Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

Arquidiocese / Histórico

Preliminares

Por Côn. José  Everaldo

A Arquidiocese de Maceió é uma das vinte e uma dioceses do Regional Nordeste II. O Regional Nordeste II foi estruturado canonicamente em 396 anos, a saber de 1614 a 2010, entre o pontificado de Paulo V a Bento XVI, isto é 33 pontífices. Tais intervenções foram às ereções das 21 dioceses que o compõe.

A Arquidiocese de Maceió começou a ser criada com a vigorosa expansão do Estado de Alagoas no sul da então diocese de Olinda. A abundância de recursos naturais fazem desta cidade centro de influxo turístico.A então diocese de Olinda sendo desmembrada e dando origem a outras dioceses sulfragânias, a 05/12/1910, por decreto da sagrada congregação consistorial, foi então elevada à Arquidiocese e Sede Metropolitana. Foi a primeira sede metropolita do Regional Nordeste II.

Sucedeu a são Pio X o papa Bento XV. Aos 03/04/1916 cria a diocese de Penedo pela bula Catholicae ecclesiae cura, desmembrada da então diocese de Alagoas. Alagoas começava a crescer e as necessidades espirituais do povo eram crescentes. Mediante duas dioceses, os trabalhos apostólicos seriam muito mais viáveis. Um ano depois da ereção da diocese de Penedo, a 25/08/1917 por decreto da sagrada congregação consistorial, a diocese de Alagoas passou a denominar-se diocese de Maceió, continuado seu status de sulfragânia de Olinda.

Coube ao papa Bento XV a 13/02/1920 mediante a bula Inter varia elevar, a até então diocese de Maceió, a categoria de Arquidiocese e sede metropolitana. Sua única sulfragânia era a diocese de Penedo.
No pontificado de João XXIII, sucessor de Pio XII, o anseio de renovação marca profundamente seu pontificado. Esse pontífice quebra vários costumes acidentais que marcaram profundamente a Igreja e convoca, com uma coragem intrépida, o IIº Concílio na cidade do Vaticano. O laicato se manifesta como uma força extraordinária na Igreja oculta e silenciosa que aos poucos se dá a conhecer, mediante a ação católica e os movimentos de renovação e de volta às origens do cristianismo. Foi este mesmo espírito de renovação que impulsionou João XXIII a 10/02/1962 criar a diocese de Palmeira dos Índios pela bula Quam Supremam, desmembrada da Arquidiocese de Maceió e da diocese de Penedo. Mediante este ato forma-se a província eclesiástica de Maceió, composta da arquidiocese de Maceió, com suas respectivas sulfragânias: diocese de Penedo e Palmeira dos Índios.

O Clero por ocasião da implantação da diocese de Alagoas

O primeiro bispo de Alagoas nasceu na atual cidade de Mata Grande aos 15 de agosto de 1849, na época povoado de Paulo Afonso. Foi ordenado presbítero aos 30 dias do mês de Maio de 1874 aos 24 anos de Idade na cidade de Fortaleza, Ceará, pelas mãos de Dom Joaquim José Vieira, o então bispo do Ceará.

No dia 1 de julho de 1881, Padre Antônio Manuel fora nomeado pároco colado de Alagoas e cônego honorário de Olinda. Foi pároco de Alagoas até que o papa Leão XIII o escolhe para Bispo de Belém do Grão Pará aos 7 de setembro de 1894. Sua sagração episcopal deu-se em Roma aos 18 de novembro de 1894 sendo sagrante principal o cardeal Vicenzo Vannutelli. Dom Antônio Manuel tomou posse na diocese do Grão Pará aos 06 de março de 1895. Foi o 12º bispo de Belém do Pará, sucedeu a Dom Jerônimo Tomé da Silva e teve como sucessor Dom Francisco do Rego Maia.

Encontrou a diocese de Belém do Pará em grave dificuldade financeira e pastoral. Constituiu patrimônio imobiliário para atender, com a renda, a manutenção do Seminário. Convidou e conseguiu instalar na diocese os Padres Agostinianos Recoletos e as Filhas de Sant’Ana. Com o objetivo de formar o clero no espírito do concílio de Trento. A Ordem dos Agostinianos Recoletos (OAR) é uma congregação religiosa seguidora de Santo Agostinho. Nasceu na Espanha, em 1588, em plena Reforma Católica, a partir da renovação da Província Agostiniana de Castela. Hoje possui cerca de 1200 religiosos professos, sendo 17 bispos, 940 sacerdotes e 70 irmãos. No Brasil possui três províncias: Trabalham em paróquias, missões colégios e seminários.

Por sua vez, a congregação Instituto das Filhas de Santa Ana foi fundada pela religiosa italiana Ana Rosa Gattorno (1831-1900): ficou viuva, em 1861 entra na terceira ordem franciscana e iniciou a dedicar-se a varias obras de apostolado social na cidade de Génova; foi recebida em audiência pelo Papa Pio IX, no dia 3 de janeiro de 1866, onde apresentou alguns pontos de uma nova regra, recebida em um momento de oração; alì o Papa aconselha a dar inicio a esta nova congregação. A congregação foi aprovada pela Santa Sede o 21 de abril de 1879; as suas costituições foram aprovadas em 26 de julho de 1892. À morte da fundadora as Filhas de Sant'Ana eram cerca de 3500, presentes em 368 comunidades. Madre Rosa foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 9 de abril de 2000.

No dia 02 de julho de 1900 o papa Leão XIII pela bula Postremis hisce temporibus criou a diocese de Alagoas desmembrada da então diocese de Olinda. Ao criar a diocese ficou uma imensa lacuna, pois durante 1 ano a recém criada diocese ficou completamente abandonada sem a presença de um bispo. Foi a pedido de Dom Antônio Manuel de Castilho Brandão que o papa decreta sua transferência para a até então vacante diocese de Alagoas. No dia 22 de junho de 1901 o Papa Leão XIII o transfere para a Diocese de Alagoas, atual Arquidiocese de Maceió, onde permaneceu até sua morte a 15 de março de 1910 aos sessenta anos de idade.
Com recursos familiares Dom Antônio Manuel comprou uma fazenda na cidade de Maceió e construiu o Seminário Nossa Senhora da Assunção no alto do Jacutinga.

Um estreito laço de amizade e afeto unia D. Antônio ao Papa Leão XIII. Nos momentos de congraçamento e descontração, o Pontífice dirigia-se a ele carinhosamente como "o meu querido de Castilho".

Satisfazendo uma recomendação pessoal de Leão XIII e as determinações do Concílio Plenário Latino-Americano (1899) do qual participou, D. Antônio Brandão, ao iniciar as suas atividades à frente da nova diocese, cuidou primeiramente das vocações sacerdotais e da construção do Seminário, no alto do morro do Jacutinga. O Seminário foi aberto em 1902, funcionando, provisoriamente, no secular convento franciscano da vetusta cidade de Marechal Deodoro. Somente em 1904, foi inaugurado o prédio construído por D. Antônio Manuel, no qual o Seminário funciona até hoje.

Com a fundação do seminário, houve, então, uma eleição para a escolha do seu santo padroeiro. Vários nomes foram cogitados: São José, São Tomás de Aquino, São Luiz de Gonzaga, dentre outros. Ao final, porém, dois nomes polarizaram as preferências: São Carlos Borromeu e Nossa Senhora da Assunção. Procedida à votação, o nome de Nossa Senhora despontou como favorita vencendo o pleito.

Preocupado com a educação e a formação religiosa da juventude alagoana, D. Antônio trouxe para Maceió as Irmãs Sacramentinas, em 1904, que inauguraram o Colégio Santíssimo Sacramento para a mocidade feminina. E, em 1905, os Irmãos Maristas (pequenos irmãos de Maria), que fundaram o Colégio Diocesano (atual Colégio Marista de Maceió) para atender à juventude masculina.

Atento ao dinamismo pastoral da nova Diocese, o nosso 1º bispo atraiu para Alagoas a operosa Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, fundada pelo Pe. João Leão Dehon, a qual a nossa Arquidiocese deve um grande penhora de gratidão. Em 1904, eles assumiram a Paróquia de São José da Lage e, em 1907, a Paróquia de Porto Calvo, substituindo o Côn. João Machado transferido para a Catedral de Maceió.

Depois de uma larga folha de serviços prestados à Santa Igreja, o nosso 1º bispo D. Antônio Brandão já cansado e doente faleceu a 15 de março de 1910, sendo sepultado ao lado do altar-mor da Catedral de Maceió.
Como bispo de Alagoas Dom Antônio Manuel ordenou os seguintes padres:
a) Em 1901: Pe Alfredo Manuel da Silva (o segundo Reitor do Seminário de Maceió), Pe. Antônio Calado de Almeida, Pe. Domingos Correia da Rocha.
b) Em 1902: Pe. Elói de Barros Brandão.
c) Em 1903: Pe. Júlio de Assis Braga.
d) Em 1904: Pe. Otávio Fontes Cunha, Pe. José Castilho de Omena, Pe. Durval de Oliveira Goes.
e) Em 1906: Pe. Aquiles Melo Filho.
f) Em 1908: Pe. José Belarmino Barbosa (Poeta alagoano), Pe. João de Menezes Milchell, Pe. José Maurício da Rocha (Que tornou-se Bispo de Corumbá e depois Bragança Paulista), Pe. Aurélio Francisco Henrique.
g) Em 1909: Pe. Antônio Tobias da Costa (o quarto Reitor do Seminário de Maceió).
h) Em 1910 o Pe. Américo Pita.

Dentre os padres do período de Dom Antônio Manuel destacam-se o primeiro reitor do Seminário foi Monsenhor Jonas Taurino nascido no então povoado de Pilar. Na época em que foi criada a diocese de Alagoas decidiu continuar incardinado na diocese de Olinda onde faleceu na década de sessenta. Dom Antônio solicitou ao primeiro Arcebispo e vigésimo quarto bispo de Olinda Dom Luís Raimundo da Silva Brito (1901-1915), que enviasse um padre virtuoso para ser o Reitor do então aberto Seminário da neo diocese de Alagoas. Acatando o pedido foi enviado o Monsenhor Jonas Taurino, que buscou formar com amor a primeira turma de seminaristas. Governou o seminário por dois anos entre 1902-1903, depois de inaugurado o novo seminário no alto do Jacutinga. Retornou após este curto espaço de tempo para a arquidiocese de Olinda. Em 1952, já completando 60 anos de sacerdócio foi convidado pelo então Reitor Mons. José Luiz Soares ao Seminário Nossa Senhora da Assunção onde foi homenageado.

Entre os padres da primeira turma temos o dever de evidenciar o Cônego José Moreira Pimentel nascido na cidade de Viçosa. Estudou no Seminário de Olinda até o 1º ano de teologia onde recebeu a tonsura clerical. Assim que foi criada a diocese de Alagoas foi transferido para o Seminário de alagoas chegando a ser ordenado por dom Antônio Manuel de Castilho Brandão. Na sua vida apostólica foi vigário cooperador de Pão de Açucar, pároco de Limoeiro de Anadia, de Capela, de Pilar, de Bebedouro. Diretor Espiritual do Seminário de Maceió, Reitor da reitoria de São Benedito e no final da vida capelão do hospital Amor e Caridade de Viçosa. Era um homem de grandes virtudes: uma caridade imensa, modéstia impressionante, paciente, firme na sua palavra e confessor exemplar. Um homem que se dedicou a causa do Reino, que merece ser lembrado neste ano sacerdotal.

Outro padre que merece ser lembrado é o Pe. Elói Brandão, nascido na cidade de Viçosa e foi ordenado por dom Antônio Manuel no ano de 1903. Foi pároco de Anadia, Quebrangulo e exemplar diretor espiritual do Seminário de Maceió. Homem de virtudes notórias: espiritualidade forte, um homem de coragem apostólica, um grande orador. Sua oratória era tão proeminente que foi escolhido pelo clero para proferir uma homilia memorável nos funerais do primeiro bispo de Alagoas. Morreu um ano depois em 1911 e sepultado com honra na Igreja Matriz de Viçosa.
Um outro herói do clero de Maceió é o padre Júlio Albuquerque. Veio com Dom Antônio do Belém do Pará. Era funcionário dos correios até seu ingresso no seminário onde foi ordenado em 1907. Foi o autor do célebre livro “alma das catedrais” um livro de poesias invejável que faz parte do patrimônio cultural de Alagoas. Era orador brilhante, músico especialista em clássicos tocados no piano e além de tudo, sua espiritualidade e amor a Igreja era seu marco mais tocante. Exerceu seu ministério sacerdotal como pároco em Quebangulo, Anadia, Murici e São Miguel dos Campos além de ter sido Diretor Espiritual no Seminário de Maceió.

Dom Antônio Manuel escolheu como 2º Reitor do Seminário outro homem carregado de virtudes: Pe. Alfredo Manoel da Silva. Intelectual impulsivo, dominava as línguas clássicas e modernas, estudioso de filosofia e teologia, músico e apaixonado pelo seu sacerdócio, nascido na cidade de Traipú. Sua vida foi dedicada às letras, o estudo e a música. Impregnou na mente e no coração do clero de Alagoas pela importância da intelectualidade e da cultura.

Pe. José Maurício da Rocha foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1908, na Catedral de Maceió, com dispensa, por ter apenas vinte e três anos de idade. Imediatamente foi nomeado professor do Seminário Menor de Maceió e secretário da Cúria Diocesana. Devido à sua inteligência ímpar, seu zelo e destaque em meio ao clero de sua época, o arcebispo de São Salvador da Bahia concedeu-lhe em 1911, o título de Cônego Honorário da Sé Primacial. Em todas as suas atividades como presbítero continuou a destacar-se, sendo que em 1913 entitulado pelo Papa São Pio X Monsenhor Camareiro Secreto. Durante todo o período de seu presbiterado, produziu uma imensa quantidade de estudos, pesquisas e publicações. A 10 de maio de 1919 foi nomeado, pelo Papa Bento XV bispo diocesano de Corumbá. A 20 de julho do mesmo ano foi sagrado bispo na catedral de Maceió, tendo por sagrante principal Dom Jerônimo Tomé da Silva, arcebispo primaz do Brasil, e como consagrantes: Dom Manuel Antônio de Oliveira Lopes, arcebispo de Maceió e Dom Jonas de Araújo Batinga, bispo de Penedo.

Sagrado bispo, tomou posse de sua diocese, então muito isolada, privada de patrimônio e com clero muito pequeno. Aí permaneceu por oito anos dando grande impulso ao desenvolvimento local, nunca descuidando do zelo espiritual pelas almas. Empreendeu penosas viagens pelo sertão, em lombo de burro, para realizar visitas às distantes paróquias e comunidades. A 4 de fevereiro de 1927 foi transferido para a Sé de Bragança Paulista, criada a 24 de julho de 1925 e ainda não provida de bispo. A 19 de junho do mesmo ano tomou posse, fazendo sua entrada solene na cidade episcopal e na catedral.

Governou com grande zelo a diocese, consolidando seu patrimônio, dedicando-se incansavelmente à formação cultural e religiosa do clero, à instrução dos fiéis, e essencialmente à salvação das almas. Pode-se dizer que foi um verdadeiro evangelizador. Sua formação sólida, sua erudição ímpar, o brilho de sua palavra, a magia de sua pena e sua inteligência privilegiada fez com que produzisse um cem números de consistentes artigos, profundas Cartas Pastorais, discursos e homilias inesquecíveis. Contudo, o que mais marcou seu caráter foi a defesa incondicional da fé e a preocupação com a dissolução dos costumes. Foi monarquista convicto, mas manteve bom relacionamento com as autoridades republicanas. Dom José Maurício foi personalidade influente na vida política e social do Brasil, durante toda a primeira metade do século XX. Gozou ele de tanto prestígio e influência que quando alguém não conseguia seus objetivos com algum político ou empresário, era orientado com o famoso jargão: "Vá se queixar ao Bispo de Bragança". Certamente, se ele se interessasse pela causa ela teria sucesso.

Após quarenta e dois anos à frente do governo da Diocese de Bragança Paulista, faleceu a 24 de novembro de 1969 , no Palácio Episcopal de São José, em Bragança Paulista. O seu corpo embalsamado foi revestido de paramentos róseos, usados nos domingos ‘’Gaudete’’ e ‘’Lætare’’, em sinal de alegria, sendo exposto à visitação de uma multidão de pessoas, não só da diocese, mas também de muitos outros lugares do Estado e do País. Estiveram presentes muitas autoridades eclesiásticas, dentre elas o Cardeal Agnelo Rossi, então arcebispo de São Paulo; Dom Humberto Mozzoni, então Núncio Apostólico no Brasil, inúmeros arcebispos, bispos, sacerdotes e seminaristas. Também autoridades civis e militares se fizeram presentes, destacando-se o ex-presidente Jânio Quadros, o general Milton Tavares e o Ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva. Suas exéquias foram pontificadas, em latim, pelo então arcebispo de Campinas, Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, na Sé Catedral de Bragança Paulista, onde foi sepultado na cripta.

Há uma nota importante da história encontrada no livro de tombo da Catedral Metropolitana deixada pelo Mons. José Luis Soares, na qual registra a criação da paróquia de Nossa Senhora dos Prazeres em 1819 pelo alvará Régio de 9 de julho de 1819. Por duas vezes foi pedido ao Rei D. João VI a criação da paróquia, o primeiro pedido foi negado por julgar o bispo de Olinda desnecessário, já que havia na época a paróquia de santa Luzia do Norte. Não se conformando com a resposta uma comissão dirigiu-se à dom João pessoalmente, o qual convenceu-se diante dos argumentos criando por fim a paróquia. O primeiro pároco da nova paróquia foi o pe. José Antônio de Caldas, que não chegou a tomar posse já que foi eleito deputado à assembléia geral constituinte. No arquivo nacional não há nada que registre seus feitos, como é relatado é um ilustre desconhecido. Sabe-se que nasceu na vila de alagoas a 8 de outubro de 1787, foi aprovado “com louvor” por uma comissão julgadora do primeiro reinado Brasileiro aos 18 de fevereiro de 1820. Sua nomeação foi escrita a mando de Dom João VI no paço da Boa Vista, Rio de Janeiro a 03 de março do mesmo ano e está nos arquivos do Museu Nacional.

Provavelmente ordenado em Olinda em 1910, padre Caldas desenvolve intensa atividade política, o que era muito comum “a consciência nacional naquela época” assumindo postura republicana. Pe. Caldas participou efetivamente de duas subverções armadas de caráter separatista, uma no nordeste e outra no extremo sul do país. A primeira na confederação do equador. A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de caráter emancipacionista e republicano, ou mais certamente autonomista, ocorrido em 1824 no Nordeste do Brasil. Representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçadas na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país. A Intenção da conferação do Equador era proclamar a independência do Nordeste do país. O idealizador do levante foi Joaquim da Silva Rabelo, depois Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, mais conhecido na história como o frade carmelita Frei Caneca.

A outra foi a revolução farrolpilha. Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha são os nomes pelos quais ficou conhecida a revolução ou guerra regional, de caráter republicano, contra o governo imperial do Brasil, na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul, e que resultou na declaração de independência da província como estado republicano, dando origem à República Rio-Grandense. Durou de 1835 a 1845. Apesar da agitação de uma vida supermovimentada, que ficou nmarcada no cenário nacional, Pe. Caldas faleceu em Niterói, Rio de Janeiro por volta de 1860.
Como se vê o empenho de nosso primeiro arcebispo não foi em vão muitos luzeiros brotaram de seu empenho pastoral. Foi fundador da diocese de Alagoas, fundou seu patrimônio e como hábil administrador organizou e estabeleceu com sólido fundamento as finanças do Bispado. Abriu o Seminário de Alagoas a 15 de janeiro de 1902 no covento franciscano da velha capital de Alagoas, sendo seu primeiro Reitor o Monsenho Jonas Taurino Ferreira de Amorim, notável humanista e filho de Pilar à margem da lagoa de Manguaba. Construiu o prédio do seminário no aprazível bairro do Jacutinga, hoje Farol inaugurando-o aos 15 de janeiro de 1904, sob a proteção de Nossa Senhora da Assunção, sua padroeira. O seminário foi a primeira Escola Superior das Alagoas. Trouxe as religiosas Sacramentinas, em 1904, para a educação da juventude Feminina e os irmãos Maristas para a juventude masculina em 1905.

Com a morte do cônego Otávio Costa em 1907, nomeia o cônego João Machado de Melo, o maior orador sacro das Alagoas, para pároco da Catedral, transferindo-o posteriormente para Porto Calvo. Visitou com seu pequeno clero e um grupo de seminaristas o conselheiro Afonso Augusto Moreira Pena, eleito Presidente da República, foi presidente do Brasil entre 15 de novembro de 1906 e 14 de junho de 1909, data de seu falecimento, antes da carreira política, foi advogado e jurista, que estava em excursão pelos Estados do Norte, inclusive em Alagoas. O encontro se deu no Palácio dos Martírios. Reconhecia a autoridade dos poderes constituídos e sempre se fez respeitado por eles. Faleceu a 15 de março de 1910 e está sepultado sob o sólio episcopal da catedral de Maceió.

O clero por ocasião do segundo Bispo de Alagoas e o primeiro arcebispo de Maceió D. Manuel Antônio de Oliveira Lopes

Estando vacante a sede episcopal das Alagoas, a Santa Sé nomeou, então, para ocupá-la, o baiano D. Manuel Antônio de Oliveira Lopes, bispo titular de Tabes e Coadjutor da Diocese do Ceará, que governou a nossa Diocese durante, aproximadamente, onze anos, de 1911 a 1922.

D. Manuel Lopes constituiu Mons. Jonas de Araújo Batinga, que era vigário capitular, como seu procurador e, por meio dele, tomou posse da diocese. Somente um mês depois, a 12 de abril de 1911, D. Manuel aportou em Jaraguá, sendo conduzido à Catedral, onde recebeu as homenagens do clero e dos diocesanos.

Dentre os primeiros atos de seu episcopado, destaca-se a criação do cabido Diocesano, espécie de senado do bispo. Os cônegos do cabido de Maceió usam pela primeira vez as suas rubras vestes corais no 1º Congresso Católico, cujas sessões se realizam nas naves da Catedral, como parte das comemorações dos festejos do Centenário da Emancipação Política de Alagoas, a 16 de setembro de 1917.

Preocupado com a formação do futuro clero e a manutenção do Seminário, D. Manuel instituiu a Pontifícia obra das Vocações Sacerdotais. Além disso, percebendo a importância da imprensa escrita, fundou um diário católico, "O Semeador", em 1913, confiando a sua direção ao zeloso e abnegado Cônego Antônio José de Cerqueira Valente, o qual assumiu por 50 anos sua direção, codirigido pela preciosa colaboração do Cônego Luís Carlos de Oliveira Barbosa e do Cônego Franklin Casado de Lima.
Criou cinco paróquias: em Maceió Bebedouro, Levada. No interior: Capela, Major Isidoro e Junqueiro.

Na sua gestão, foi criada a Diocese de Penedo em 1916 pela bula Catholicae Ecclesiae Cura do papa Bento XV. O 1º bispo nomeado para a recém criada diocese foi D. Jonas de Araújo Batinga, que fora pároco Capitular e Reitor do Seminário. Nessa ocasião o nome da Diocese das Alagoas foi mudado para Diocese de Maceió pelo decreto da Sagrada congregação Consistorial de 25 de agosto de 1917. O papa Bento XV mediante a bula Inter Varia elevou a então diocese de Maceió a Arquidiocese de Maceió. Desta forma, D. Manuel Lopes tornou-se o nosso 1º Arcebispo.

Faleceu D. Manuel de Oliveira Lopes na Bahia, em 27 de julho de 1922, sendo seu corpo transladado para Maceió. O nosso 1º arcebispo está sepultado ao lado do altar-mor da Igreja Catedral.

Como Arcebispo de Maceió ordenou os seguintes padres:
a) Em 1911: Pe. Anacleto Brandão, Pe. Antônio José de Cerqueira Valente (trataremos logo a seguir do Monsenhor Valente).
b) Em 1912: Pe. Epitácio Rufino de Moura, Pe. José Bulhões (Pároco de Santana do Ipanema), Pe. João Batista Wanderley (pároco de Major Isidoro, administrador diocesano da diocese de Penedo até a chegada do 1º Bispo e fundador da casa do pobre), Pe. Raul Alves da Silva (pároco de Marechal Deodoro e Quebrangulo), Pe. Francisco Xavier de Macedo (Foi condutor de bonde a burro na cidade de Penedo, sargento da polícia em Sergipe, irmão coadjutor salesiano, depois pároco de Mata Grande, trabalhou na área administrativa da diocese de Penedo e morre como pároco de Palmeira dos Índios), Pe. Rosalvo Costa Rego (Reitor do Seminário do Rio de Janeiro e depois Bispo auxiliar do Rio de Janeiro), Pe. Francklin Valute de Lima, Pe. José Ayala dos Prazeres, Pe. Luiz Carlos de Oliveira Barbosa.
c) Em 1913: Pe. Juvino Juviniano Lopes (era tio de côn. Teófanes de Barros, pároco de Bebedouro e reitor da Igreja do Rosário), Pe. Armando de Gusmão (nascido em Porto Calvo, cooperador de Viçosa, capelão da usina Brasileiro, em Rio Largo foi capelão da fábrica de tecidos e morre como pároco de sta. Luzia do Norte), Pe. João Vasconcelos Teixeira (filho de Viçosa e foi transferido para a arquidiocese do Rio de Janeiro).
d) Em 1915: Pe. Sizenando Leopoldino (tio do atual mons. Celso Alípio, nascido em Porto de Pedras foi pároco da Levada e professor de português do Seminário), Pe. Candido de Ferreira Machado (vigário cooperador de Viçosa com residência em Chã Preta, foi pároco de Passo de Camaragibe e depois pároco de Viçosa até sua morte).
e) Em 1916: Pe. José Bernardino Souto (reitor de São benedito morreu com um derrame cerebral em 1943).
f) Em 1917: Pe. José Firmino Torres (morreu afogado no rio Mundaú em Rio Largo em 1933).
g) Em 1919: Pe. Amaro de Azevedo Falcão.
h) Em 1922: Pe. Clóvis Duarte Barros (Vigário de Fernão Velho, Murici, União dos Palmares, foi o quinto Reitor do Seminário de Maceió e depois pároco de União dos Palmares onde morreu em 1962).

Dentre os padres que podem ser destacados podemos evidenciar o Monsenhor Antônio de Cerqueira Valente nascido na cidade de Pilar. Ordenado por Dom Antônio Manoel de Castilho Brandão em 1911, foi empolgado sacerdote desde a sua mocidade, exerceu seu ministério como vigário coadjutor de Viçosa. Foi também reitor da Igreja do Rosário, diretor espiritual do Seminário de Maceió, membro do recém criado Cabido Metropolitano, responsável pelo jornal “O Semeador” que nascia em 1917, pároco da Catedral substituindo o côn. João Machado, foi ainda. Professor de Direito Canônico no Seminário e história no colégio estadual.
Padre Fernando Alves Lira, nascido em Penedo foi na época de Dom Santino o Chanceler da Cúria. Exerceu seu ministério como pároco do Jaraguá, reitor da Igreja dos Martírios, capelão militar e major da polícia, inspetor de ensino do Estado de Alagoas, catedrático de história do colégio Estadual e missionário da arquidiocese. O Missionário era o título dado para o padre responsável pelas atividades apostólicas do clero.

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