 81.427 (14%) nascidos vivos de mães entre 10 e 19 anos, seguido da região Sul (62.475 – 11%) e Centro Oeste (43.342 – 8%). Hoje há um estímulo compulsivo a busca do sexo o mais rápido possível, na fase da adolescência e infância. Não há números oficiais do governo federal, dados da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo acusam que as ocorrências de sífilis por transmissão sexual cresceram 603% em seis anos. Em outros estados, o panorama não é menos preocupante. Em 2013 e 2014, Acre, Pernambuco e Paraná registraram crescimento de 96,1%, 94,4% e 63,1%, respectivamente. Os casos de grávidas com a infecção pularam para mais de 1000%. Há um estupro no Brasil a cada 11 minutos. Mais de 350 mil divórcios no Brasil. O alto índice dos Suicídios no Brasil, 11 mil pessoas em média tiraram a própria vida por ano. É a quarta maior causa de morte de brasileiros entre 15 e 29 anos, informam dados inéditos do Ministério da Saúde divulgados nesta quinta-feira (21). Entre 2011 e 2015, o número de suicídios cresceu 12%.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
O ABORTO NOS DOCUMENTOS DA iGREJA Postado em 09 de Janeiro de 2017 às 23:29
Doutrina e história

 

O ABORTO NOS DOCUMENTOS DA IGREJA CATÓLICA

 

A Igreja, nos seus documentos oficiais, é constante na condenação do aborto. O elemento central dessa argumentação é a defesa da vida, reiterada como um princípio absoluto, imutável e intangível. A existência de uma pessoa humana, sujeito de direitos, desde o primeiro momento da concepção é o pressuposto para se considerar a interrupção de uma gravidez como um ato homicida em qualquer momento da gestação e sob quaisquer condições. Assim, esses dois elementos – a sacralidade da vida humana e a condição de pessoa do embrião – fundam a condenação incondicional do aborto, integrando argumentos de ordem religiosa, moral e biológica.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
O diaconato feminino na Igreja Católica Postado em 20 de Maio de 2016 às 23:56
Uma nova perspectiva
O Diaconato Feminino na Igreja Católica No dia 12 de maio de 2016 o Papa Francisco afirmou que pode promover um estudo sobre o diaconato feminino na Igreja primitiva. Mencionou o tema durante a audiência com a União Internacional de Superioras Gerais (UISG) no Vaticano. O tema não é novo e foi proposto uma vez mais em tempos recentes. João Paulo II respondeu em 1994 à abertura anglicana com a carta “Ordinatio sacerdotalis” e negou categoricamente a possibilidade do sacerdócio feminino na Igreja Católica. E este documento deve ser entendido como uma definição “ex-cathedra”, isto é, infalível, como o exprimiu a Congregação para a doutrina da fé, no mesmo ano de 1994. O Cardeal Carlo Maria Martini foi quem falou da possibilidade de estudar a instrução do diaconato para as mulheres, que não menciona no documento papal. O então Arcebispo de Milão disse: “Na história da Igreja existiram as diaconisas, por isso podemos pensar nesta possibilidade”. Alguns historiadores da Igreja antiga sublinharam que as mulheres eram admitidas em um especial serviço diaconal da caridade que se diferencia do diaconato atual, entendido como o primeiro grau do sacerdócio. No encontro com o Papa foram trocadas perguntas e respostas, perguntaram ao Papa por que a Igreja exclui as mulheres para servir como diáconos. As religiosas explicaram ao Pontífice que as mulheres serviam como diaconisas na Igreja primitiva e lhe perguntaram: “Por que não constituímos uma comissão oficial que possa estudar a questão?”. O Pontífice respondeu que já havia falado alguma vez há alguns anos acerca deste tema “com um professor bom e sábio”, que tinha estudado o papel das diaconisas nos primeiros séculos da Igreja. Francisco havia explicado que ainda não estava claro o papel que tiveram tais diaconisas. “O que eram estes diaconatos femininos?”, recordou o Papa ter perguntado ao professor. “Havia ordenação ou não?”. “Era um pouco obscuro”, disse. “Qual era o papel da diaconisa naquele tempo?”; “Devemos constituir uma comissão oficial que possa estudar a questão?”, perguntou o Papa em voz alta. “Acredito que sim. Seria pelo bem da Igreja esclarecer este ponto. Estou de acordo. Falarei para que seja feito algo a respeito”. “Aceito”, disse o Papa em seguida. “Seria útil ter uma comissão que esclareça bem este assunto”. Segundo uma tradição antiquíssima, o diaconato estava relacionado “não ao sacerdócio, mas ao ministério”. Existem alguns testemunhos da história sobre a presença das diaconisas, tanto na Igreja ocidental como na oriental. Os testemunhos se referem também aos ritos litúrgicos de ordenação. O ponto que deveria ser aprofundado é que tipo de figura ministerial tinham, quais eram as funções que desenvolviam na comunidade. A posição do magistério considera o diaconato como o terceiro grau do sagramento da ordem e o reserva somente aos homens, assim como os dois graus sucessivos, o presbiterado e o episcopado. Ao estar de acordo em instituir uma comissão de estudo sobre o diaconato feminino na Igreja primitiva, o Papa Francisco quer verificar e ver como atualizar aquela forma de serviço, consciente de que as diaconisas permanentes podem representar “uma possibilidade atual”. No começo do cristianismo existia uma diaconia feminina (a qual menciona São Paulo) e foi documentado que no século III, na Síria, existiam as diaconisas que ajudavam ao sacerdote no batismo das mulheres. Um papel que se recolhe nas Constituições apostólicas do século IV, as quais se referem a um tipo de rito de consagração, entretanto este era distinto da diaconia masculina. Algumas formas de serviço de diaconia feminina foram institucionalizadas há certo tempo, por exemplo na diocese de Pádua (Itália) por iniciativa do então bispo Antonio Mattiazzo. Trata-se de mulheres que, apesar de não vestir hábito religioso, emitiam votos de obediência, pobreza e castidade. Elas se consagraram como “colaboradoras apostólicas diocesanas”. O papel e serviços desta nova forma de serviço se explicaram em seu tempo na diocese: “É uma forma de diaconia feminina inspirada no Evangelho. As colaboradoras apostólicas assumem a diaconia apostólica como projeto de vida acolhido, provado e orientado por parte do bispo”. Entre os serviços estão chamadas ao anúncio da Palavra, a educação na fé, as obras de caridade ao serviço dos pobres, a distribuição da comunhão, a animação da liturgia ou a gestão das estruturas como escolas e institutos. O Papa Francisco falou mais de uma vez a respeito da necessidade para a Igreja Católica de valorizar o papel da mulher, mas sempre evitou apresentar esta valorização como uma forma de “clericalizar” as mulheres. “É algo que não sei de onde saiu – disse em dezembro de 2013, na entrevista com ‘La Stampa’ devido a declarações sobre mulheres cardeais – as mulheres na Igreja devem estar valorizadas, não ‘clericalizadas’. Quem pensa em mulheres cardeais sofre um pouco de clericalismo”. Em setembro de 2001, o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratizinger, junto com os cardeais Medina Estévez, (Prefeito do Culto Divino) e Castrillón Hoyos (Prefeito para o Clero) assinaram uma breve carta, aprovada pelo Papa João Paulo II, por meio da qual afirmavam que “não é lícito pôr em ato iniciativas que em qualquer modo pretendam preparar candidatas à ordem sacerdotal”. O texto se referia à ordem diaconal como sacramento e primeiro grau do sacerdócio. Novos estudos sobre o diaconato feminino na igreja dos primeiros séculos, seu papel e deveres confrontados com o diaconato masculino, poderiam abrir novas possibilidades e novas formas de serviço consagrado além das ordens religiosas femininas já existentes. “A Igreja necessita que as mulheres entrem no processo de tomada de decisões. Também que possam guiar um departamento no Vaticano”, afirmou o Papa Francisco respondendo seis perguntas que lhe fizeram durante o encontro com 900 religiosas do mundo inteiro. Na Sala Nervi, explicou que “a Igreja deve incluir as consagradas e leigas na consulta, mas também nas decisões, porque necessitamos seu ponto de vista. E este papel crescente das mulheres na Igreja não é feminismo, mas corresponsabilidade e um direito de todos os batizados: homens e mulheres”. São Paulo e antigos documentos da Igreja referem-se a diaconisas. Eram mulheres de conduta irrepreensível chamadas a participar dos serviços que a Igreja prestava a pessoas do sexo feminino, principalmente por ocasião do Batismo (ministrado por imersão). Recebiam o seu ministério pela imposição das mãos do Bispo, que não conferia caráter sacramental. – Com a rarefação do Batismo de adultos, foi-se extinguindo a figura da diaconisa na Igreja a partir do século VI. Fundamentação bíblica É São Paulo quem se refere às diaconisas em três passagens: 1) Rm 16, 1: O Apóstolo está em Corinto, onde escreve uma carta que a diaconisa Febe da vizinha cidade de Cencréia deverá levar a Roma. Recomenda-a nestes termos: “Recomendo-vos Febe, nossa irmã, diaconisa da igreja de Cencréia, para que a recebais no Senhor de modo digno, como convém a santos e lhe assistais em tudo de que precisar, porque também ela ajudou a muitos, a mim inclusive”. O Apóstolo não fornece indicação alguma sobre o ministério diaconal de Febe. 2) 1Tm 3,11: “Também as mulheres devem ser respeitáveis, não maledicentes, sóbrias, fiéis em todas as coisas”. O contexto mostra que São Paulo não fala das mulheres em geral mas da categoria das diaconisas, que vêm a propósito na exortação dirigida aos diáconos Há quem prefira dizer que se trata aí das esposas dos diáconos – o que parece pouco provável, pois em tal caso o Apóstolo teria escrito: “As suas esposas…” 3) 1Tm 5, 9-11: “Uma mulher só será inscrita na categoria das viúvas com não menos de sessenta anos, se tiver sido esposa de um só marido, se tiver em seu favor o testemunho de suas boas obras, criado os filhos, sido hospitaleira, lavado os pés dos santos, socorrido os atribulados, aplicada a toda obra boa. Rejeita as viúvas mais jovens; quando os seus desejos se afastam do Cristo, querem casar-se, tornando-se censuráveis por terem rompido o seu primeiro compromisso”. Pergunta-se se tais viúvas eram diaconisas. A resposta mais provável distingue-as; ao lado das diaconisas (para as quais não havia limite de idade), estariam viúvas de boa conduta auxiliando a Igreja em funções diversas. Na tradição encontram-se as duas interpretações: ora viúvas e diaconisas são identificadas entre si, ora distintas umas das outras, sendo mais frequente esta última sentença. Lê-se nas Constituições Apostólicas VI 17, obra datada do século IV: “Seja assumida como diaconisa uma virgem pura ou ao menos uma viúva fiel honrada, que se tenha casado uma só vez”. Ao passo que a diaconisa é instituída pela imposição das mãos, tal gesto não se aplica às viúvas; cf. ibid. VIII 24. O apócrifo Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo também distingue as diaconisas das viúvas: estas recebem a bênção d Bispo e as incumbências de louvar a Deus nos sábados e domingos, nas festas da Epifania, da Páscoa e Pentecostes, instruir as catecúmenas, visitar as enfermas, ungir as mulheres por ocasião do seu Batismo. – Para as diaconisas, resta como principal função levar a S. Eucaristia aos enfermos. Tradição Apostólica O mais antigo testemunho é o de Plínio o Jovem, governador da Bitínia (Ásia Menor), que, tendo recebido a ordem de prender os cristãos em 112 escrevia ao imperador Trajano ter submetido à tortura duas cristãs honradas com o título de ministras (ministrae). Cinquenta anos mais tarde terá escrito o Papa Sotero (166-175) aos Bispos da Itália escreve: “Foi comunicado a esta Sé Apostólica que algumas mulheres consagradas a Deus e religiosas tomam a liberdade, nas vossas regiões, de tocar nos vasos sagrados e nas santas palas e de incensar o altar ao redor. Tal prática abusiva e digna de censura merece a rejeição de todo homem sábio. Consequentemente, no exercício da autoridade desta Santa Sé ordenamos que essas coisas sejam radicalmente supressas dentro de um prazo mínimo e, a fim de que não se repitam, mandamos que quanto antes sejam banidas das vossas províncias” (citado pelo pseudo-Isidoro, Coletânea de leis do século IV). O diaconato feminino era Sacramento? Para responder a tal pergunta, examinaremos a prece de investidura de uma diaconisa conforme as Constituições Apostólicas VIII 19s: “Bispo, tu lhe imporás as mãos com a assistência do presbítero, dos diáconos e das diaconisas e dirás: Deus eterno, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Criador do homem e da mulher, Vós que enchestes com vosso espírito Maria, Débora, Ana e Holda, Vós que não quisestes deixar de fazer que o vosso Filho único nascesse de uma mulher, Vós que no tabernáculo da Aliança e no templo estabelecestes mulheres como guardiãs de vossas santas portas, lançai agora um olhar sobre vossa serva que aqui está, destinada ao diaconato. Dai-lhe o Espírito Santo, purificai-a de toda mancha corporal e espiritual, a fim de que exerça dignamente o ofício que lhe será confiado, para a glória vossa e o louvor do vosso Cristo com o qual e com o Espírito Santo Vos seja dada toda honra e adoração, santamente pelos séculos sem fim”. Neste texto é importante a referência à imposição das mãos. Esta vem a ser um gesto polivalente, podendo significar transmissão de graça, de faculdades, de saúde, de bênção… ou a investidura de uma diaconisa; não tem valor sacramental neste caso, pois nunca na Liturgia e no Direito antigos a diaconisa foi equiparada ao diácono; a contrário sempre lhe foram vedadas as funções do diácono e do presbítero, apesar das investidas para exercê-las. Observa S. Epifânio (+ 403): “Se no Novo Testamento as mulheres fossem chamadas a exercer o sacerdócio ou algum outro ministério canônico, a Maria deveria ter sido confiado, em primeiro lugar, o ministério sacerdotal; Deus, porém, dispôs as coisas diversamente; não lhe conferiu nem mesmo a faculdade de batizar. Quanto à categoria das diaconisas, existente na Igreja, não foi destinada a cumprir funções sacerdotais ou outras similares. As diaconisas são chamadas a salvaguardar a decência que se impõem no tocante ao sexo feminino, seja cooperando na administração do sacramento do Batismo, seja examinando as mulheres afetadas por alguma enfermidade ou vítimas de violência, seja intervindo todas as vezes que se trate de descobrir o corpo de outras mulheres a fim de que o desnudamento não seja exposto aos olhares dos homens que executam as santas cerimônias, mas seja considerado unicamente pelo olhar das diaconisas” (Panarion LXXIX 3). Como se vê, S. Epifânio, representando a tradição, vê nas diaconisas auxiliares no trato pastoral das mulheres. Tal ministério fica portanto claramente distinto do ministério dos diáconos. Ademais é de notar: o próprio São Paulo estima e recomenda a diaconisa Febe (Rm 16, 1), mas não queria que a mulher falasse em público na igreja (o que é incompatível com o diaconato propriamente dito). Ver 1Cor 14, 34s: “Como acontece em todas as assembleias dos Santos estejam caladas as mulheres na Igreja, pois não lhes é permitido tomar a palavra. Devem ficar submissas como diz também a Lei. Se desejam instruir-se sobre algum ponto, interroguem os maridos em casa; não é conveniente que uma mulher fale nas assembleias”. São Paulo escreve isso num contexto matriarcal como Corinto, que tinha como padroeira a cidade a deusa grega Afrodite. São Paulo vai de encontro a cultura em que é o Pastor. Em 1Tm 2, 11s volta a advertência: “Durante a instrução a mulher conserve o silêncio com toda submissão. Não permito que a mulher ensine ou domine o homem”. Quem escreveu tais sentenças, não teria tolerado ver uma diaconisa pregar o Evangelho. Não há dúvida, as restrições feitas pelo Apóstolo às mulheres são a expressão de uma cultura já ultrapassada; hoje em dia não têm mais vigência; como quer que seja, contribuem para corroborar a interpretação que vê, antes do mais, nas diaconisas colaboradoras no serviço pastoral às mulheres. Nem por isto a mulher é menos apreciada do que o homem por parte da Igreja. Tenham-se em vista as palavras do Papa João Paulo II em sua Carta Apostólica sobre a Dignidade da Mulher nº 26s: “É de notar que Cristo só chamou homens para serem seus Apóstolos. Fazendo isto, o Senhor agiu de maneira livre e soberana; não se creia que Jesus, assim procedendo tenha apenas procurado conformar-se à mentalidade discriminatória dominante em sua época; Ele não fazia acepção de pessoas (cf. Mt 22, 16). Em consequência somente os doze Apóstolos receberam o mandato: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19; 1Cor 11, 24). Somente eles na tarde da Ressurreição receberam o Espírito Santo para perdoar os pecados (cf. Jô 20, 22s). Daí se pode deduzir que o sacramento da Ordem, que perpetua a ação redentora de Cristo mediante seus ministros, é destinado aos homens apenas, como aliás já observou a Congregação para a Doutrina da Fé na Declaração Inter Insigniores de 15/10/76. Em contra posição há uma posição revolucionária de Jesus em relação as mulheres de sua época. Ninguém, com sua vida e ensinamentos, impactou tanto a história de uma maneira tão intensa quanto Jesus. O que Ele ensinou e o que fez alterou o curso da história e dramaticamente mudou e continua mudando milhões de vidas ao redor do mundo. Seus ensinamentos têm afetado cada aspecto da vida – religião, educação, trabalho, ética, saúde, justiça social, desenvolvimento econômico e as muitas artes e ciências do viver humano. Uma faceta da missão de Jesus que é menos conhecida, mas digna de ser recapitulada, é Sua atitude para com as mulheres. Isto é particularmente importante à luz de como o mundo na época de Jesus tratava as mulheres. Romanos e gregos, judeus e gentios, davam às mulheres nada mais que a segunda classe, como se elas fossem prestativas ferramentas em uma sociedade de domínio machista – cozinhar, dar à luz e criar as crianças e desempenhar qualquer função que lhes estivesse designada dentro das paredes de sua casa. Casos individuais de liderança e valentia se destacam em vários lugares, mas muitas mulheres estavam sob o domínio dos homens. Elas eram consideradas uma propriedade, transferida de pai para marido. Em um mundo como aquele, Jesus veio e abriu novas perspectivas de igualdade e dignidade humanas. Ele se opôs às tradições e procurou direcionar os homens e as mulheres de volta ao plano original de Deus para a humanidade. As sinagogas do primeiro século mantêm registros somente de homens. Homens e meninos podiam entrar nas sinagogas para adorar, mas para as mulheres e meninas havia uma divisória separada onde era permitido que elas se sentassem. A tradição Judaica afirmava que as mulheres não tinham direito à salvação por seus próprios méritos. A única esperança de salvação era se unir a um devoto homem judeu. As prostitutas eram excluídas porque não tinham esse vínculo, e viúvas precisavam ter sido casadas com um judeu piedoso para ter esse privilégio. Na sociedade Judaica, um homem era proibido de falar com uma mulher em lugares públicos. Um rabino deveria ignorar uma mulher em público, mesmo se ela pacientemente persistisse em busca de algum urgente conselho espiritual. Em um enterro, as mulheres caminhavam à frente do caixão. Elas eram consideradas responsáveis pelo pecado e, por isso, encabeçavam a procissão, levando a culpa pelo que havia acontecido. Os homens, não se sentindo responsáveis, caminhavam atrás do corpo. As mulheres eram consideradas cerimonial e socialmente impuras durante seu período menstrual. Durante sua menstruação, elas eram isoladas. Até mesmo aos membros da família não era permitido chegar perto para não serem contaminados. Aos olhos da sociedade, o valor de uma mulher estava vinculado a sua habilidade de dar à luz. A esterilidade era um estigma social terrível. A responsabilidade da mulher era dar à luz bebês do sexo masculino que perpetuariam, desta maneira, o nome do pai. Era privilégio do homem iniciar um processo de divórcio, o qual ele podia exercer baseado em considerações que hoje parecem frívolas e dignas de riso. A palavra de uma mulher, num tribunal, precisava ser confirmada pelo menos por três homens, de outro modo, não tinha valor. Não era permitido à mulher entrar em uma sinagoga para estudar; era considerado perda de tempo. Não era permitido que as mulheres se aproximassem do Lugar Sagrado no templo. Na época de Jesus, havia um pátio no templo para as mulheres, localizado fora dos recintos reservados para sacerdotes e outros homens, e uns 15 degraus abaixo, que indicava a posição subordinada da mulher. É emblemático a oração de um Judeu: “Eu te louvo e agradeço Senhor Deus de Israel, por não ter nascido mulher...” Como se vê, a sociedade de Jesus é preconceituosa, machista e patriarcal, não dando nenhum espaço às mulheres (Joachim Jeremias. Jerusalén en Tiempos de Jesús: Estudio Económico y Social del Mundo del Nuevo Testamento. Madrid: Cristiandad, 1977. p. 97s). Jesus não começou uma revolução aberta contra o sistema que colocava as mulheres em uma posição subordinada. Todavia, Sua vida fez um manifesto. “Não encontramos em nenhuma de suas ações, seus sermões ou suas parábolas nenhuma depreciação referente às mulheres, tais como podemos facilmente encontrar em qualquer de seus contemporâneos.” (Marga Muñiz. Femenino Plural: Lãs Mujeres en la Exégesis Bíblica. Barcelona: Clie, 2000. p.183). Considere alguns exemplos de como Jesus relacionou-Se com as mulheres. Jesus convidou as mulheres para serem Suas discípulas. Contrariando as expectativas contemporâneas, Jesus deu as boas-vindas às mulheres em seu círculo íntimo de discipulado (Lc 8, 1-3). Esta atitude contradisse as especulações rabínicas. As mulheres que seguiram a Cristo desprezaram os postulados da época. Elas se tornaram cuidadosas administradoras de seus recursos e apoiaram a missão de Cristo em momentos críticos (Lc 8,13). “Uma coisa era as mulheres serem desobrigadas de aprender o Torah e proibidas de associar-se com um rabino, outra totalmente diferente era viajarem com um rabino e se responsabilizarem pelos assuntos financeiros” Elas fizeram isso, revolucionando os padrões da época (Alcion Westphal Wilson. “Los discípulos olvidados: La habilitación del amor vs. el amor al poder”, en Bienvenida a la mesap. Langley Park, Maryland: TEAMPress,1998. p.185). Jesus aceitou a hospitalidade das mulheres e ensinou-as. O mais importante exemplo é aquele da associação com Maria, Marta e Lázaro. O Mestre encontrou descanso e companheirismo na casa deles (Lc 10,38-42). Enquanto um rabino judeu quase não olhava para uma mulher, Jesus não hesitou em falar com Maria e Marta em público ou em ensinar-lhes as grandes verdades sobre a morte e ressurreição (Jo 11). Para Jesus, mulheres e homens eram igualmente importantes quando se tratava de ensinar sobre as boas-novas de Seu reino. Na época em que foi dito “é melhor queimar as palavras do Torah que confiá-las ao cuidado de uma mulher”, Jesus indicou que entre as escolhas abertas às mulheres, Maria “escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10,42). Desta forma, mostrou que a educação não era para ser um monopólio dos homens e que as mulheres também tinham o direito de aproveitarem as oportunidades para se educarem. Outro exemplo da atitude diferente de Jesus para com as mulheres foi a revelação de Sua Missão a uma mulher. Na mais longa conversa registrada nos Evangelhos, Jesus revelou à mulher no poço samaritano (Jo 4,4-42) algumas das mais profundas doutrinas do reino: a natureza do pecado, o significado da verdadeira adoração, a disponibilidade de perdão para aqueles que se arrependem, a igualdade de todos os seres humanos independentemente de serem judeus ou samaritanos. Assim, em uma simples conversa no poço samaritano, Jesus rompeu dois preconceitos: de gênero e de raça. Jesus reconheceu que à vista de Deus a família de Abraão inclui filhos e filhas. Ao curar a mulher incapacitada por 18 anos, Jesus colocou Suas mãos sobre ela e afetuosamente a definiu como “filha de Abraão” (Lc 13,10-17). Por usar esta designação, Jesus advertiu em público que as mulheres seguramente, tanto quanto os homens, herdam os direitos prometidos a Abraão, e à vista de Deus não há nem homem nem mulher. Em nenhuma parte da Bíblia está estabelecido que os homens têm vantagem sobre as mulheres em termos de acesso à salvação. Contrariamente às tradições rabínicas que ensinavam que as mulheres poderiam ser salvas somente pela união com um devoto homem judeu, Jesus convidou tanto homens quanto mulheres a se voltar para Deus e a aceitar o presente da salvação. Em outro caso, a defesa e o perdão de Cristo a uma mulher surpreendida em adultério revelaram que Sua definição de pecado e provisão para salvação estabelecia tratamento igual a todos. Quando alguns líderes religiosos trouxeram perante Ele uma mulher surpreendida em adultério, Cristo a defendeu. Ele sabia que os líderes judeus, ao fazer a acusação contra a mulher, estavam, eles mesmos, violando as leis de Moisés. A lei levítica estipulava que ambos, homem e mulher, deviam ser submetidos a julgamento em tais casos (Lv 20,10), mas os críticos de Jesus trouxeram apenas a mulher, e não os homens envolvidos no suposto ato. A lei também requeria pelo menos duas testemunhas (Dt 19,15), mas os fariseus não levaram nenhuma. A resposta de Cristo não somente deu à mulher acusada o benefício da lei, mas também mostrou aos presentes que Seu evangelho de perdão, baseado no arrependimento, estava aberto a todos. Assim Ele disse esta notável frase: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra” (Jo 8,7). Em outras palavras, Jesus disse aos homens: se vocês têm coragem de acusá-la, primeiro olhem para vocês mesmos em um espelho. Jesus permitiu a uma mulher pecadora ungi-Lo. Quando Jesus foi convidado para uma festa na casa de Simão em Betânia, uma mulher conhecida no povoado por sua má reputação lançou-se aos pés de Jesus e o ungiu. Aqueles que estavam reunidos na festa, incluindo Seus discípulos, condenaram o incidente. Como era possível uma mulher pecadora tocar os pés do Messias, ungi-Lo e secar Seus pés com seus cabelos? Uma ofensa absoluta às tradições religiosas! Os que estavam ao redor de Jesus não podiam entender, muito menos aceitar, o ato de uma mulher ou a atitude de Jesus em permitir que ela fizesse o que fez. Mas Jesus disse que a mulher ao ungi-Lo fez uma bonita ação, mostrando às gerações futuras que, como ela, todos os pecadores podem ter a certeza da salvação ao ir até o Salvador e colocar sua vida a Seus pés, em rendição (Mc 14,1-9; Lc 7,36-50). Jesus usou homens e mulheres para simbolizar os atos de resgate de Deus. Em Lc 15, Jesus contou três parábolas para ilustrar a profunda e eterna verdade da procura de Deus pela humanidade perdida. Ao passo que as parábolas da ovelha perdida e do filho pródigo ilustram a procura de Deus através de figuras masculinas, do cuidado do pastor e o amante pai, a parábola da moeda perdida revela a procura de Deus através da cuidadosa e persistente missão de uma mulher que não sossegou até encontrar a moeda e regozijar-se com seus amigos (Lc 15,8-10). Para os ouvidos legalistas daquela época isto deve ter soado herético. Jesus dignificou as mulheres como primeiras testemunhas do maior evento da história humana – Sua ressurreição. As tradições rabínicas consideravam as mulheres como mentirosas por natureza. Conceito que advinha da reação de Sara ao ser dito que ela teria uma criança (Gn 18,9-15). No modo de pensar deles, a negação e o riso de Sara caracterizavam-se como uma mentira diante de Deus que sempre diz a verdade. Assim, por causa dela, todas as mulheres descendentes eram consideradas mentirosas. Nenhuma mulher era aceita como testemunha. Todavia, Jesus rejeitou esta perversa tradição e escolheu mulheres como as primeiras testemunhas de Sua ressurreição (Mt 28,8-10), “constituindo-as não somente como as primeiras receptoras da mais importante mensagem do cristianismo, mas as primeiras a proclamá-la”. Jesus reprovou os discípulos por não crerem no testemunho daquelas mulheres (Mc 16,14) e desta maneira incentivou-os a rejeitarem os preconceitos do passado e caminharem à luz de Seu reino, no qual não há nem homem nem mulher. No relato bíblico da vida de Cristo “as mulheres nunca são discriminadas”. (Leonardo Boff. El Rostro Materno de Dios: Ensayo Interdiciplinar sobre lo Femenino y sus Formas Religiosas, Madri, Paulinas, 1988. p. 83. [Em português: O Rosto Materno de Deus. 9ª ed. Rio de Janeiro, Vozes, 2003). Não há nada que respalde a visão cultural e religiosa da Sua época que via a mulher como inferior. Pelo contrário, “a atitude e a mensagem de Jesus significaram uma ruptura com a dominante visão mundial”. Jesus “não identificou as mulheres em harmonia com as normas do sistema patriarcal de seu tempo nem tomou parte no sistema como era, por definição, repressivo para as mulheres”. Abertamente mas sem fanfarra, Jesus proferiu um golpe mortal na praga da tradição que negava dignidade às mulheres. Através de Seu exemplo e ensino, Jesus reclamou para Seu novo reino as bênçãos de Sua criação original, a igualdade dos dois gêneros à vista de Deus. Diante desta atitude revolucionária de Jesus, nos vem a pergunta: Por que Jesus não constitui Apostolas, mas só apostolos? Tal indagação ainda não respondida, leva a Igreja a não sentir-se confortável em ordenar mulheres. Há possibilidade Jurídica para se ordenar mulheres, no grau do diaconato? Quais as funções reservadas pelo direito aos diáconos na atual legislação da Igreja? E, uma mulher pode realiza-las? No início da Igreja os apóstolos criaram o diaconato para assistir os órfãos e as viúvas (At 6,1-10). Com o passar do tempo foi incluso à missão dos diáconos à mesa (caridade), Palavra (pregação/catequese) e o altar (ações litúrgicas). Na atual legislação os diáconos podem ser provisórios – destinados ao presbiterato – ou permanentes – homens já casados, com 35 anos no mínimo, que com a autorização de suas esposas, podem entrar no Estado Clerical. Os diáconos, na liturgia dominical lhes reserva a proclamação do Evangelho, auxiliar o sacerdote no altar, convidar a assembleia para o ósculo da paz e a despedida da assembleia no final da celebração eucarística. Podem ser convidados a proferirem pregações e/ou a homilia (cc. 764; 767 §1º), podem oficiar a celebração do batismo (c.861 §1º), são ministros ordinários da comunhão Eucarística (c. 910 §1º), podem expor e realizar a bênção solene da Eucaristia (c. 943), podem oficiar o matrimônio caso sejam delegados pelo Ordinário do Lugar e/ou o Pároco (c. 1108 §1º), celebrar exéquias eclesiásticas (c. 1168), celebrar bênçãos (c. 1169 §3º). Podem governar uma paróquia em determinadas circunstâncias (c. 517 §2º), devem rezar a liturgia das horas (c. 276 §2º), tem obrigações específicas (c. 288) e, caso tenham dedicação exclusiva à Igreja devem receber honesta remuneração (c. 281 §3º). Tais atribuições podem também ser concedida as mulheres na Igreja: pregações (c. 776), oficiar o batismo (c. 861 §2º), ministros da comunhão eucarística (c. 910 §2º), oficiar extraordinariamente o matrimônio, dentro dos limites expostos no cânon 1112, ser ministros das exéquias eclesiásticas (c. 1168), celebrar algumas bênçãos conforme o atual ritual de bênçãos. Podem também governar paróquias (c. 517 §2º). Portanto, na atual legislação da Igreja não há nada que impeça que uma mulher possa exercer todas as funções permitidas a um diácono. Além do mais podem ser diaconisas permanentes celibatárias ou casadas com a expressa autorização do marido, conforme a atual disciplina da Igreja. Não há do ponto de vista doutrinal, bíblico, jurídico, sociológico, filosófico nada que contradiga a constituição de mulheres ao ministério ordenado de mulheres no grau do diaconato. Pode ser, antes do que muita gente pensa que esse postulado seja consagrado pelo Papa Francisco.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
Padre Cícero Romão Batista Postado em 19 de Janeiro de 2016 às 03:38
Santo do Nordeste
O papa Francisco devolveu no dia 13/12/2015 os direitos sacerdotais de Padre Cícero Romão Batista. Padre Cícero tem, agora, o marco zero para sua reconsideração, beatificação e posterior santificação. O bispo diocesano de Crato, dom Fernando Panico, anunciou esta imensa alegria para todos os nordestinos. Enfim, após mais de cem anos de punição, a Igreja teve a coragem de reconhecer que estava errada e faz justiça ao padre santo do nordeste. O Vaticano enviou uma carta à Diocese de Crato e aos romeiros de Juazeiro do Norte, em nome do papa Francisco, reconhecendo a importância de Padre Cícero para a evangelização: "E inegável que o Padre Cícero Romão Batista no arco de sua existência viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e por isso mesmo desde o início foi compreendido e amado por este mesmo povo"' destaca trecho da carta do Vaticano. O processo de reabilitação demorou mais de dez anos. Foi enviado um dossiê de mais de dez volumes para o Vaticano ainda quando João Paulo II era papa. Passou São João Paulo II, passou Bento XVI e na era do papa Francisco o anuncio de jubilo e alegria para todos nós. Padre Cícero Romão Batista nasceu em Crato, Ceará, aos 24 de março de 1844, faleceu na cidade de Juazeiro do Norte aos 20 de julho de 1934. Era um homem Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará, devido ao seu estilo de vida simples e a disposição para o serviço dos pobres. Era filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, conhecida como dona Quinô. Ainda aos 6 anos, começou a estudar com o professor Rufino de Alcântara Montezuma. Um fato importante marcou a sua infância: o voto de castidade feito aos 12 anos, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales. Em 1860, foi matriculado no colégio do renomado padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras na Paraíba. Aí pouco demorou, pois a inesperada morte de seu pai, vítima de cólera em 1862, o obrigou a interromper os estudos e voltar para junto da mãe e das irmãs solteiras. A morte do pai, que era pequeno comerciante no Crato, trouxe sérias dificuldades financeiras à família de tal sorte que, mais tarde, em 1865, quando Cícero Romão Batista precisou ingressar no Seminário da Prainha, em Fortaleza, só o fez graças à ajuda de seu padrinho de crisma, o coronel Antônio Luís Alves Pequeno. Durante o período em que esteve no seminário, Cícero era considerado um aluno mediano e, apesar de anos depois arrebatar multidões com seus sermões, apresentou notas baixas nas disciplinas relacionadas à oratória e eloquência. Cícero foi ordenado padre no dia 30 de novembro de 1870. Após sua ordenação retornou ao Crato e, enquanto o bispo não lhe dava paróquia para administrar, ficou a ensinar latim no Colégio Padre Ibiapina, fundado e dirigido pelo professor José Joaquim Teles Marrocos, seu primo e grande amigo. No natal de 1871, convidado pelo professor Simeão Correia de Macedo, o padre Cícero visitou pela primeira vez o povoado de Juazeiro (numa fazenda localizada na povoação de Juazeiro, então pertencente à cidade do Crato), e ali celebrou a tradicional missa do galo. O padre visitante, então aos 28 anos, estatura baixa, pele branca, cabelos louros, penetrantes olhos azuis e voz modulada, impressionou os habitantes do lugar. E a recíproca foi verdadeira. Por isso, decorridos alguns meses, exatamente no dia 11 de abril de 1872, lá estava de volta, com bagagem e família, para fixar residência definitiva no Juazeiro. Muitos livros afirmam que Padre Cícero resolveu fixar morada em Juazeiro devido a um sonho (ou visão) que teve, segundo o qual, certa vez, ao anoitecer de um dia exaustivo, após ter passado horas a fio a confessar as pessoas do arraial, ele procurou descansar no quarto contíguo à sala de aulas da escolinha, onde improvisaram seu alojamento, quando caiu no sono e a visão que mudaria seu destino se revelou. Ele viu, conforme relataram aos amigos íntimos, Jesus Cristo e os doze apóstolos sentados à mesa, numa disposição que lembra a última Ceia, de Leonardo da Vinci. De repente, adentra ao local uma multidão de pessoas carregando seus parcos pertences em pequenas trouxas, a exemplo dos retirantes nordestinos. Cristo, virando-se para os famintos, falou da sua decepção com a humanidade, mas disse estar disposto ainda a fazer um último sacrifício para salvar o mundo. Porém, se os homens não se arrependessem depressa, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele momento, Ele apontou para os pobres e, voltando-se inesperadamente ordenou: - E você, Padre Cícero, tome conta deles! Uma vez instalado, formado por um pequeno aglomerado de casas de taipa e uma capelinha erigida pelo primeiro capelão-padre Pedro Ribeiro de Carvalho, em honra a Nossa Senhora das Dores, padroeira do lugar, ele tratou inicialmente de melhorar o aspecto da capelinha, adquirindo várias imagens com as esmolas dadas pelos fiéis. Depois, tocado pelo ardente desejo de conquistar o povo que lhe fora confiado por Deus, desenvolveu intenso trabalho pastoral com pregação, conselhos e visitas domiciliares, como nunca se tinha visto na região. Dessa maneira, rapidamente ganhou a simpatia dos habitantes, passando a exercer grande liderança na comunidade. Paralelamente, agindo com muita austeridade, cuidou de moralizar os costumes da população, acabando pessoalmente com os excessos de bebedeira e com a prostituição. Restaurada a harmonia, o povoado experimentou, então, os passos de crescimento, atraindo gente da vizinhança curiosa por conhecer o novo capelão. Para auxiliá-lo no trabalho pastoral, o padre Cícero resolveu, a exemplo do que fizera Padre Ibiapina, famoso missionário nordestino falecido em 1883, recrutar mulheres solteiras e viúvas para a organização de uma irmandade leiga, formada por beatas, sob sua inteira autoridade. Atuou sempre com zelo na recepção dos peregrinos, dentre eles pode-se destacar José Lourenço Gomes da Silva, líder do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto. No ano de 1889, durante uma missa celebrada pelo padre Cícero, a hóstia ministrada pelo sacerdote à beata Maria de Araújo se transformou em sangue na boca da beata. Segundo relatos, tal fenômeno se repetiu diversas vezes durante cerca de dois anos. Rapidamente espalhou-se a notícia de que acontecera um milagre em Juazeiro. O povoado de Juazeiro do Norte passou a ser alvo de peregrinação, pois a multidão queria ver a beata e tratava os panos manchados de sangue como objetos divinos. O jornalista José Marrocos divulgou o fato ocorrido e se tornou um ardoroso defensor do milagre. A notícia rapidamente se espalhou para todo o Brasil, principalmente aos ouvidos do bispo do Rio de Janeiro dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, mais conhecido como Cardeal Arcoverde primeiro a ser elevado ao título e dignidade de cardeal na América Latina. O cardeal Arcoverde enviou cartas ao bispo do Ceará D. Joaquim José Vieira, que o encarregou de destruir esta notícia de milagre do sertão do Cariri. Na opinião do Cardeal era apenas uma crendice tola, na sua cabeça jamais poderia haver um milagre na região, principalmente numa beata negra e ignorante. Tais cartas, fizeram o bispo do Ceará a chamar o Padre Cícero a Fortaleza para esclarecer o acontecido. Depois do relato do Padre Cícero a diocese do Ceatrá formou uma comissão de padres e profissionais da área da saúde para investigar o suposto milagre. A comissão tinha como presidente o padre Clycério da Costa e como secretário o padre Francisco Ferreira Antero, contava, ainda, com a participação dos médicos Marcos Rodrigues Madeira e Ildefonso Correia Lima, além do farmacêutico Joaquim Secundo Chaves. Em 13 de outubro de 1891, a comissão encerrou as pesquisas e chegou à conclusão de que não havia explicação natural para os fatos ocorridos, sendo concluído como um milagre. Insatisfeito com o parecer da comissão, o bispo do Ceará – só havia uma diocese em todo o Ceará na época - Dom Joaquim José Vieira nomeou uma nova comissão para investigar o caso, tendo como presidente o padre Alexandrino de Alencar e como secretário o padre Manoel Cândido. A segunda comissão concluiu que não houve milagre, mas sim uma mentira. Dom Joaquim se posicionou favorável ao segundo parecer e, com base nele, suspendeu as ordens sacerdotais de padre Cícero e determinou que a beata Maria de Araújo, que viria a morrer em 1914, fosse enclausurada. Depois de várias tentativas de convencer o bispo da injusta punição, em 1898, padre Cícero foi a Roma, onde se reuniu com o Papa Leão XIII e com membros da Congregação do Santo Ofício, conseguindo sua absolvição. No entanto, ao retornar a Juazeiro, a decisão do Vaticano foi revista e padre Cícero teria sido excomungado, porém, estudos realizados décadas depois sugerem que a excomunhão não chegou a ser aplicada de fato. O bispo de então, dom Marcolino escreveu uma carta ao Santo Ofício, pedindo que a pena fosse convertida em suspensão de ordens. Diante da impossibilidade de exercer seu ministério sacerdotal e com uma ânsia enorme de servir o povo nordestino, resolve ingressar no mundo da política, para trazer prosperidade a sua querida cidade Juazeiro. Era filiado ao extinto Partido Republicano Conservador (PRC). Foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, em 1911, quando o povoado foi elevado a cidade. Em 1926 foi eleito deputado federal, porém não chegou a assumir o cargo. Decidiu nunca sair de Juazeiro e de seu querido povo. Em 4 de outubro de 1911, o padre Cícero e outros 16 líderes políticos da região se reuniram em Juazeiro e firmaram um acordo de cooperação mútua bem como o compromisso de apoiar o governador Antônio Pinto Nogueira Accioly. O encontro recebeu a alcunha de Pacto dos Coronéis, sendo apontado como uma importante passagem na história do coronelismo brasileiro. Antônio Pinto Nogueira Accioly foi presidente do Ceará (hoje governador) e um dos mais influentes políticos do Ceará durante a República Velha. O oligarca governou o Ceará entre 1896 e 1912 com apoio do governo federal. Em 1911, a oligarquia Accioly dava sinais de declínio e as constantes disputas internas enfraqueciam ainda mais o bloco coronelista. Então, a 4 de outubro de 1911, líderes políticos de 17 localidades do Interior cearense se reuniram em Juazeiro para firmar pacto de harmonia entre si e apoio incondicional a Nogueira Accioly. O chamado "Pacto dos Coronéis" tinha também como objetivo acabar com a onda de crimes praticados impunemente na região. O jornalista e escritor Lira Neto, autor do livro "Padre Cícero, Poder, Fé e Guerra no Sertão", afirma que, na época, os coronéis viviam se digladiando entre si. O encontro foi aberto pelo coronel Antônio Joaquim de Santana, chefe político de Missão Velha que, segundo Lira Neto, "manejava as cordas da viola tão bem quanto o gatilho da garrucha". A presidência da sessão foi repassada para o Padre Cícero Romão Batista, então prefeito de Juazeiro do Norte. Estiveram presentes na reunião e assinaram o pacto, que foi posteriormente registrado em cartório, os líderes políticos de Missão Velha, Crato, Juazeiro, Araripe, Jardim, Santana do Cariri, Assaré, Várzea Alegre, Campos Sales, São Pedro do Cariri (Caririaçu), Aurora, Milagres, Porteiras, Lavras da Mangabeira, Barbalha, Quixará (Farias Brito) e Brejo Santo. Em 1913, foi destituído do cargo pelo governador Marcos Franco Rabelo, voltando ao poder em 1914, quando Franco Rabelo foi deposto no evento que ficou conhecido como Sedição de Juazeiro. A Revolta ou Sedição de Juazeiro foi um confronto ocorrido em 1914 entre as oligarquias cearenses e o governo federal provocado pela interferência do poder central na política estadual nas primeiras décadas do século XX. Sob a liderança de Floro Bartolomeu e do padre Cícero Romão Batista, um exército de jagunços derrotou as forças do governo federal, depondo Franco Rabelo. Após a revolta, padre Cícero sofreu retaliações políticas, permaneceu como eminência parda da política cearense por mais de uma década e não perdeu sua influência sobre a população camponesa. Com o intuito de conter seus opositores, o presidente Hermes da Fonseca criou a política das salvações que consistia em promover intervenção federal nos estados evitando que oposicionistas fossem eleitos para o governo estadual. O marechal Hermes da Fonseca decidiu intervir no estado do Ceará com objetivo de neutralizar o poder das oligarquias mais poderosas da região, que estavam sob controle do senador gaúcho José Gomes Pinheiro Machado, um político com muita influência sobre os coronéis do Norte e Nordeste brasileiro. Eleito intendente (prefeito) de Juazeiro em 1911, padre Cícero envolveu-se na disputa com o presidente Hermes da Fonseca para manter no poder regional a família Acioly. Em 1912, a interveção federal no Ceará derrubou do poder a família Acioly, sendo nomeado interventor o coronel Marcos Franco Rabelo, havendo eleição apenas para o cargo de vice-governador, na qual padre Cícero Romão Batista foi eleito, acumulando também o cargo de intendente de Juazeiro do Norte. Naquela época, o padre Cícero já era conhecido no sertão nordestino por ser considerado um homem santo e "fazedor de milagres". Chamavam-no de "Padim Ciço". Em 1914 Franco Rabelo rompeu com o Partido Republicano Conservador (PRC), e iniciou uma perseguição a Padre Cícero, destituindo-o dos cargos que exercia e ordenando a prisão do sacerdote. O deputado federal Floro Bartolomeu, aliado de Pinheiro Machado, montou um batalhão para defender Padre Cícero, seu amigo pessoal. O grupo era formado por jagunços e romeiros, era a união da força de Floro com o carisma de Padre Cícero. Quando os soldados de Franco Rabelo chegaram a Juazeiro do Norte se depararam com uma situação inusitada: em apenas uma semana, os romeiros cavaram um valado de nove quilômetros de extensão cercando toda a cidade e ergueram uma muralha de pedra na colina do Horto. A fortificação recebeu o nome de "Círculo da Mãe de Deus". O batalhão, ao ver que seria impossível romper o círculo, recuou e pediu reforços. As forças estaduais retornaram à cidade do Crato e pediram reforços para destruir o Círculo. Franco Rabelo enviou mais soldados e um canhão para invadir Juazeiro do Norte. No entanto, o canhão falhou e as forças rabelistas foram facilmente derrotadas pelos revoltosos. Após expulsar os invasores, Floro Bartolomeu parte para o Rio de Janeiro a fim de conseguir aliados. Os revoltosos seguem para Fortaleza com o objetivo de derrubar o governador. Na capital federal, Floro consegue o apoio do senador Pinheiro Machado. Quando as forças juazeirenses chegam a Fortaleza, uma esquadrilha da Marinha impôs um bloqueio marítimo na orla fortalezense. Cercado, Franco Rabelo não teve como reagir e foi deposto. Hermes da Fonseca nomeou interinamente Fernando Setembrino de Carvalho, enquanto novas eleições foram convocadas. Benjamin Liberato Barroso foi eleito governador e Padre Cícero vice novamente. Ao fim dos anos 20, o padre Cícero começou a perder a sua força política, que praticamente acabou depois da Revolução de 1930. Seu prestígio como santo milagreiro, porém, aumentaria cada vez mais. Um fato notável é o encontro de Padre Cícero Romão Batista com Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Lampião era devoto de padre Cícero e respeitava as suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez, em Juazeiro do Norte, em 1926. Naquele ano, a Coluna Prestes, liderada por Luís Carlos Prestes, percorria o interior do Brasil desafiando o Governo Federal. Para combatê-la foram criados os chamados Batalhões Patrióticos, comandados por líderes regionais que muitas vezes arregimentavam cangaceiros. Existem duas versões para o encontro. Na primeira, difundida por Billy Jaynes Chandler, o sacerdote teria convocado Lampião para se juntar ao Batalhão Patriótico de Juazeiro, recebendo em troca, anistia de seus crimes e a patente de Capitão. Na outra versão, defendida por Lira Neto e Anildomá Willians, o convite teria sido feito por Floro Bartolomeu sem que padre Cícero soubesse. O certo é que ao chegarem em Juazeiro, Lampião e os 49 cangaceiros que o acompanhavam, ouviram padre Cícero aconselhá-los a abandonar o cangaço. Como Lampião exigia receber a patente que lhe fora prometida, Pedro de Albuquerque Uchoa, único funcionário público federal no município, escreveu em uma folha de papel que Lampião seria, a partir daquele momento, Capitão e receberia anistia por seus crimes. O bando deixou Juazeiro sem enfrentar a Coluna Prestes. Maria de Araújo passou os últimos anos de sua vida enclausurada até falecer em 1914. Em 1931, seu túmulo que ficava na Igreja de Nossa Senhora do Pérpetuo Socorro em Juazeiro foi violado e seus restos mortais foram saqueados e nunca mais encontrados. Tal fato entristeceu em demasia Padre Cícero, porém quando o Padre Cícero morreu o Povo o seputou na mesma Igreja na qual havia sido sepultada Maria de Araújo. O padre Cícero faleceu em Juazeiro do Norte em 20 de julho de 1934, aos 90 anos. Por alta estima do povo, foram doados ao padre Cícero Romão Batista, várias glebas de terra, gado, diversos imóveis e inúmeros bens. Todos os seus bens foram doados à congregação Salesiana, antes de sua morte com o objetivo de construir um hospital e uma faculdade na cidade de Juazeiro. Morreu pobre, com uma batina surrada, carregado pelo Povo. Em março de 2001, foi escolhido "O Cearense do Século" em votação promovida pela TV Verdes Mares em parceria com a Rede Globo de televisão. Em julho de 2012, foi eleito um dos "100 maiores brasileiros de todos os tempos" em concurso realizado pelo SBT com a BBC. Se Deus quiser haveremos de ver O Padre Cícero Canonizado, isto é, proclamado santo pela Igreja Católica, para a honra e a glória de Deus.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
A Igreja católica vive uma crise Postado em 07 de Março de 2015 às 17:07
Uma grandiosa crise
"A Igreja católica vive uma crise”. Esta afirmação não é minha, nós estamos ouvindo esta afirmação por boa parte do episcopado mundial. A palavra crise vem do grego (krisis) traduzindo seria um momento de tomada de decisão. Porém, a palavra exige mais apurada reflexão: quando um homem vê que está vivendo no erro e que precisa reverter o seu caminho, exige dele uma tomada de decisão radical que vai de encontro àquilo que vive. Esta tomada de decisão pode ser de forma individual ou de forma coletiva, quando um grupo humano decide reagir a algo que o incomoda profundamente. A Igreja está em crise, pois dizem que ela está com medo de ser a mestra da verdade, mostrando ao mundo a verdade da doutrina católica que foi produzida por uma atenta leitura do Evangelho para adaptar-se aos novos moldais do mundo contemporâneo. Isto é, a Igreja está agindo não inspirado pela força do Evangelho, mas procurando adaptar-se às novas realidades sociais. Aquilo que é “politicamente possível”. Nós sabemos que no mundo da política convicção não existe. Quando um político de boa índole tenta criar uma lei que modificará uma nação trazendo bem-estar, para que este projeto seja aprovado é necessária muita negociação. Esta negociação exige muitas mudanças que desfiguram o projeto original. Na política o que vale é o consenso e não a verdade que alguém defende. A crise da Igreja seria o abandono dos princípios doutrinais da Igreja, para tentar um consenso com aquilo que a sociedade aceita e vive. No fundo, seria um abandono da radicalidade do Evangelho para uma flexibilidade doutrinal que seria aceita por todos sem levantar qualquer espécie de crítica. Nós sabemos que muitos fiéis estão abandonando a Igreja católica. Esse fato ocorre por vários motivos. O principal é que o ideal de vida proposto pelo cristianismo não inspira interesse da maioria da população. O mundo globalizado, o mundo da tecnologia, o mundo da pluralidade de opções está muito além daquilo que a Igreja vive. Fazendo uma pequena parábola: Enquanto o mundo caminha numa Ferrari a Igreja é movida por uma carroça. Em muitos países há muitas Igrejas e poucos fiéis participando. Além do fenômeno da globalização e da tecnologia há no mundo moderno o fenômeno do relativismo. Hoje se tornou odiosos aos homens princípios imutáveis, pois o mundo está em contínua transformação. E só ver a sociedade: o conceito de família está se transformando, o conceito de felicidade está se transformando, o conceito de alegria está se transformando etc. O que é uma realidade hoje não será mais daqui a alguns dias. Criou-se na consciência social a ideia de que tudo deve se adaptar, se transformar. O problema é que há uma pressão social fortíssima para que a Igreja abandone seus princípios e adapte-se às novas mudanças sociais. Não havendo eco a esta pressão a reação normal é o abandono da Igreja. Esta cosmovisão não fica fora da Igreja, está entrando nela de forma robusta. Hoje notamos que muitos bispos compartilham esta cosmovisão, há muitos sacerdotes que pensam da mesma forma e os novos quadros dos seminaristas aderem sem reflexão a esta noção de mundo. São João Paulo II já alertava para isso na encíclica “Veritatis Splendor”. Muitos bispos reclamam que se eles reagirem a esta onda relativista serão considerados reacionários e retrógrados, isto é, ficam isolados no episcopado e maquiavelicamente silenciados, esquecidos e abandonados. Por isso, muitos preferem o silêncio: o diabólico pecado a omissão. Muitos sacerdotes reagem a esta onda da seguinte forma: o ministério torna-se um bico de fim de semana: estão se profissionalizando (profissionais liberais) e abandonando o empenho ministerial, procurando acumular riqueza em profissões que não se harmonizam com a vida sacerdotal. E essa prática é tolerada silenciosamente, não há a mínima reação das autoridades eclesiásticas. Querer uma Igreja renovada é abandonar a verdade do Evangelho? Será que reconquistar o povo será relativizarmos os princípios imutáveis da Igreja Católica? Uma Igreja defensora da vida e a serviço da sociedade significa uma Igreja omissa que abandona o carisma profético? Que este momento de crise, se realmente ela existe, inspirado pelo Espírito Santo – que no fundo está no comando, esta é a minha fé - possa fazer renascer uma nova Igreja das catacumbas da história.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
O Fanatismo Religioso Postado em 18 de Agosto de 2014 às 23:12
Atrocidades em nome da religião
Fanatismo religioso Côn. José Everaldo No dia 18 de abril de 2014 a irmã Raghid, ex-diretora da escola do patriarcado grego-católico de Damasco, denunciou na Rádio Vaticano que na Síria, pais em guerra civil, muitos cristãos que se recusaram a professar a fé muçulmana ou pagar resgate foram crucificados por jihadistas. Isso aconteceu em Abra, na zona industrial na periferia de Damasco. De acordo com a denúncia, depois da crucificação os jihadistas "pegaram as cabeças das vítimas e jogaram futebol com elas", e ainda levaram os bebês das mulheres e "os penduraram em árvores com os seus cordões umbilicais". Diante do horror dessa notícia estarrecedora pensei em escrever sobre o tema do fanatismo religioso, que não é um fenômeno do oriente, mas é um fenômeno que está muito próximo de nós. O fanatismo religioso é sempre irracional e infundado. É uma crença exagerada, uma adesão cega a uma visão de mundo ou unilateralidade doutrinal, de tal modo que o fanático identifica sua crença com a verdade absoluta e se sente como o dono da verdade. Pior, considera seu inimigo todos aqueles que não compartilham sua fé. O fanático explora o exótico, o extravagante, o mundo fora do comum. O fanatismo separa as pessoas, desprezando os outros como indignos hereges e infiéis. O Fanatismo Religioso leva o indivíduo as maiores atrocidades humanas. Pois, ele é intolerante, isto é, é clara a sua incapacidade de respeitar a liberdade de escolha do outro. Não podemos atirar pedras nos mulçumanos, pois no passado os cristãos foram capazes de atrocidades piores em nome de sua fé. Temos um passado sujo, pois as guerras santas foram estimuladas pelas lideranças católicas, o que não dizer da inquisição e das cruzadas? No passado foram os cristãos e no presente são os mulçumanos. Uma das acusações mais comuns feitas às religiões é que elas causam mais violência do que paz. Na música “Imagine” John Lenon afirma nas entrelinhas que o mundo seria um lugar melhor sem elas e suas rivalidades. No mundo da cultura racionalista cansei de ouvir a seguinte acusação: “A bíblia é o livro da discórdia e não da concórdia”. Não só a bíblia, mas outros livros sagrados como: o Bhagavad-Gita, Tri-Pitakas, Alcorão e Kitáb-i-Aqdas. Porém, se juntarmos cegamente todos esses livros todos, absolutamente todos, exaltam o amor, a fraternidade, o equilíbrio, a concórdia entre os homens. Chegamos a dura e crua realidade, as atrocidades provocadas pelos fanáticos religiosos não procedem dos ensinamentos religiosos, mas de mentes doentias que instrumentalizam os conceitos religiosos como meios de extravasar a selvageria de suas entranhas. Nenhuma religião ensina a matar, a espoliar, a denigrir a vida humana. O problema é a instrumentalização da religião, a hermenêutica que se faz ou as mais absurdas argumentações para justificar as atrocidades inclusive as religiosas. O fanático religioso é uma erva daninha, um câncer social que perverte o bem indelével da vida. De acordo com Diego Omar, professor de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto e membro do Núcleo de Estudos da Religião da instituição, os fanáticos são pessoas que se opõem a qualquer mudança na tradição religiosa da qual são seguidoras. “Existem fanáticos católicos, neopetencostais, islâmicos e muitos outros”. O que dizer do presidente George W. Bush que utilizou o poderio militar para atacar o Iraque usando como argumento um mandato divino? O que dizer do atirador de Realengo que entrou numa escola massacrando alguns professores e 22 alunos, sendo morto por policiais. Antes de partir para o massacre deixou uma carta na qual afirma que vozes do além pediam que ele realizasse tal atrocidade. Em todas as religiões um fanático é um perigo. Hoje vivemos um tempo de globalização da informação aqueles que se julgam donos da verdade ficarão esquecidos na história como homens desvinculados do tempo e incapazes de contemplar as contínuas mudanças de nosso mundo. Evitando o indiferentismo, temos que basear nossas convicções nas verdades indeléveis do Evangelho sem nos determos naquilo que é acidental e mutável. É nessa lógica que o papa Francisco, na maior das boas vontades, convoca um sínodo extraordinário para debater o tema da família e sua transformação nos tempos modernos. Creio que a Igreja não tem o direito de negar um sacramento a quem pede espontaneamente. Pois, baseados em meras interpretações doutrinárias, muitos membros da Igreja estão provocando mais dor do que alívio ás pessoas que os buscam para encontrar o rosto materno de seu Deus. Sem esta convicção o sectarismo, a intolerância e a incapacidade de diálogo será sempre tumores presentes na Igreja.. Que Deus nos livre desse mal e a humanidade se torne mais tolerante e fraterna.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
Aquele que fazia refeição comigo foi o primeiro a me apunhalar Postado em 02 de Junho de 2014 às 16:08
Bajulação
Todos que exercem alguma função de liderança seja política, seja na diversidade das instituições sociais ou mesmo numa instituição eclesiástica são cercados de bajuladores. O bajulador geralmente quer convencer alguém hierarquicamente superior que pode exercer um cargo de confiança e que tem condições de satisfazer todos os anseios e projetos de seu superior. E por isso, baseia o seu relacionamento com rasgados elogios, que muitas vezes não brotam de seu coração, são lavadas mentiras. A ambição do bajulador é chegar ao topo o mais rápido possível, sua ganância alimenta o ego e a vaidade do seu superior. O Superior torna-se cego diante das bajulações e cede com muita facilidade aos pedidos de postos e favores. François de La Rochefoucauld, Duque de La Rochefoucauld foi um moralista francês e príncipe de Marcillac e, mais tarde, duque de La Rochefoucauld. Afirmou certa vez que: “A bajulação é a moeda falsa que só circula por causa da vaidade humana”. De fato, quem gosta de ser bajulado é uma pessoa extremamente vaidosa, que gosta de ser paparicado e que alimenta uma rede de pessoas que nunca veem defeitos em suas decisões. O superior que cede a este capricho vive uma vida de ilusão, pensa que agrada a todos, que é aplaudido por todos, que é venerado por todos. Iludido e alimentado por sua coorte de bajuladores, toma atitudes autoritárias e irracionais julgando ser o detentor da verdade e o absoluto senhor da ética, com um olhar superior passa por cima de todos, sem notar que o poder é passageiro e o grupo de bajuladores um dia desaparecerá. A verdade é essa: “quem detém o poder passará como tudo neste mundo”. Aí ele verá que, de fato, foi cercado por víboras que só queriam seus favores e os lisonjeios se converterão em desprezo e negação. É o que aconteceu com Júlio César na escadaria do Senado de Roma, foi apunhalado até por um Senador que ele tinha como filho: Brutus. Daí a frase célebre: “Até tu Brutus!?, filho meu”. Uma verdade é certa: os esmagados pela tirania haverão de abandonar o seu superior que sempre os oprimiu e os bajuladores desaparecerão, pois para eles “quem não tem poder para nada vale”. O destino do Superior será o esquecimento e o ostracismo. Há uma frase fortíssima no livro dos Salmos: “Amigos e companheiros fogem de minha chaga, e meus parentes permanecem longe” (Sl 37,12). Por isso, devemos nos purificar da vaidade que nos deixa cegos e perceber o verdadeiro interesse de quem só vive nos elogiando. O verdadeiro amigo não só nos elogia aplaudindo todas as nossas decisões, o verdadeiro amigo também, com prudencia e caridade, sabe nos criticar e nos corrigir para que sejamos cada dia melhores. É o que nos diz o autor de provérbios: “O homem cercado de muitos amigos tem neles sua desgraça, mas existe um amigo mais unido que um irmão” (Pr 18,24). E esse verdadeiramente quer nosso bem, corrigindo nossas ações para que cresçamos. Tanto no ministério do Papa como dos bispos há esse risco de ser cercados de bajuladores. O código de direito canônico com muita sabedoria exorta: “O Bispo diocesano dedique especial solicitude aos presbíteros, a quem deve ouvir como auxiliares e conselheiros...” (Cân. 384). Ser auxiliar não significa vassalo, mas corresponsável de sua missão e como corresponsável deve manifestar o que é necessário para que a Igreja seja mais bela, como deseja Cristo. Quando uma autoridade só ouve “um ou dois” (os bajuladores do momento) e despreza os demais (que sofrem por não serem ouvidos) tudo o que se constrói um dia cairá, transformar-se-á em ruínas. Tudo deve ser construído em comunhão e solidariedade, para que os projetos sejam perenes. Diz uma lenda que, em tempos remotos, houve um padre conhecido como “o sábio da Giesteira”. A todos causava admiração a sua inteligência e sua pregação! Mas o que mais impressionava os que o conheciam era a capacidade de prevenir acontecimentos. Certa vez o velho sacerdote viu trabalhadores agrícolas batendo a palha do centeio e preveniu que choveria há uma hora, mas como estava ensolarado todos caçoaram do sacerdote e continuaram seu trabalho. De fato veio à chuva e todos perderam o centeio colhido. Outros fatos como esse ocorreram e a chacota dos arrogantes se tornou em respeito de todos. O respeito foi tanto que apelidaram o velho sacerdote de sábio da Giesteira (lugarejo nas serras de Portugal). E para terminar não devemos nos esquecer do que está escrito: “Guarda-te, pois, a ti mesmo: cuida de nunca esquecer o que viste com os teus olhos, e toma cuidado para que isso não saia jamais de teu coração, enquanto viveres; e ensina-o aos teus filhos, e aos filhos de teus filhos” (Dt 4,9).

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
A Inveja é um pecado dos fracassados Postado em 06 de Maio de 2014 às 16:08
A Inveja
A Inveja é um pecado dos fracassados Pe. José Everaldo A Inveja é uma palavra proveniente do latim invidia, significa o desejo de obter algo que outra pessoa possui e que não conseguimos ter. A inveja é a expressão de um coração fracassado que não conseguiu obter a realização de suas vontades e, muitas vezes a nossa vontade não é a Vontade de Deus. Quando o invejoso vê alguém próximo a ele crescer, ou obter algo que sempre desejou com sua ambição algumas reações são muito comuns: tristeza, depressão, ódio sentimento de destruição de si próprio e do outro que obteve o bem, material ou espiritual, ambicionado. De acordo com o psicoterapeuta e escritor espanhol José Luis Cano, a inveja nada mais é do que “um fenômeno psicológico muito comum que causa um grande sofrimento para muitas pessoas, tanto para os invejosos como para suas vítimas. Ela pode ser explícita e transparente, ou formar parte da psicodinâmica de alguns sintomas neuróticos. Em todos os casos, a inveja é um sentimento de frustração insuportável perante algum bem de outra pessoa, causando o desejo inconsciente de danificá-lo”. Já vi pessoas com este sentimento aplaudirem quando o outro que estava numa situação confortável de repente desmorona e cai na desgraça. É importante afirmar que um indivíduo invejoso é um ser insatisfeito, seja por imaturidade, repressão, frustração, etc. No geral, essas pessoas sentem, consciente ou inconscientemente, muito rancor contra outros que possuem algo que elas também desejam, mas que não podem obter ou não querem sacrificar-se para conseguir (beleza, dinheiro, sucesso, poder, liberdade, amor, personalidade, experiência, felicidade etc). É por isso que o invejoso, ao invés de aceitar suas carências ou perceber seus desejos e capacidades e assim desenvolvê-los, odeia e deseja destruir todas as pessoas que, como um espelho, lembrem-no da sua privação. “Na escala individual”, a inveja costuma ser parte de muitos transtornos psicológicos e de personalidade. Em outras palavras, a inveja é a raiva vingativaa do impotente que, em vez de lutar por seus anseios, prefere eliminar a concorrência. Este pecado está presente na Igreja. Já vi muitos candidatos ao Episcopado não chegarem a este ministério porque outros, movidos por satânica inveja inventam mentiras e espalham boatos para denegrir a boa imagem de alguém que poderia ser um bom bispo fazendo o bem à Igreja e ao Evangelho. No catolicismo a inveja é considerada como um dos sete pecados capitais, uma vez que ela constitui a fonte de outros pecados. O invejoso deseja ter algo que o outro possui, sem se importar em prejudicar a outra pessoa, para obter esse bem. Para o cristianismo, esse sentimento baixo e ignóbil é inaceitável, já que cria uma situação que causa infelicidade e dor para o outro indivíduo e para toda uma gama de pessoas. O poeta italiano Dante Alighieri, na sua obra o Purgatório, o segundo dos três cantos da Divina Comédia, define a inveja como “amor pelos próprios bens pervertido ao desejo de privar a outros dos seus”. O castigo para os invejosos era ter seus olhos fechados e costurados com arame, para que eles não vissem a luz (porque haviam tido prazer em ver os outros sofrerem). A Escrituraa nos diz que devemos ter um tipo de amor tão perfeito quanto o que Deus tem por nós. “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal” (1Cor 13,4-5). Quando endurecemos nossos corações para a verdade, não podemos nos voltar a Jesus e deixar que Ele nos cure (Mt 13,15). Quando deixamos que o Espírito Santo nos controle, Ele vai produzir em nós o fruto do equilíbro, a saber, amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gl 5,22-23). São Tiago no 3,15 de sua epístola diz: “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica”. Para combater o sentimento de inveja, precisamos nos tornar mais como Jesus e menos como nós mesmos. Podemos fazer isso ao estabelecer um relacionamento pessoal com Deus. À medida que aprendemos a servir a outras pessoas ao invés de nós mesmos, nossos corações começam a mudar. “Não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12,2).

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
O Pecado do autoritarismo Postado em 07 de Abril de 2014 às 16:52
Autoritarismo
Por que tantas pessoas são autoritárias? O pior é que este pecado está presente na pessoa de muitos padres e bispos. É o que evidenciava o Padre João Mohana em seu livro “Padres e bispos autoanalisados”, Livraria Agir, 1967. Infelizmente os autoritários não reconhecem essa anomalia em seu caráter, julgam-se as pessoas mais democráticas do mundo. O autoritário toma atitudes de controle de tudo e de todos, atuando como um trator, passando por cima de pessoas, de sentimentos, acumulando atitudes de impaciência e irritação. São pessoas que não admitem erros. Vivem uma falsa humildade. No fundo são pessoas inseguras e fracas agindo com agressividade. É um distúrbio de caráter que o melhor analista muitas vezes é incapaz de resolver. Muitas pessoas se atrevem a dizer que é uma opressão ou assédio de um espírito maligno. Mas eu diria um distúrbio de personalidade. Disse Jesus: “Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra” (Mt 5, 5). Por trás destas Palavras Jesus quer nos ensinar algumas verdades: 1) os verdadeiros vitoriosos são os mansos, não os agressivos que machucam as pessoas injustamente; 2) a pessoa realmente forte é aquela que administra construtivamente suas emoções e não aquela que se deixa levar por elas, explodindo aqui e ali, pisando em cima dos outros, manipulando, controlando, dando uma de vítima; 3) uma pessoa pode ser ao mesmo tempo mansa, dócil, equilibrada e firme, decidida, empreendedora; 4) há um distúrbio de caráter em pessoas agressivas que entra no campo do orgulho, presunção, prepotência, ironia; 5) a mudança desses problemas é uma questão de decisão pessoal, ou seja, ninguém muda ninguém, somente a própria pessoa que percebe ter problemas de autoritarismo é que decide, escolher fazer algo para mudar, mas se ela permanecer na defesa, acusando tudo e todos pelo jeito de ser, e não admitir a verdade de seu problema comportamental, nem Deus dá jeito, porque ela estará fechada para a luz e para a verdade da sua necessidade de mudança. “Se a luz que há em você são trevas, quão grandes são estas trevas!” (Mt 6,9). O jeito de falar autoritário da pessoa explosiva é desagradável porque, a entonação da voz, o ar autoritário, o olhar esbugalhado passa uma ideia de desrespeito pelo outro. A intenção consciente pode não ser de desrespeitar nem de agredir, mas a mímica facial, a mensagem do corpo, o tom das palavras, a carga emotiva, podem funcionar como um tanque de guerra que vai arrastando tudo pela frente, não importando se o outro que está ali na frente é sensível, frágil, simpático, bondoso, ou não. Esta pessoa autoritária age como uma máquina, esquecendo-se, que está lidando com pessoas humanas que são “a imagem e a semelhança de Deus”. O fato é que o autoritário não tem sensibilidade humana, sua arrogância o cega. Um ar de prepotência o sufoca. Não se pode resolver problemas graves com autoritarismo. O autoritário atropela a realidade do outro com atitudes agressivas, insensíveis, imaturas e, muitas vezes, irresponsáveis. O chamado “temperamental” exagera no falar com uma carga emotiva forte demais, desrespeitosa, que pode ferir. Falta respeitar o outro evitando ferir a dignidade humana, que é ferida quando alguém agride verbalmente. No fundo o autoritário é uma pessoa frágil, dependente, insegura, compulsiva que tenta esconder sua fragilidade, dependência e insegurança através desta maneira agressiva de agir, de falar, de se dirigir a outro ser humano. A outra pessoa não tem culpa de suas inseguranças afetivas, nem do fato de que o temperamental pode ter tido uma infância com fortes modelos de agressividade comportamental ou que seus sofrimentos do passado a tenham produzido esta maneira agressiva de viver (para se defender). Para se defender, atacam. Ou, com medo de serem machucadas, reagem agressivamente. Pessoas assim, quando ameaçadas de ficarem sozinhas por quaisquer circunstâncias da vida, em geral (e há exceções), se sentem inseguras, e é quando podem mostrar seu lado dependente, frágil, inseguro. Aí pedem perdão, pedem desculpas, se é que fazem isto, mas já passou por cima do outro, já destratou demais, já produziu tanta dor, já criou afastamento. A pessoa autoritária geralmente não abre mão de seu jeito de ser para receber a mansidão. Ela pode ter se acostumado a funcionar assim. Os maiores santos da Igreja não conquistaram o mundo pela agressividade, mas pela mansidão e sua força de espírito jamais serão esquecidos. É preciso sempre se lembrar: Deus é bom, Deus é misericordioso e Deus é verdadeiro. São estas virtudes que o povo quer ver nos seus pastores. Dai-nos Senhor, os santos Pastores que tua Igreja precisa.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
Por que a Igreja Católica deve ter um Banco? Postado em 28 de Fevereiro de 2014 às 19:13
Banco do Vaticano
Por que a Igreja Católica precisa de um Banco? Depois dos últimos escândalos financeiros do Vaticano e da reviravolta que o papa Francisco fez na administração financeira fui indagado por vários leigos: Por que a Igreja Católica precisa de um banco? É o que procurarei responder nesse artigo. O Banco do Vaticano oficialmente é chamado de “Instituto para as Obras de Religião” (em italiano Istituto per le Opere di Religione). Ele é uma instituição financeira oficial ligada a Santa Sé e sua sede está na cidade do Vaticano. Foi criado na Segunda Guerra Mundial para gerir as doações financeiras da Santa Sé e facilmente remeter recursos para áreas de conflito no mundo. A Igreja ficou praticamente isolada do mundo na II grande guerra, em muitos lugares seus bens foram confiscados. Para proteger os bens necessários para a subsistência da Igreja e ajudar comunidades violentadas pelo horror da guerra, foi pensando numa instituição autônoma dos países do mundo, com a finalidade de sustentar o Vaticano e os trabalhos de missão tão necessários à Igreja. Hoje além de manter a Santa Sé, esta instituição tem a finalidade de ajudar ao santo Padre remeter recursos para projetos essenciais de missão da Igreja no mundo. Qualquer pessoa pode abrir uma conta no instituto em qualquer moeda e retirar esse recurso caso assim queira. Para estimular os depósitos, o Instituto oferece uma pequena retribuição de juros anuais para os correntistas. Com esses depósitos o santo Padre administra o patrimônio do Vaticano e ajuda esses projetos de missão. Somente os cardeais e os Papas podem ter cheques no Instituto, absolutamente mais ninguém e o dinheiro não poder ser sacado em nenhuma parte do mundo, apenas no próprio Instituto. Sustentar um patrimônio como do vaticano é extremamente dispendioso: há muitos funcionários, há um exército (guarda Suíça para manter), há museus, uma biblioteca, rádio, televisão, editoras, lojas, Universidades, casas de retiro, manutenção física dos prédios etc. Para gerir isso é sumamente necessário o Instituto. É notório que o Vaticano gasta muito mais que arrecada. Muitos grupos ilegais viram um caminho propício para a lavagem de dinheiro e a criação de um caminho oficial para um meio escuso. Infelizmente, muitos clérigos se envolveram com esses grupos e foram a ponte que abriram as portas desta instituição, que num todo é absolutamente legítima. A instituição é presidida por um diretor executivo ligado a um comitê de cardeais, escolhido pelo prórpio Papa. Dentro do Vaticano o Papa é considerado o Monarca supremo. É ele que escolhe um prefeito do Vaticano e o gestor do Instituto para as obres de Religião. O Papa pode cassar o mandato quanto e como quiser. É absolutamente normal uma instituição como essa diante do descumunal tamanho da Igreja Católica e o Status que a Igreja tem no mundo de Pessoa Jurídica Internancional. O que não é são os grupos ilegais que usavam do Instituto para lavar recursos escusos. Porém, o Papa Francisco vem tomando decisões que estão moralizando a Instituição e levando-a a ter um reto uso eclesial. É lógico que por ser uma Instituição Européia está ligada OEE (Organização dos Estados Europeus) e está sob a vigilância desta entidade. Radix Malorum est Cupiditas (A Raiz de todo mal é a ganância), que o Papa Francisco construa com seu ministério uma Igreja que seja desprovida da ambição e marcada pelo desapego aos tesouros deste mundo.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
Por que nossa Igreja Católica precisa de um Banco? Postado em 28 de Fevereiro de 2014 às 16:33
O Banco do Vaticano

 Depois dos últimos escândalos financeiros do Vaticano e da reviravolta que o papa Francisco fez na administração financeira  fui indagado por vários leigos: Por que a Igreja Católica precisa de um banco? É o que procurarei responder nesse artigo.

O Banco do Vaticano oficialmente é chamado de “Instituto para as Obras de Religião” (em italianoIstituto per le Opere di Religione). Ele é uma instituição financeira oficial ligada a Santa Sé e sua sede está na cidade do Vaticano. Foi criado na Segunda Guerra Mundial para gerir as doações financeiras da Santa Sé e facilmente remeter recursos para áreas de conflito no mundo.

A Igreja ficou praticamente isolada do mundo na II grande guerra, em muitos lugares seus bens foram confiscados. Para proteger os bens necessários para a subsistência da Igreja e ajudar comunidades violentadas pelo horror da guerra, foi pensando numa instituição autônoma dos países do mundo, com a finalidade de sustentar o Vaticano e os trabalhos de missão tão necessários à Igreja.

Hoje além de manter a Santa Sé, esta instituição tem a finalidade de ajudar ao santo Padre remeter recursos para projetos essenciais de missão da Igreja no mundo. Qualquer pessoa pode abrir uma conta no instituto em qualquer moeda e retirar esse recurso caso assim queira. Para estimular os depósitos, o Instituto oferece uma pequena retribuição de juros anuais para os correntistas. Com esses depósitos o santo Padre administra o patrimônio do Vaticano e ajuda esses projetos de missão. Somente os cardeais e os Papas podem ter cheques no Instituto, absolutamente mais ninguém e o dinheiro não poder ser sacado em nenhuma parte do mundo, apenas no próprio Instituto.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
O Pecado do Carreirismo na Igreja Católica Postado em 03 de Fevereiro de 2014 às 10:24
Carreirismo eclesiástico
Uma das tentações mais graves sofridas por Jesus em seu ministério público foi o da ganância do Poder. “Satanás transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares. Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás (Dt 6,13)” (cf. Mt 4,8-10). Um dos pecados mais graves vividos pela Igreja hoje e, que o Papa Francisco corajosamente vem denunciando, é o carreirismo eclesiástico. Carreirismo eclesiástico vem de carreira, ambição aos postos mais elevados da Igreja. O papa Francisco chama de carreirismo eclesiástico, a ganância para ser bispo, para ser arcebispo, para ser cardeal, ou para ter boas paróquias, para ter dioceses importantes etc. Na reunião que o Papa Francisco fez com os bispos na JMJ 2013, ano passado, disse que os Bispos pecam gravemente quando buscam as mais importantes e maiores dioceses e para conseguir esse objetivo fazem manobras de todo o tipo, bajulações, troca de benefícios e o mais vergonhoso é o jogo sujo do denuncismo, levantando boatos para destruir a boa fama de alguém. É escandaloso ver que este tipo de pecado está presente do meio do clero, mas é a dura e crua realidade. É triste ver que há muitos padres e bispos que não tem a menor vocação para o serviço. Muitos chegaram ao ministério usando as manobras acima elencadas. Tais pessoas sofrem por se frustrarem, já que o ministério não é um mar de rosas. O pior é que fazem outros sofrer com ações que não são inspiradas por Deus, mas por sua visão doentia e megalomaníaca. Megalomaníaca sim, pois constroem um projeto para si e não para os outros. Incapazes de ouvir os outros são homens da imposição de suas vontades, pessoas que só veem o cisco no olho dos outros e não percebem a trave que existe nos seus próprios olhos. Isso presenciamos lá no Vaticano, no episcopado e em muitos presbitérios de muitas dioceses espalhadas pelo mundo. Um dos conselhos mais fortes que Jesus deu aos seus discípulos foi o seguinte: “Quem quiser ser o maior seja o servo de todos” (cf. Mc 10,42s). O Serviço é doar-se ao irmão, dedicar-se aos pobres e sofredores sem a ânsia de poder e de glórias humanas. Certa vez santa Teresa de Jesus foi procurada para aconselhamento espiritual por um sacerdote que há pouco fora eleito para o episcopado. A santa prontamente o atendeu e, entre os conselhos dados, disse-lhe o seguinte: “Reverendo Padre, se tu alguma vez desejaste o episcopado e fizeste por onde alcançá-lo: não aceite a nomeação. Se desejaste o episcopado e não fizeste por onde para alcançá-lo: talvez aceite. Se, porém, nunca desejaste o episcopado e nunca fizeste por onde: aceite a nomeação”. As palavras de Teresa de Jesus traduzem perfeitamente como alguém deve agir diante de uma promoção. A vocação sacerdotal deve proceder de Deus. As virtudes e aptidões que figuram – o que muitas vezes não acontece – no candidato eleito para o episcopado, por exemplo, devem ser sinceras e não resultado de uma personalidade forjada para atingir o que sempre desejou. Também na Igreja sempre houve casos de pessoas, envenenadas por ganancia do poder, que fazem de tudo para conseguir ascender a elevados cargos. Alguns já sonham desde o tempo de seminário: imaginam tudo como se o primeiro ônus a lhe ser dado pelo bispo diocesano, após sua ordenação presbiteral, seja o de pároco numa paróquia que lhe ofereça todas as possibilidades de realização de seus sonhos. Também há os que sonham – ainda apenas dentro do âmbito diocesano – assumir alguma função na área administrativa/burocrática, ou um lugar no Colégio de Consultores ou no Conselho Presbiteral. É preciso rezar a Deus para nos dar um ânimo vital de conversão. Deus ajude o Papa Francisco, com sua voz profética, para que surja uma nova Igreja que seja solidária e amante do serviço.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
Escolha do tema da próxima JMJ Postado em 10 de Novembro de 2013 às 14:24
Cristianismo e Violência
Neste último dia 07 de novembro foi divulgado o próximo tema da JMJ 2016 (Jornada Mundial da Juventude) que será na cidade de Cracóvia na Polônia: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia". Tem previsão para acontecer no mês de julho de 2016. O tema da violência e da guerra é algo que vem sido debatido longamente em vários foros de discussão espalhados pelo mundo. Casos como o aumento da violência no mundo, principalmente contra mulheres e crianças, o índice crescente de suicídios entre os Jovens, o elevadíssimo nível de drogo dependentes e o terrível genocídio que ocorre na Síria sofrendo com uma guerra sem sentido pela busca desesperada pelo poder deixam perplexos o mundo moderno. Foi este último fato elencado que levou uma convocação do Papa de toda a Igreja para uma hora de oração eucarística defronte a Jesus Sacramentado. É um tema crucial para a Igreja, já que as maiores vítimas são os jovens e idosos. Por isso, Sua Santidade propõe esta reflexão diante de uma tremenda onda de violência e derramamento de sangue inocente no mundo moderno. No Brasil e na América Latina, como um todo, esta taxa cresce cada vez mais, são os piores índices de violência do mundo, segundo Relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA), divulgados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Confirmado pelo pesquisador e sociólogo argentino Julio Jacobo Waiselfiz na nova edição do Mapa da Violência, editado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e o Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos (Cebela). A violência é chamada de “epidemia” no Brasil. As elevadas taxas de homicídio, segundo o coordenador do estudo, mostram uma triste realidade: o Brasil e os países da América Latina são sociedades violentas. Segundo o pesquisador, o crescimento dos dados guarda ao menos uma boa notícia: a melhora da cobertura médica legal. “Dados da OMS [Organização Mundial da Saúde] dão conta de que tínhamos, até os anos 90, algo em torno de 20% de óbitos que não eram registrados. Os corpos desapareciam, algumas vezes em cemitérios clandestinos. Hoje a estimativa é de um recuo neste índice, para 10%”. Só no Caribe, a taxa é de 30 mortes por assassinato a cada 100 mil pessoas, enquanto na América do Sul o índice cai para 26 e na América Central, para 22. Na Europa, a média é de 8,9 mortes violentas a cada 100 mil habitantes. Os números diminuem na região do Sudeste Asiático, cuja taxa é de 5,8 homicídios, e nos países do Pacífico Ocidental, que registram um índice de 3,4 mortes. Em geral, os assassinatos atingem principalmente pessoas de baixa renda, diz o estudo. Os números nas Américas preocupam ainda mais quando se observa que entre os mortos, em geral, estão jovens de 15 anos a 29 anos de idade. Nos países latino-americanos, as mortes violentas envolvem principalmente jovens, do sexo masculino e de baixa renda. Mas há registros de aumento do número de assassinatos contra crianças e adolescentes. O alvo principal são os jovens que vivem em centros urbanos. A violência envolvendo adolescentes e jovens tem uma ligação direta com a falta de emprego, educação, além dos baixos padrões de moradia. Segundo eles, as reaçõeestimativa é de que o custo da violência varie de 2% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) desses países. O estudo não menciona especificamente as nações, apenas as regiões. Para a OEA, os números negativos registrados nas Américas se devem a uma junção de fatores. As conclusões são de que a maioria dos países da região ainda sofre as consequências de longos períodos de governos ditatoriais, que davam menor importância aos temas relacionados a direitos humanos. Além disso, muitas nações não dispõem de forças de segurança adequadas nem aplicam ações eficientes para combater a violência. As análises estão no Relatório sobre a Segurança Cidadã e Direitos Humanos. O documento foi elaborado em uma parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Escritório das Nações Unidas do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH). No documento, há uma série de críticas às políticas públicas adotadas por vários países. Segundo o relatório, as políticas públicas “têm se mostrado ineficazes”. Têm-se adotado sanções muito rígidas, menos garantias processuais e há casos de adolescentes que são julgados como se fossem adultos em meio a suspeitas de infrações. De acordo com a comissão, os países que pertencem à OEA “têm a obrigação de proteger e assegurar o exercício dos direitos humanos”. “Os governos autoritários e ditaduras militares que atuaram no hemisfério durante as últimas décadas, a despeito das obrigações internacionais de respeitar os direitos humanos, deixou como legado um ciclo permanente de violência”, diz um trecho do documento. “Com esse panorama, a comissão observa que os Estados vão ter sérias dificuldades de encontrar soluções eficazes para esses problemas”. Creio que o tema escolhido pelo Papa é oportuno, principalmente porque aqui em Alagoas há o índice crescente da violência Urbana e as estratégias buscada pelo nosso governo são astonomicamente ineficazes.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
Escolha do tema da próxima JMJ Postado em 10 de Novembro de 2013 às 14:23
Cristianismo e Violência
Neste último dia 07 de novembro foi divulgado o próximo tema da JMJ 2016 (Jornada Mundial da Juventude) que será na cidade de Cracóvia na Polônia: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia". Tem previsão para acontecer no mês de julho de 2016. O tema da violência e da guerra é algo que vem sido debatido longamente em vários foros de discussão espalhados pelo mundo. Casos como o aumento da violência no mundo, principalmente contra mulheres e crianças, o índice crescente de suicídios entre os Jovens, o elevadíssimo nível de drogo dependentes e o terrível genocídio que ocorre na Síria sofrendo com uma guerra sem sentido pela busca desesperada pelo poder deixam perplexos o mundo moderno. Foi este último fato elencado que levou uma convocação do Papa de toda a Igreja para uma hora de oração eucarística defronte a Jesus Sacramentado. É um tema crucial para a Igreja, já que as maiores vítimas são os jovens e idosos. Por isso, Sua Santidade propõe esta reflexão diante de uma tremenda onda de violência e derramamento de sangue inocente no mundo moderno. No Brasil e na América Latina, como um todo, esta taxa cresce cada vez mais, são os piores índices de violência do mundo, segundo Relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA), divulgados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Confirmado pelo pesquisador e sociólogo argentino Julio Jacobo Waiselfiz na nova edição do Mapa da Violência, editado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e o Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos (Cebela). A violência é chamada de “epidemia” no Brasil. As elevadas taxas de homicídio, segundo o coordenador do estudo, mostram uma triste realidade: o Brasil e os países da América Latina são sociedades violentas. Segundo o pesquisador, o crescimento dos dados guarda ao menos uma boa notícia: a melhora da cobertura médica legal. “Dados da OMS [Organização Mundial da Saúde] dão conta de que tínhamos, até os anos 90, algo em torno de 20% de óbitos que não eram registrados. Os corpos desapareciam, algumas vezes em cemitérios clandestinos. Hoje a estimativa é de um recuo neste índice, para 10%”. Só no Caribe, a taxa é de 30 mortes por assassinato a cada 100 mil pessoas, enquanto na América do Sul o índice cai para 26 e na América Central, para 22. Na Europa, a média é de 8,9 mortes violentas a cada 100 mil habitantes. Os números diminuem na região do Sudeste Asiático, cuja taxa é de 5,8 homicídios, e nos países do Pacífico Ocidental, que registram um índice de 3,4 mortes. Em geral, os assassinatos atingem principalmente pessoas de baixa renda, diz o estudo. Os números nas Américas preocupam ainda mais quando se observa que entre os mortos, em geral, estão jovens de 15 anos a 29 anos de idade. Nos países latino-americanos, as mortes violentas envolvem principalmente jovens, do sexo masculino e de baixa renda. Mas há registros de aumento do número de assassinatos contra crianças e adolescentes. O alvo principal são os jovens que vivem em centros urbanos. A violência envolvendo adolescentes e jovens tem uma ligação direta com a falta de emprego, educação, além dos baixos padrões de moradia. Segundo eles, as reaçõeestimativa é de que o custo da violência varie de 2% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) desses países. O estudo não menciona especificamente as nações, apenas as regiões. Para a OEA, os números negativos registrados nas Américas se devem a uma junção de fatores. As conclusões são de que a maioria dos países da região ainda sofre as consequências de longos períodos de governos ditatoriais, que davam menor importância aos temas relacionados a direitos humanos. Além disso, muitas nações não dispõem de forças de segurança adequadas nem aplicam ações eficientes para combater a violência. As análises estão no Relatório sobre a Segurança Cidadã e Direitos Humanos. O documento foi elaborado em uma parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Escritório das Nações Unidas do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH). No documento, há uma série de críticas às políticas públicas adotadas por vários países. Segundo o relatório, as políticas públicas “têm se mostrado ineficazes”. Têm-se adotado sanções muito rígidas, menos garantias processuais e há casos de adolescentes que são julgados como se fossem adultos em meio a suspeitas de infrações. De acordo com a comissão, os países que pertencem à OEA “têm a obrigação de proteger e assegurar o exercício dos direitos humanos”. “Os governos autoritários e ditaduras militares que atuaram no hemisfério durante as últimas décadas, a despeito das obrigações internacionais de respeitar os direitos humanos, deixou como legado um ciclo permanente de violência”, diz um trecho do documento. “Com esse panorama, a comissão observa que os Estados vão ter sérias dificuldades de encontrar soluções eficazes para esses problemas”. Creio que o tema escolhido pelo Papa é oportuno, principalmente porque aqui em Alagoas há o índice crescente da violência Urbana e as estratégias buscada pelo nosso governo são astonomicamente ineficazes.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
O Presbítero e a paróquia III Postado em 06 de Abril de 2012 às 20:58
O ofício do Pároco no Código de 1917
 O antigo estatuto dos párocos localizava-se nos cc. 451 a 470 do CIC (código) de 1917. Nele estavam contidos postulações jurídicas que foram abandonadas pelo Concílio Vaticano II. Como a ideia de dote e benefício era a vértebra principal do estatuto das paróquias, a própria noção de pároco era condicionado a este princípio, de tal forma que não só a pessoa física de um sacerdote poderia ser pároco, mas também pessoas morais. O Pároco era um sacerdote ou uma pessoa moral a quem se conferia a paróquia em título de cura de almas, que se exerceria sob a autoridade do Ordinário de lugar[1].
O direito canônico sempre entendeu “sacerdote” como presbítero e bispo[2]. Aqui encontramos a primeira contradição no antigo estatuto dos párocos. Apesar de juridicamente ser possível, na prática comum, era muito raro paróquias serem destinadas a pessoas morais. O ofício de pároco tem por objetivo a cura de almas, só pode ascender a este ofício quem legitimamente recebeu o ministério sacerdotal[3]. O Concílio de Trento exigia que os párocos unicamente fossem sacerdotes dignos[4]. Era, no entanto, tolerado o chamado pároco colegial, para que alguns colégios mediante o título[5] se mantivessem com os lucros auferidos pelos benefícios[6]. Porém, tais paróquias só eram constituídas com o indulto especial da Sé Apostólica[7].
Para o direito romano os dois termos – pessoa moral[8]e jurídica – significavam a mesma coisa, era uma ficção jurídica, que atribuía a uma coletividade de pessoas e coisas, direitos equivalentes às pessoas físicas[9]. Encontramos nos velhos tratados a seguinte definição de pessoa moral ou jurídica:
“Um ente jurídico formalmente constituído por uma autoridade pública, subsistente por concessão do direito com independência das pessoas físicas singulares, e com capacidade de adquirir e exercitar seus direitos”.
Ou ainda:
“um ser distinto das pessoas físicas, sujeito de direitos e deveres”[10].
A ciência canônica buscou mais elementos para distinguir a pessoa moral. Arturo Alonso Lobo afirmava que tanto filósofos e juristas coincidiam em afirmar que só o homem era sujeito de direito, já que só o homem possui a natureza racional que é a base dos direitos. No entanto, um grupo de diversos homens unidos por um mesmo fim, objetivam o nascimento fictício de um novo ser, o qual no direito é chamado pessoa moral ou jurídica[11]. Baseados nesta ideia, a ciência canônica definia pessoa moral da seguinte forma:
“A agrupação de pessoas físicas ou coisas que formam uma unidade moral, aprovado pela competente autoridade, sujeita de direitos, com meios e fins peculiares”[12].
Portanto, no CIC de 1917[13] qualquer pessoa moral poderia tornar-se pároco[14], desde que obtivesse um indulto especial da Sé Apostólica. A pessoa moral, por sua vez deveria indicar um vigário paroquial que exercesse o ministério de cura de almas, em seu nome, na respectiva paróquia[15]. Esta entidade moral poderia ser o cabido catedral, uma casa de congregação religiosa ou outra entidade jurídica diferente. Esses vigários eram chamados de vigários capitulares – se representavam o cabido catedral - ou vigários paroquiais curados ou atuais – se representavam outras entidades eclesiásticas[16]. Eles tinham direito a uma parte do benefício ou da dotação paroquial que os pudesse manter e eram os que representavam as pessoas morais em todos os negócios jurídicos da paróquia, com os mesmos direitos e deveres dos párocos[17], sendo, no entanto, amovíveis[18].
Havia no código de 1917 duas categorias de párocos, os amovíveis e os inamovíveis. O tema da estabilidade era prescrita pelo cân. 454 §§ 1 e 2. O tema da estabilidade foi algo que surgiu no direito da Igreja aos poucos, é importante salientar que foi fixado juridicamente pelo Concílio de Trento na sessão 24, De Reformis iniciado aos 11 de novembro de 1563, empregando a palavra estabilidade de forma perpétua:
“O santo sínodo manda os Bispos, para que seja mais certa a salvação das almas do seu rebanho, dividir seu povo em paróquias verdadeiras e próprias e de nomear para cada uma de forma perpétua um pároco estável, que possa conhecer os próprios paroquianos e do qual sobretudo recebam licitamente os sacramentos. De outra forma, provenham no modo melhor, segundo a exigência local”[19].
O Código de 1917 insistia no tema da estabilidade, pois ao mesmo tempo em que permitia os párocos amovíveis, não ocultava sua preferência quanto a inamovibilidade dos pároco[20]. Por possuir um ofício pastoral de “Cura Animarum” (Cura de almas), o poder do pároco era tido como ordinário. Inclinado a apascentar o povo, mediante a pregação e a administração dos sacramentos. Em outras palavras, o poder do pároco vinha naturalmente pelo ofício que exercia e não por outra razão[21].
A meu ver, o grande mérito do Código de 1917 foi sem dúvida, a segurança jurídica dada à ação pastoral do pároco, que se via seguro contra eventuais abusos de poder dos Ordinários locais, como por exemplo, uma transferência sem critérios jurídicos e/ou sociais.
O pároco possuía poder para dispensar algumas leis: impedimentos matrimoniais (cc. 1044*; 1045 § 3*); tempos sagrados (c. 1245 § 1*). Tinha a autoridade e o dever de pregar (c. 1344 § 1*), corrigir os fiéis (c. 467 § 1*), rechaçar qualquer abuso contra a fé e os costumes (c. 469*).
Sobre a nomeação de párocos, o direito reconhecia a faculdade da livre colação (escolha) para se nomear um presbítero como pároco[22], por parte do Ordinário do lugar[23]. O conceito de Ordinário do lugar localizava-se no c. 198 § 2*. O direito exprimia com clareza que o Vigário Geral só poderia escolher os futuros párocos das paróquias vacantes com mandato especial, do seu superior hierárquico[24].
Como falávamos, só com indulto especial da Sé Apostólica uma paróquia poderia ser entregue a uma pessoa moral[25]. Por indulto o antigo CIC entendia um privilégio temporário, emitido por meio de um decreto administrativo, concedido a uma pessoa ou grupo de pessoas[26], para realizar ou não realizar algo prescrito pelo direito. Eram essas tidas como paróquias pontifícias, as quais tinham certa autonomia do poder Episcopal. Já que dava a pessoa moral em questão à propriedade sobre o território paroquial.
 


[1] Cf. c. 451 § 1*.
[2] Cf. Bispos (LG no 20); Presbíteros (LG no 28).
[3] Cf. c. 154*.
[4] Cf. Concilium Tridentinum, sessão XXIV, De reformis, cc. 12, 13, 18, in G. Alberigo – al., Conciliorum Oecumenicorum Decreta, op. cit., 766-768 e 770-772.
[5] A palavra título era uma designação usual para significar dotação da propriedade paroquial. Esta terminologia é profundamente repugnante à ótica da eclesiologia moderna.
[6] Cf. I. Antonius Eguren, “De Subiecto Domini in Missionibus”, in Periodica 58 (1959) 350-353.
[7] Cf. c. 452 § 1*.
[8] O código de 1983 abandonou o conceito de pessoa moral para entidades internas da Igreja. Foi assumido o conceito de pessoa jurídica, pelo atual CIC de 1983. O conceito de pessoa moral só é empregado hodiernamente para a Sé Apostólica e ou a Igreja Católica, enquanto organismo de representação internacional (cf. c. 113 § 1). Apesar de o tratado lateranense de 11 de fevereiro de 1929 reconhecer a Santa Sé como um sujeito de direito internacional, analogamente aos Estados Modernos, o atual CIC definiu a Santa Sé como uma pessoa moral, abolindo esta nomenclatura para todos os institutos colegiados internos da Igreja.
[9] Cf. W. Bertrams, “De Personalitatis Moralis in Iure Canonico Natura Metaphysica”, in Periodica 48 (1959) 213-228.
[10] Cf. M. Cabreros de Anta, “comentario al c. 99*”, in Código de Derecho Canónico, Madrid 1978, 44-45.
[11] Cf. A. Alonso Lobo, “De las Personas Morales”, in Comentarios al Codigo de Derecho Canonico, I, op. cit., 341.
[12] Cf. Ibid., 342.
[13] Apesar dos juristas debaterem muito sobre a distingüibilidade ou a indistingüibilidade da personalidade moral e jurídica, a opinião que prevaleceu assumida pelo código de 1983 foi a da distinção das duas noções. O CIC de 1983 atribui personalidade moral à Santa Sé e à Igreja Católica (cf. c. 113 § 1) e às demais entidades coletivas, seja pública ou privada, personalidade jurídica (cf. c. 113 § 2).
[14] Cf. c. 451 §1*.
[15] Cf. cc. 471 § 1* e 456*.
[16] Cf. F. X. Wernz- p. vidal, Ius Canonicum, II, op. cit., 796-798.
[17] Cf. c. 471 § 4*.
[18] Apesar de os párocos morais possuirem a propriedade da paróquia, e os vigários paroquiais apenas a administração, em conformidade com as normas do direito, eram estes detentores dos mesmos poderes pastorais daqueles (cf. c. 451 § 2* e AAS 20 [1928], 85 no 3).
[19]cf. G. Alberigo – al., ConciliorumOecumenicorum Decreta, op. cit., 768.
[20] Cf. S. Alonso Morán, “De los Parrocos”, in M. Cabreros de Anta – al., Comentarios al CDC (del 1917), I, op. cit., 726.
[21] Eram também equiparados ao pároco pelo direito os quase-párocos que governavam as quase-paróquias (c. 457*). Ora, só havia quase-paróquias nas prefeituras e vicariatos apostólicos. As prefeituras apostólicas e os vicariatos apostólicos eram definidas como “territórios que ainda não estão erigidos em dioceses” (c. 293 § 1*). O CIC de 1983 amplia o alcance das quase-paróquias (c. 516 § 2), isto é, não só as prefeituras e vicariatos apostólicos podem erigir quase-paróquias, mas qualquer Igreja particular onde circunstâncias peculiares impedem a ereção direta das paróquias.
[22] Cf. c. 152*.
[23] Cf. c. 455 § 1*.
[24] Cf. A. Vermeersch – J. Creusen, “De parochis”, in R. P. Creusen, Epitome Iuris Canonici, Bruxellis 1937, 392-393.
[25] Cf. c. 452 § 1*.
[26] Cf. M. Cabreros de Anta, “Liber Primus. Normae Generales”, in Código de Derecho Canónico, op. cit., 4.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
O Presbítero e a paróquia II Postado em 04 de Março de 2012 às 12:19
No Código de Direito Canônico de 1917

 

2. No Código de 1917

 

2.1 Acenos históricos ao Código de Direito Canônico de 1917
 
O cardeal Pietro Gasparri, que foi a mente e o coração do Código de direito Canônico de 1917, pois foi ele que coordenava a comissão codificadora na época; inseriu no CIC (Código) de 1917 a mentalidade eclesial da época, a saber, Igreja como uma estrutura hierárquica, com um governo centralizado nas decisões pontifícias. Na época a visão predominante era a de Igreja como uma sociedade perfeita. Portanto, o conceito de paróquia e de pároco gira em torno dessa hermenêutica[1].
É esta mentalidade eclesial que favorecia a visão de paróquia como um território determinado da diocese[2], que era dado a um pároco como uma posse feudal, concomitantemente ao direito de auferir rendas beneficiais. Para o CIC de 1917 a paróquia deveria ter alguns elementos fundamentais: 1) uma freguesia; 2) um pároco; 3) a cura de almas; 4) o território; 5) a Igreja própria; e 6) o dote beneficial:
“El tratamiento que el CIC 17 hace de la parroquia puede calificarse, sin duda, de disperso. El bloque mayor lo encontramos en el Libro II, Sección II: De los Clérigos en particular. Y otro núcleo importante se desplaza al Libro III, Parte V: De los beneficios. No hay, por tanto, un tratamiento sistemáticamente unitario; la visión que nos ofrece el CIC 17 gravita sobre tres puntos de referencia; el clérigo, el beneficio y el territorio”[3].
No código de 1917 era obrigatório a divisão das dioceses em paróquias[4] tal prescrição é uma conquista fundamental do Concílio de Trento que procurou resolver os problemas na época existentes[5]. Paralelo a esta prescrição conciliar que foi assumida com radicalidade, o código de 1917 prescrevia ao Bispo diocesano a determinação do dote das paróquias, que por seu decreto seriam erigidas, seja mediante bens ou dinheiro[6].
O capítulo sobre os dotes e benefícios paroquiais era a vértebra principal que orientava o estatuto universal das paróquias no CIC de 1917 e, dava a entender que a paróquia era um território adquirido vitaliciamente pelo pároco. A ideia de benefício estava definida no antigo cânon 1409*.
O benefício era o conjunto de bens – móveis e imóveis – que pertenciam a determinada entidade jurídica e geralmente era destinada para o usufruto de um beneficiado. Por exemplo: casas, terrenos, utensílios que auferiam lucros etc[7]. O benefício era tido como uma pessoa moral não colegial[8]e por isso era destinado à perpetuidade[9], urgia a ereção canônica por parte da autoridade eclesiástica competente[10], a fim de destiná-lo a um determinado ofício sagrado e conferir ao detentor do ofício o direito de auferir rendas do dote beneficial[11]. Porém, vendo-se que prudentemente não haveria de faltar o necessário, não era proibido ao Bispo diocesano constituir paróquias sem os respectivos dotes[12]. Diante da noção jurídica de benefício, concomitantemente nasceu a ideia de pároco inamovível e amovível, que em muitas circunstâncias gerou problemas e distúrbios.
 


[1] Cf. M. Useros Carretero, “La Parroquia, tema de la Eclesiologia y del Derecho Canónico”, in REDC 17 (1962) 191-222.
[2] Cf. c. 216 § 1. Apesar do § 4 do mesmo cânon possibilitar erigir paróquias, com indulto especial da Santa Sé, por diversidade de línguas, nacionalidade de fiéis, familiares ou pessoais.
[3] Cf. A. Marzoa, “El Concepto de Parrochia Y el Nombramiento de Parroco”, in Ius Canonicum 29 (1989) 451.
[4] Cf. c. 216*. Tal imposição jurídica, como já afirmamos, vem do Concílio de Trento, Sessão XXIV, c. 13, de 11 de novembro de 1563.
[5] O completo abandono de muitas comunidades cristãs por parte dos ministros sagrados, fez com que Trento não só prescrevesse o dever de residência, mas o dever de dividir o território diocesano em paróquias, a fim de que os cristãos fossem atendidos em suas necessidades pastorais (cf. Sabino Alonso, “Los Párrocos en el Concilio de Trento y en el Código de Derecho Canónico”, in REDC 2 (1947) 947-979).
[6] Cf. c. 1415 §§ 1 e 2*.
[7] Cf. V. Rovera, “Beneficium ecclesiasticum”, in Periodica 60 (1971) 214-218.
[8] Cf. c. 1409*.
[9] Cf. c. 102 § 1*.
[10] Episcopus sive Ordinarius loci. (cf. .X. Wernz – P. Vidal, Ius Canonicum, II, Romae 1928, 176).
[11] Cf. c. 1414 § 2*.
[12] Cf. c. 1415 § 3*. O termo latino “Dotus” era usado comumente no passado como “o conjunto de bens que a mulher levava da casa de seus genitores para o seu novo lar depois do matrimônio”, ou ainda, “o conjunto de bens que o noivo era obrigado a dar ao genitor da noiva para receber sua permissão para as núpcias”. Porém, na Igreja constituía o conjunto de bens móveis ou imóveis que possibilitaria ao pároco se manter em sua nova paróquia (cf. S. Alonso Morán, “Los Beneficios Eclesiásticos”, in M. Cabreros de Anta - al, Comentarios al CDC [del 1917], III, Madrid 1964, 100s).

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
O Presbítero e a paróquia I Postado em 14 de Fevereiro de 2012 às 09:13
A missão do presbítero se plenifica na paróquia
O lugar habitual no qual se articulam a vida e o ministério dos presbíteros na Igreja, dos primórdios até nossos dias, é a paróquia[1]. Nela, de fato e de direito, encontram-se os cristãos, reunidos em torno de seus pastores, para juntos: ouvirem a Palavra de Deus, celebrarem a fé e receberem o dom da graça de Deus pelos sacramentos, principalmente a Eucaristia[2]. É na paróquia que a Igreja se revela essencialmente como comunidade visível e espiritual: convocados pela Palavra, unidos na mesma fé e sustentados pela esperança comum, vivendo a caridade, sob a ação do Espírito Santo[3]. Nela, os fiéis tomam consciência de sua identidade como Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo, assembleia visível e comunidade espiritual, Igreja terrestre, enriquecida de dons celestes...[4]. Numa palavra: a paróquia é uma comunidade de comunhão e missão[5].
Por antiquíssima tradição, provavelmente iniciada no século IV no ocidente, a Igreja universal sempre subdividiu as Igrejas particulares, governadas pelos Bispos - seja dioceses, prelazias territoriais, abadias territoriais, administrações, prefeituras e vicariatos apostólicos - em subestruturas de governo para facilitar o atendimento espiritual dos cristãos, as quais foram batizadas com o nome de paróquias[6]. Aos poucos esta tradição foi legitimada pela lei canônica, que podemos dizer se consolidou nas normas estatutárias do Concílio de Trento[7].
De forma paulatina e natural as enucleações eclesiais começaram a se organizar, limitando juridicamente o ministério dos Bispos a territórios, aos quais eram consagrados, pela imposição das mãos[8]. Esses territórios – hoje definidos como Igrejas particulares – conforme os cânones disciplinares do Concílio de Trento e ratificado pelas leis canônicas, devem ser subdivididas em territórios paroquiais[9], as quais devem ser entregues ao cuidado de um pároco. Isto é, um presbítero que seja o pastor próprio da paróquia que lhe foi confiada[10]. Portanto, o ministério tanto do Bispo como do presbítero, normalmente, se exerce num território.
O Concílio Vaticano II chama os presbíteros de cooperadores do ministério pastoral do Bispo[11]. Ora, especificamente os presbíteros são chamados a exercerem esta cooperação mediante o ministério pastoral nas paróquias, nas quais a cura de almas[12]é exercida de forma plena.
O Código de Direito Canônico de 1983 no c. 515 § 1 define a paróquia como:
A paróquia é uma certa comunidade de fiéis, constituída estavelmente na Igreja particular, cuja cura pastoral, sob a autoridade do Bispo diocesano, está confiada ao pároco, como a seu pastor próprio.”.
Esta definição é resultado de um longo e ardoroso caminho[13], pois aos poucos, a Igreja Católica assumiu em sua estrutura permanente de governo formas administrativas civis da antiguidade que julgou úteis para facilitar e consolidar a evangelização[14]. Sabino Alonso Moran afirma que as paróquias começaram no século IV primeiramente nos povoados e depois nas cidades. Os povoados, distantes das cidades metrópoles, começaram a surgir levando os Bispos a se preocuparem com os grupos de cristãos que lá viviam. Principalmente em períodos das grandes festas cristãs, os Bispos enviavam sacerdotes a esses lugarejos a fim de celebrarem os sacramentos, sobretudo a Eucaristia. Aos poucos eles começaram a se solidificar nessas terras de missões, dando origem as paróquias propriamente ditas. Nas cidades Episcopais, ao passo que iam crescendo havia necessidade de construir novas Igrejas e estabelecer sacerdotes fixos que lhes atendesse as necessidades espirituais[15].
Etimologicamente, a palavra paróquia (Paroecia) vem do grego paroikia, estar ao redor da casa (do Senhor)[16]. Santo Agostinho usa a palavra paróquia para designar o domínio próprio do Bispo[17]. Até o século V, a distinção entre diocese e paróquia não estava bem clara. Só paulatinamente esta distinção torna-se precisa na nomenclatura jurídico-pastoral[18].
A palavra pároco, no entanto, segundo alguns estudiosos vem do verbo grego paroc¦w: transportar (composto de para + okos, carro)[19]. Para outros, deriva de paracw: subministrar. Entre os gregos e os latinos, o ofício de pároco era destinado a providenciar o alimento para os chefes do povo, durante as viagens. Na transposição para a Igreja, o pároco é aquele que habita no meio do povo (rebanho) e o alimenta como pastor[20]. A palavra contém um sentido bíblico essencialmente pascal: a consciência do Povo de Deus, que vive neste mundo na expectativa do reino definitivo, isto é, como peregrino em busca da Jerusalém do alto[21] se vê guiado e alimentado por seu pastor, que fraternalmente acolhe, alimenta, robustece a todos que marcham para a Jerusalém do alto[22].
O ministério dos presbíteros na paróquia encontra mediante esta leitura, uma motivação profundamente bíblica e ornada de sentido. A determinação jurídica de dividir uma Igreja particular em paróquias tem suas razões profundas no princípio de subsidiariedade. Este princípio impele uma administração eclesiástica descentralizada. Um Bispo diocesano sozinho jamais conseguirá suprir as carências de seu povo, esse fim ele o consegue pela mediação dos presbíteros que são seus cooperadores. Não só o presbítero se plenifica na paróquia, mas o Bispo diocesano por meio de seu presbitério.


[1] Cf. SC no 42.
[2] Cf. PO no 5.
[3] Cf. PO no 6; AA no 10.
[4] Cf. LG no 26.
[5] Cf. LG n o 8.
[6] Cf. A. da Silva Pereira, “Paróquia: seu histórico”, in Direito e Pastoral 3 (1988) 9-23.
[7] Cf. J. Hortal, “Comentário ao c. 515”,in Código de Direito Canônico, op. cit., 243; cf. G. Alberigo – G. L. Dosseti Perikles – P. J. Claudio Leonardi – P. Prodi, Conciliorum Oecumenicorum Decreta, “Concilio Tridentinum”, sessio 24, canon XIII de rephormis, 767-768.
[8] Sabemos que os Bispos são sucessores dos apóstolos(cf. LGno 20) sempre na estrutura permanente da Igreja eles ficaram responsáveis pelo governo das Igrejas particulares (cf. LGno 27 § 1). É importante salientar que o ministério hierárquico sempre foi na Igreja exercido num território específico, mesmo no tempo dos padres apostólicos (Cf. F. Figueiredo, A Igreja dos Padres Apostólicos, São Paulo 1989, 64-76).
[9] Cf. c. 374 § 1. Essa prescrição foi suavizada pelo Concílio Vaticano II, que permitiu a ereção de paróquias pessoais sem a necessidade de indulto apostólico (cf. c. 518). O novo Código não impõe obrigatoriamente a divisão das dioceses em "foranias" ou "decanatos". A comissão de reforma reconheceu que existem outras formas de coordenar a ação pastoral das diversas paróquias vizinhas (cf. CCIC, “Seduta dell’11 marzo 1980”, in communicationes 12 (1980) 284).
[10] Cf. CD no 30.
[11] Cf. LGno 28 § 2.
[12] Esta terminologia “cura” “salvação das almas” não é bem quista para a teologia Latino-americana que se fundamenta em uma abordagem completa do homem, seja do ponto de vista físico como psicológico, porém é uma terminologia usual no atual CIC de 1983, é importante evidenciar que na tradução oficial do CIC para o português do Brasil o termo utilizado é “cuidado pastoral” não “cura pastoral” como no português de Portugal.
[13] “Il termine, adoperato nel diritto pubblico romano nei sec. III-V a designare un gruppo di province governate da un alto funzionario (vicario), nel diritto ecclesiastico occidentale fu usato anche per il territorio governato da un vescovo, finché divenne esclusivo per la ben più modesta circoscrizione odierna” (cf. G. Damizia, “Parrocchia”, in G. Pizzardo – al. Enciclopedia Cattolica, IX, Roma 1952, 856-859).
[14] No mundo antigo cada metrópole-cidade ou província tinha uma estrutura administrativa, na qual recolhia os impostos, distribuía as funções dos funcionários públicos, administrava as corporações militares, a saúde pública, os órgãos de educação e cultura etc. Notando a forma prática com que se atingia seus objetivos, a hierarquia eclesiástica resolveu fazer sua, tais corporações de governo (cf. J. M. Díaz-Moreno, “Parocchia”, in Coral Salvador, C. – de Paolis, V. – Ghirlanda, G.,Nuovo Dizionario di Diritto Canonico, Milano 1993, 750-758).
[15] Cf. S. Alonso Morán, “De los Parrocos” in M. Cabreros de Anta – al., Comentários al CDC (de 1917), I, op. cit., 726.
[16] Cf. A. Forcellini, “Paroecia”, op. cit., III, 415; M. Pechenino, “Parrocchia”, in Vocabulário Italiano-Grego, Torino 1880, 435; L. Rocci, “paraokos"”, in Vocabulario Grego- Italiano, op. cit., 1403.
[17] Cf. S. Augustinus, Epistula 209, PL 33, 953: “Castellum simul. cum contígua sibi regione ad, paroeciam ipponensis Ecciesiae pertinebat”.
[18] Cf. Vicenzo Bo, Storia della Parrocchia, I, Roma 1988, 44-47.
[19] Cf. A. Forcellini, “Parochus”, op. cit., III, 415.
[20] Cf. J. Ivo Kreutz, A Paróquia: lugar privilegiado da pastoral da Igreja, São Paulo 1987, 40.
[21] Cf. Ap 21, 2.10.
[22] Cf. J. H. Elliot, A home for the homeless, London 1982, 41. O autor empreende uma análise sociológica da 1a carta de Pedro e afirma, que o sentido de paroikos (estrangeiro sem inteira cidadania) é o mesmo que em Ef 2,19.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
A Missão do pároco na paróquia Postado em 08 de Janeiro de 2012 às 17:28
Segundo o Código de Direito Canônico
Outro dever é o de Administrar com zelo os bens pertencentes à Paróquia. O direito canônico afirma de forma categórica que o Pároco é o representante jurídico da paróquia. Portanto, todos os negócios jurídicos devem ser celebrados pelo Pároco. Uma paróquia celebra muitos negócios jurídicos com muitas pessoas tanto físicas e jurídicas, como por exemplo: contratos (de compra e venda, trabalhistas, tributos etc), aquisição e alienação de bens, heranças de terceiros à paróquia (vontades e fundações pias), contendas nos tribunais, cuja paróquia é uma das partes litigantes etc. Por essa razão, é o Pároco que representa a paróquia nesses assuntos, zelando por seu patrimônio[18]. Para evitar o perigo dos desvios das doações e os dízimos o direito estipula que as ofertas dos fiéis devem ser remetidos ao fundo paroquial comum[22].
O Pároco deve cuidar com especial zelo do arquivo paroquial, que pode ser classificado como patrimônio histórico da paróquia. A negligência deste dever prejudicará enormemente a muitos que dependem dele. Por isso, o Pároco deve conservar os livros prescritos pelo direito universal e particular (preenchendo-os e guardando-os)[20]. Deve, ainda, conservar letras Episcopais de relevância jurídica, não permitindo cair nas mãos de estranhos toda essa documentação. Por ocasião da visita pastoral, o Pároco deve apresentar ao Bispo diocesano ou um seu delegado, todo o arquivo[21].
O Pároco perde seu ofício por morte, destituição[22], transferência[23], por renúncia apresentada ao Bispo diocesano e aceita por ele[24], por decurso do prazo se sua provisão possui prazo peremptório[25]. O CDC solicita que o Pároco ao completar 75 anos redija sua carta de renúncia apresentando-a ao Bispo diocesano, o qual depois de aceitar deve prover a sustentação, dando-lhe outrossim uma digna moradia[26].
Como novo Pároco da Paróquia de São Pedro Apóstolo, irei me esforçar para aplicar este perfil jurídico. Contamos, desde já, com o apoio e adesão de todos.

[1] Cf. c. 528 § 1.
[2] Cf. João Paulo II, “Adhortatio Apostolica Catechesi Tradendae”, 16/10/1979, in AAS 71 (1979) 1277-1340.
[3] Cf. CD no 30, 1; AA no 10.
[4] Cf. c. 289 § 2 do CCEO (Código de Cânones das Igrejas Orientais).
[5] Cf. PO nos 6 e 9.
[6] Este rol de deveres foi inspirado no antigo c. 467* no qual prescrevia: l) Celebrar os divinos ofícios e os sacramentos aos fiéis que lhe pedirem; m) Corrigir com prudência os que erram; n) Acudir os pobres com paternal caridade; o) Por o máximo interesse na formação católica das crianças; p) Aconselhar os fiéis a buscar na Igreja as orações e ouvir a Palavra de Deus.
[7] Cf. c. 883 no 3.
[8] Cf. cc. 530; 290 § 2 do CCEO.
[9] Cf. cc. 534 § 1; 294 do CCEO.
[10] Cf. c. 289 § 3 do CCEO.
[11] Cf. cc. 533 § 1; 292 § 1 do CCEO.
[12] Cf. c. 1396.
[13] Cf. cc. 533 § 2; 292 § 2 do CCEO.
[14] Cf. cc. 533 § 3; 292 § 3 do CCEO.
[15] Cf. c. 529 § 2.
[16] O Bispo diocesano, ouvindo o conselho presbiteral, pode sendo oportuno, constituir em cada paróquia um conselho pastoral presidido pelo Pároco a fim de que os fiéis possam participar e promover a ação pastoral paroquial (cf. cc. 536 § 1; 295 do CCEO), portanto é um conselho não obrigatório na disciplina atual. Esse conselho tem voto consultivo e rege-se pelo direito particular (cf. c.536 § 2).
[17] O atual CDC determina que em cada paróquia haja um conselho para assuntos econômicos regulado pelo direito universal e particular, no qual os fiéis auxiliem o Pároco na administração dos bens paroquiais (cf. cc. 537; 1280), portanto é um conselho obrigatório, que na atual legislação está subordinado ao Pároco que é representante jurídico da paróquia (cf. c. 532). Para o CCEO tanto o conselho de assuntos econômicos como o conselho pastoral paroquial devem ser constituídos em conformidade com os costumes e tradições de cada Igreja sui iuris (cf. cc. 295; 408 § 1 do CCEO).
[18] Cf. cc. 532; 291 § 1 do CCEO: “In tutti gli affari giuridici della parrocchia il parroco la rappresenta”.
[19] Cf. E. Delaméa, A Organização Administrativa dos Bens Temporais, São Paulo 1986, 21.
[20] Cf. cc. 535 § 1; 296 § 1 do CCEO.
[21] Cf. cc. 535 § 4.; 296 § 4 do CCEO.
[22] Processo para destituição de Párocos encontramos nos cc. 1740-1747.
[23] Processo para transferência de Párocos encontramos nos cc. 1748-1752.
[24] Cf. c. 189.
[25] Cf. c. 538 § 1.
[26] Cf. cc. 538 § 2 e 682 § 2.
[27] Cf. c. 538 § 3. Esta norma é absolutamente nova na legislação canônica, foi introduzida por Paulo VI, “Motu proprio Ingravescentem aetatem”,21-11-1970, in AAS 62 (1970) 810-813.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
Quando um casamento pode ser declarado nulo? Postado em 07 de Dezembro de 2011 às 22:02
Direito Matrimonial

 

O matrimônio é um sacramento e, com tal, foi instituído por Cristo e confiado à Igreja, esta, a fim de corresponder a confiança que lhe foi depositada, utiliza de meios para se assegurar que a celebração dessa união seja válida, verdadeira, e que a sacramentalidade do matrimônio não seja profanada, ou tornada impura, conforme prescreve o cânon 1508: “O matrimônio é produzido pelo consentimento legitimamente manifestado entre partes juridicamente hábeis; esse consentimento não pode ser suprido por nenhum poder humano”.

O consentimento válido, feito por pessoas juridicamente hábeis e na forma prevista em lei são os três requisitos básicos para que possa existir um verdadeiro matrimônio. A ausência de um desses requisitos torna o matrimônio inválido, nulo, ou seja, sem efeito jurídico.

O primeiro requisito diz respeito ao consentimento válido, significa que se ambos ou um dos noivos não tinham o desejo espontâneo, livre e verdadeiro de se unir a outra pessoa, trata-se de um matrimônio nulo por vício do consentimento.

Sem comentários! Seja o primeiro!!!
Deixe seu comentário
História do Concílio Vaticano II Postado em 31 de Outubro de 2011 às 11:01
Parte I
            No ano que vem 2012 estaremos celebrando 50 anos do concílio VATICANO II, por isso resolvi escrever sobre a história e o desenrolar deste evento que modificou o rosto da Igreja.
A noção de Igreja anterior ao 21o concílio ecumênico da história, era de uma Igreja fechada, estagnada no tempo. Igreja era definida como a hierarquia dos ministros sagrados, delegados pelo Senhor para salvar as almas. Tinha-se a idéia clara de que se uma pessoa não pertencesse a Igreja católica, não poderia se salvar. Não se entendia o laicato como hoje, leigo era sinônimo de uma pessoa sem conhecimento, por isso os leigos não manifestavam sua opinião sobre nada, eram para obedecer e ficar calados. Era uma Igreja fortemente clerical, fechada às grandes aspirações dos povos, incapaz de reconhecer seus erros. Ela não podia misturar-se com o mundo, tudo o que viesse do mundo era impuro, contrário às leis de Deus, tudo o que essa Igreja fazia era santo e aceitável.
No começo de nosso século, surgiram muitos movimentos que começaram a transformar o pensamento católico. Eram movimentos que queriam resgatar as fontes da doutrina católica. Começaram a surgir grandes teólogos que questionavam este jeito de ser da Igreja. Afirmavam eles, que a Igreja deixou de lado suas origens, deixou de ler a bíblia com autenticidade, deixou de estudar os ensinamentos dos santos padres, deixou de rezar a Deus como os primeiros cristãos, ela deixou de ser sacramento de unidade de todo o gênero humano. Por isso, nesse período surgiram muitos movimentos de renovação, de volta as origens. Dentre esses movimentos podemos citar: o movimento litúrgico, o movimento ecumênico, o movimento patrístico, o movimento teológico, o movimento bíblico e principalmente a ação católica. Os grandes teólogos do concílio Vaticano II, foram formados neste ambiente de retorno as fontes da bíblia, da tradição apostólica e do magistério.
O Papa Pio XII fora um gênio em sua época, homem de cultura notável e de capacidade administrativa extraordinária; seu pontificado identificou-se pela luta contra a expansão do marxismo. Ao falecer, ficou uma lacuna muito grande: Quem será o substituto de um homem tão notável? Era a grande pergunta. Os cardeais resolveram escolher o Cardeal Giuseppe Roncalli, arcebispo de Veneza, que era um homem idoso e doente. Dizem os historiadores, que a intenção dos cardeais na época, era a de escolher um papa nestas circunstâncias, para preparar, o quanto antes, um substituto a altura de Pio XII. O velho patriarca de Veneza morreria logo, não modificaria nada, com isso Deus indicaria o quanto antes um homem sábio que governaria a Igreja aos moldes de Pio XII.
No entanto, o Papa João XXIII surpreendeu a todos, começou a modificar os fechados cerimoniais do Vaticano. Aos 25 de janeiro de 1959, concluindo a semana de preces pela união dos cristãos, João XXIII, anunciou a sua decisão de convocar um novo concílio, a surpresa foi geral. O papa, eleito há menos de três meses e escolhido presumivelmente para que garantisse a Igreja uma tranqüila transição, amadurecera sozinho a decisão, limitando-se a comunicá-la, alguns dias antes, ao seu mais abalizado colaborador, o cardeal Tardini, pró-secretário de Estado. Diferentemente da acolhida por parte dos cardeais, o eco do anúncio tanto no catolicismo quanto junto às outras Igrejas cristãs e na própria opinião pública foi enorme. Alguns viram nele a promessa de uma renovação esperada há tanto tempo, outros valorizaram a possibilidade de colocar no primeiro plano o problema da unidade dos cristãos e outros sublinharam a possibilidade de uma relação da Igreja com a sociedade em termos de fraternidade e não mais de contraposição.

1 Comentário
Deixe seu comentário
ARQUIDIOCESE DE MACEIÓ | Igreja Missionária e Samaritana